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Rodrigo Constantino
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Dá para confiar num acordo com as Farc mediado por Cuba?

Deu na Folha:

O acordo entre o governo da Colômbia e as Farc(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para a criação de um tribunal que julgará os crimes ocorridos no conflito de mais de 50 anos foi recebido com otimismo no país.

Por outro lado, as condições para sua implementação deixam alguns grupos mais céticos. Para que a instância judicial especial comece a funcionar, a guerrilha terá que entregar suas armas.

Isso, porém, só será possível se o governo interromper seus ataques. Apesar disso, vítimas das Farc e analistas políticos ouvidos pela Folha consideram que as duas partes chegaram ao ponto mais próximo da paz em 50 anos.

Refém da guerrilha entre 2002 e 2008, a hoje deputada Clara Rojas afirma ser difícil que o processo seja revertido, embora seja necessário esperar o acordo definitivo.

“Estes anúncios são importantes, mas, para isso, a guerrilha precisa assinar seus compromissos e a sociedade colombiana precisa referendar este processo.”

Não me entendam mal: acho ótimo tentar um processo de paz. Mas sou cético. Pergunto: dá para negociar com terroristas? Os americanos costumam pensar que não. Dá para encarar ambas as partes, governo e Farc, como equivalentes nessas conversas? Os “revolucionários” vão aceitar mesmo pagar pelos crimes de sequestro, estupro, tráfico de drogas? Há controvérsias. Sabemos que a guerra infindável cansa muito, e custa caro. Mas será que a alternativa é tão melhor assim?

No mais, perguntar não ofende: dá mesmo para confiar num acordo mediado pela ditadura cubana, claramente aliada aos criminosos das Farc? Reparem que Raúl Castro, na foto da Folha, esta olhando para o seu lado esquerdo, para o camarada das Farc. Sintomático?

Fonte: Folha

Fonte: Folha

Para o ex-presidente Álvaro Uribe, o acordo é a garantia de impunidade às Farc. “Continuaremos representando milhões de colombianos que querem justiça de verdade, rejeitam este plebiscito ditatorial e nunca aceitarão este golpe de Estado contra a democracia”, escreveu em sua conta no Twitter.

Eu prefiro ficar do lado de Uribe nessa. O combate é cansativo, pode não ter uma vitória tão cedo, mas há vitória sobre o crime? E nem por isso a polícia vai ficar negociando paz com seqüestradores e assassinos, não é mesmo? O manto ideológico das Farc não deveria turvar nossa visão: são apenas bandidos, criminosos comuns, que apelam para a “justiça social” para praticar seus crimes hediondos.

A Colômbia conseguiu crescer, melhorar a qualidade de vida da população, graças a medidas mais liberalizantes, como as de livre comércio na Aliança do Pacífico. As Farc continuam sendo a pedra no sapato do país, daqueles que desejam não só paz, como império das leis, estado de direito. Desconfio de governantes que acham desejável e possível sentar na mesa para negociar com gente desse tipo, ainda mais tendo como intermediador o tirano assassino da ilha-presídio caribenha.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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