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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Esprema um “isentão” que logo sai um esquerdista do outro lado

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Tem um tipo que costuma ser pior do que o esquerdista. É o “isentão”, aquele que finge ser neutro, pairar acima dessa disputa “boba” entre esquerda e direita, que até faz críticas aos socialistas, mas que no fundo só quer mesmo atacar liberais e conservadores. Um caso típico – e por isso tantas vezes comentado aqui – é o de Helio Schwartsman, colunista da Folha.

Ele, que já confessou ter se decepcionado com o PT, pois acreditou na bandeira ética da quadrilha e se sentiu traído porque o partido abandonou as bandeiras da legalização do aborto e das drogas, vive posando de neutro, mas basta espremer um pouco o conteúdo para ver um esquerdista saindo do outro lado. E hoje não foi diferente.

Helio até condenou a extrema-esquerda, o PT, os comunistas e os socialistas, atacando a ideia de pureza na política, mas seu alvo era claramente outro. Aquilo era apenas uma introdução, um preparo de terreno, uma concessão para que sua acusação ao MBL e a Jair Bolsonaro tivesse mais efeito e peso. Diz ele:

Foi só recentemente que grupos mais à direita resolveram sair do armário, isto é, assumir-se como tal, mas foram rápidos em mostrar que são até mais inconsistentes que seus homólogos esquerdistas.

O MBL, grêmio de jovens que descrevem a si mesmos como liberais, abraçou uma campanha maluca contra a nudez na qual flerta com a censura. Da última vez que conferi, isso não entrava na cartilha liberal.

Jair Bolsonaro, um candidato nanico que, de repente, viu suas pretensões fermentadas pela crise política, viaja aos EUA para cumprir uma agenda em que posa de liberal, moderado e amigável ao mercado financeiro. Qual Bolsonaro diz a verdade, este ou aquele que em inúmeras ocasiões imprecou contra a democracia e defendeu a tortura praticada pelo regime militar? Pessoalmente, acredito mais na honestidade dos nanicos do que na ambição dos que se imaginam viáveis.

É triste constatar que, entre a pureza e o pragmatismo, o Brasil opta pelo oportunismo mesmo. 

O MBL se diz liberal, ou seja, o colunista já coloca em suspeita as afinidades ideológicas do grupo. E abraçou uma “campanha maluca contra a nudez”. Sério? Onde? Qual? Eu não vi. O que vi foi o MBL condenando a pedofilia em nome da arte, uma criança tocando no corpo de um homem nu, o que é bem diferente. Helio é jornalista, não custava ser honesto aos fatos? O MBL fez alguma campanha contra a nudez, por acaso?

Em seguida, o colunista desconfia da conversão de Bolsonaro ao liberalismo. Até aí, tudo bem: é para ser cético mesmo. Em defesa do capitão, não é algo tão recente assim. Bolsonaro já vem dando sinais de que amadureceu em questões econômicas faz tempo. Ninguém diz que ele é um liberal. Mas se ele vai endossar as pautas liberais na campanha de 2018, então ponto para ele, que teve o discernimento de entender o que o país precisa e deseja: liberalismo. O MBL mesmo, que vinha sendo crítico a Bolsonaro, reconheceu o avanço:

Não, Bolsonaro não virou um ícone do liberalismo por isso. Como disse, é legítimo manter o ceticismo e cobrar mais coerência e provas de que essa aproximação é verdadeira. Mas, em defesa do “mito”, repito que ele já vem fazendo declarações mais liberais em economia há tempos, que um de seus filhos chegou até a fazer o curso sobre a Escola Austríaca do Instituto Mises Brasil, e que ele demonstra humildade ao assumir que não entende muito do assunto. Bom sinal, lembrando que Dilma era economista e achava que sacava muito do tema.

Críticas são bem-vindas, necessárias, e ninguém está acima delas. A pureza é mesmo um perigo, concordo com Helio nessa. Mas calma lá! É preciso um mínimo de boa vontade e de honestidade na hora de fazer tais críticas. O que o colunista claramente quis em sua coluna foi jogar MBL e Bolsonaro para o lado dos comunistas e petistas, ambos nos extremos, vendendo uma falsa pureza.

Mesmo que para tanto tivesse que inventar uma campanha inexistente do MBL ou retratar a parcial conversão de Bolsonaro ao liberalismo como algo totalmente inusitado e recente, e não como uma tendência em curso faz algum tempo. Assim não…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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