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Rodrigo Constantino

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A culpa é do Feijão! Ou: Se liberar importação é bom agora, por que não sempre?

Agora só com feijão virtual mesmo...

Agora só com feijão virtual mesmo…

Ao ver o pobre coitado do feijão ganhar as páginas de economia como o novo vilão da inflação e as redes sociais como motivo de brincadeira, lembrei de uma velha piada dos tempos politicamente incorretos (e mais divertidos): o sujeito encontra algo que parece um pelo no seu prato e chama o gerente, mas esse diz que com certeza se trata de um pelo do saco do feijão. O cliente fica um pouco mais tranquilo, mas se depara com outro pelo. Enojado, grita para o gerente novamente, que insiste: “Isso é do saco do feijão”. E, virando-se para a direção da cozinha, berra: “Feijão! Venha já aqui!”

Pobre Feijão… se na piada o cozinheiro era o culpado, na nossa economia a semente não tem culpa. Quer achar algum culpado? Então melhor olhar para cima, para ver o clima, ou para Brasília. Sim, a inflação generalizada é obra deliberada do governo petista. E em casos isolados também é o governo que tem responsabilidade. Não por toda a alta, já que ele não controla as safras; mas pelas barreiras artificiais que cria para impedir a livre concorrência. Tanto é verdade que a decisão do atual governo foi de dar isenção para as tarifas de importação:

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou nesta quinta-feira o pedido do governo de isentar os feijões preto e carioquinha do Imposto de Importação. Dessa forma, espera-se que as redes de varejo busquem o produto fora do país e o preço caia para o consumidor. A suspensão das taxas vai vigorar por 90 dias e vale para compras em todos os países.

Ontem, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já havia anunciado que encaminharia à Camex um pedido para incluir o feijão na lista de exceções que permite a isenção do Imposto de Importação. A tarifa cobrada sobre a compra da leguminosa no exterior é, usualmente, de 10%. O objetivo do governo é estimular a importação de países do Mercosul, onde o comércio já é livre, e abrir possibilidades para fora do grupo econômico. A ideia é que os supermercados possam recorrer diretamente ao México e à China.

Cabe perguntar: se é positivo adotar esta medida em tempos de crise em que o feijão subiu 20%, por que não seria em tempos normais? O governo, agindo assim, está claramente beneficiando os consumidores. E por que só agora? A livre competição não seria sempre desejável, para que o consumidor final tivesse o menor preço possível a seu dispor, independentemente da nacionalidade do produtor?

Vale o mesmo raciocínio para quando o governo anterior ameaçou produtores de aço com queda nas tarifas de importação por serem acusados de cartel. Ora, meu papai do céu! Quando o governo “ameaça” produtores de facilitar a importação para beneficiar os consumidores, isso é a maior confissão de que este governo cria obstáculos para proteger os produtores à custa dos consumidores, não?

Quando um país entra em guerra com o outro, a primeira coisa que tenta fazer é dificultar ou impedir seu acesso aos alimentos e bens de fora. Não é curioso que o próprio governo de um país faça isso em tempos de paz? Libera logo o feijão, ora bolas! Libera logo todos os produtos! Somos um dos países mais fechados do mundo, informação que parece não ter chegado a Ciro Gomes e demais nacionalistas protecionistas mercantilistas. E que os produtores mais eficientes possam sobreviver na livre concorrência do mercado. Quem sai ganhando com isso é sempre o consumidor.

O maior problema, para não variar, é o governo. Deixem o coitado do feijão em paz!

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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