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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Estatuto do Desarmamento: quem fala em nome do povo?

Se você se pautar apenas pelos editoriais dos jornais ou pelo que a esquerda caviar comenta nas festinhas, muitas regadas a cocaína, vai jurar que o mundo inteiro é a favor de tirar as armas dos cidadãos inocentes, aqueles que poderiam usá-las para se defender dos marginais, que já utilizam armas ilegais mesmo e, portanto, não são atingidos pelas medidas desarmamentistas do governo. Mas estaria enganado.

Assim como a redução da maioridade penal encontra forte apoio entre a população geral, e é duramente criticada por essa elite “intelectual”, o direito de ter uma arma é defendido por milhões de pessoas, mesmo aqueles que não necessariamente acham essa a melhor alternativa, mas compreendem que o vizinho tem todo direito de discordar.

Mas os jornais tratam as mudanças propostas no Estatuto do Desarmamento como absurdas, como algo proveniente da “bancada da bala”, ou seja, como se apenas interesses obscuros pudessem justificar a defesa de algo tão “maluco” (o direito básico que todo americano, israelense e suíço considera inalienável). Vejam essa notícia:

Relatório do deputado Laudívio Carvalho (PMDB-MG), previsto para ser apresentado em comissão especial da Câmara nesta quinta-feira, desfigura o Estatuto do Desarmamento. A proposta afrouxa regras de compra, posse e registro de armas no país. Entre as mudanças no substitutivo ao projeto original está a permissão a taxistas e caminhoneiros para andarem com armas dentro dos veículos em horário de trabalho, segundo o texto obtido pelo GLOBO. Para isso, bastará que os profissionais tenham a posse da arma, e não o porte, como é exigido hoje.

Pela legislação vigente, a posse dá o direito ao dono da arma de mantê-la apenas em casa ou no local de trabalho, desde que ele seja o responsável legal pelo estabelecimento. Segundo o texto do relator, o táxi e o veículo de carga são “domicílios profissionais”.

[…]

Pelo texto do relator, a aquisição de arma por morador de área rural fica mais facilitada. Hoje, ele precisa comprovar a necessidade. Só existe uma concessão especial para aqueles que dependam da caça para subsistência. Pelo novo texto, equiparam-se ao “caçador de subsistência” os residentes de zona rural que precisem da arma para defesa pessoal.

Com validade de 10 anos, o registro a moradores da área rural é condicionado à “demonstração simplificada” de “habilidade no manejo” da arma pleiteada.

Parecem medidas bastante razoáveis, de quem está ciente da realidade brasileira, da necessidade de o proprietário se defender de invasores que, muitas vezes, contam até com apoio do governo. Ninguém aguenta mais tanta violência, tanta criminalidade, enquanto os marginais são tratados como “vítimas da sociedade” e os cidadãos ordeiros que querem se defender como os verdadeiros criminosos. Mas não é esse o tom dos jornais, a opinião dos artistas e “intelectuais”. Só ao se referirem a esses deputados como a “bancada da bala” mostra o desdém por tais bandeiras.

Ocorre que eles não falam em nome do povo, apesar de jurarem o contrário. E uma boa evidência disso, além da já histórica derrota no plebiscito sobre o assunto, foi a patética reação da turma contra essas mudanças no Estatuto. Conforme constatou um conhecido que entende do assunto e acompanhou de perto a disputa toda:

Desde a última quarta-feira, um burburinho instalou-se no corredor dos plenários da Câmara dos Deputados. Diante da aproximação da apresentação do relatório do Projeto de Lei 3722/2012, hoje, pelo relator Laudívio Carvalho (PMDB-MG), deputados favoráveis a não flexibilização do Estatuto do Desarmamento se uniram para compor uma Frente Parlamentar Pela Vida e Pela Paz. O movimento foi divulgado incialmente como grande, com cerca de 230 deputados, mas a apresentação foi pífia diante de tal alarde. Os tais 230, na realidade, transformaram se em apenas oito e todos aproveitaram a ocasião para discursar sobre a Frente para um público de 15 pessoas (que dividiam-se entre presidentes e representantes de ONGs que militam sob os mesmos ideais).

Vejam uma foto tirada da “incrível” reação (são sempre as mesmas figuras, reparem):

desarmamento

PSOL e PT, os “progressistas” que lutam pela “paz”, ao lado de ditadores assassinos, de terroristas, sequestradores, traficantes e assassinos. Não é fofo? Maria do Rosário está em todas: sempre lutando pela paz e contra a violência. Por isso ela quer retirar as armas dos inocentes, entende?

Mas divago: o importante é ver o tamanho, a popularidade da coisa! Notem como estava lotada a sala, para impedir essa absurda mudança no Estatuto do Desarmamento. É incrível que a esquerda tenha, até hoje, o monopólio do discurso em prol do povo, sendo que nunca está do seu lado. Populistas, sim, mas populares?

A turma precisa sair da bolha e conhecer o mundo, conversar por dois minutos com os pobres de verdade, aqueles de carne e osso. O brasileiro está cansado de tanta criminalidade e impunidade. E o direito de ter uma arma para tentar se defender, já que a segurança pública não o faz, é algo que conta com amplo apoio popular. A esquerda “progressista”, uma vez mais, está contra o desejo do povo.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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