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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Euro: os liberais e conservadores alertaram…

Se os eleitores tivessem memória melhor a esquerda estava perdida. O segredo dos esquerdistas é pular de galho podre em galho podre como se não tivessem nada a ver com a podridão. Cada novo experimento é vendido como uma novidade, ainda que seja apenas o repeteco dos velhos fracassos. Os liberais e conservadores apontam para eles, mas são ignorados, quando não ridicularizados. O tempo é senhor da razão.

O euro foi um projeto um tanto arrogante e intervencionista, de pensadores com a mentalidade estatizante que desejavam criar uma união de cima para baixo. Não funciona assim. E o alerta de que a união monetária forçada, para gerar uma união política artificial, acabaria gerando diversos problemas foi feito por muitos liberais e conservadores. Entre eles ninguém menos que Milton Friedman, ainda em 1997:

A mobilização para o Euro foi motivada por política, não economia. O objetivo foi o de vincular a Alemanha e a França tão estreitamente a ponto de fazer uma guerra europeia impossível no futuro, e para definir um cenário para um Estados Unidos da Europa. Eu acredito que a adoção do euro teria o efeito oposto. Ele iria agravar as tensões políticas através da conversão de choques divergentes que poderiam ter sido facilmente acomodados por mudanças na taxa de câmbio em questões políticas divisionistas. A unidade política pode abrir o caminho para a unidade monetária. Unidade monetária imposta em condições desfavoráveis vai provar uma barreira para a realização de unidade política.

Quão proféticas essas palavras soam hoje! Thatcher também disse não ao projeto. Três vezes, antecipando inclusive o hit de Amy Winehouse: no, no, no! Vejam:

httpv://youtu.be/U2f8nYMCO2I

Em diversas ocasiões fiz o mesmo alerta, quando as profecias de Friedman e Thatcher já tinham se mostrado acuradas, mas intervenções artificiais postergavam o encontro com a realidade e ludibriavam os investidores. Numa resenha do livro The Tragedy of the Euro, de Philipp Bagus, escrevi:

Em suma, o euro é um projeto político, que visa à centralização do poder na região. Os alemães de classe média poderão ser obrigados a sustentar a farra dos gregos, italianos, espanhóis e até franceses mais irresponsáveis. Essa é justamente a visão socialista de mundo. E ela nunca deu certo.

Numa carta de gestão, quando ainda atuava no mercado financeiro, lá estava a mesma mensagem:

Minha visão é de que o euro é um projeto fracassado. A questão que surge é a seguinte: insistir em seu salvamento com mais manipulações beneficia a Europa? Penso que não. Assim como a União Soviética, postergar o dia do julgamento faz apenas com que a dor seja maior depois. Quanto mais tempo levar para a ruptura do euro, maiores serão as divergências entre seus membros. E, por tabela, maior será a necessidade de transferências dos mais ricos para os mais pobres. Isso é socialismo. Ele nunca funciona.

Como um viciado em drogas, porém, o mercado celebra euforicamente cada nova rodada de estímulo das autoridades, ainda que a nova onda tenha menor intensidade e duração. Até o dia em que o organismo não agüenta mais.

A crise europeia está muito longe do fim. Haverá momentos de tranqüilidade aparente e até de otimismo. Um futuro sombrio aguarda a Europa. Não vamos nos enganar com alguns raios de sol esporádicos que surgem no horizonte.

Agora, uma vez mais, os liberais e conservadores alertam para os enormes riscos da decisão grega, aplaudida pela esquerda palpiteira que nunca aprende. O tempo mostrará, para não variar, que estávamos certos. Mas só depois de muita dor e sofrimento dos próprios gregos, iludidos pelas fantasias esquerdistas.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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