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Rodrigo Constantino

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Ex-alunos do Colégio São Bento fazem petição contra paralisação da escola no protesto da CUT

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O Colégio São Bento é um dos mais prestigiados do Brasil, sempre no topo dos rankings de qualidade. Além da firmeza na cobrança de conteúdo, o colégio também é conhecido por seu viés tradicional, e teve um grande legado deixado pelo reitor Dom Lourenço de Almeida Prado, cujos livros sobre educação recomendo a todos.

Foi com um misto de tristeza e espanto, portanto, que vimos até o São Bento aderir à paralisação (greve) fomentada pela CUT contra a reforma previdenciária, necessária para que o país não quebre de vez. Mas como sua formação foi exemplar nos anos passados, eis que ex-alunos não deixaram a coisa passar em branco: assinaram uma petição, uma moção de repúdio a esta postura da escola:

Na qualidade de ex-alunos do Colégio de São Bento do Rio de Janeiro (CSB/RJ), e tendo tomado conhecimento da suspensão das aulas no dia 15 de março de 2017 em razão da adesão do corpo docente do Colégio à paralisação geral incentivada pelo Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (SINPRO-Rio) nesta data, sentimo-nos na obrigação de vir a público manifestar nosso repúdio à postura adotada pelos professores da instituição.

Lamentavelmente, vivemos em nosso país um intenso acirramento político-ideológico, que vem se manifestando em diversos espaços, em especial nas salas de aula da grande maioria dos colégios e universidades brasileiros – públicos e privados, sem distinção. No CSB/RJ, conhecido por sua excelência e formação humanista, desde a nossa juventude fomos instigados a pensar de forma ampla e independente, evitando, assim, a influência de qualquer concepção de vida ideologizada, que é aquela que despreza os mais basilares fundamentos do saber: a realidade e a verdade.

Aliado a isso, temos a certeza que os pais dos alunos do CSB/RJ, ao matricularem seus filhos em secular instituição e arcarem com uma expressiva mensalidade, desejam que estes tenham aulas regulares, sem quaisquer paralisações, a fim de obterem todo o conhecimento disponível. Trata-se de uma questão que não diz respeito apenas ao bom cumprimento dos contratos em uma relação de consumo, mas também ao bom senso que rege as relações interpessoais.

A partir dessas ideias, temos a asseverar que o direito de manifestação consagrado na Constituição de 1988 – tenha ele o teor e o espectro político que tiver – não pode implicar no desrespeito aos contratos de prestação de serviço educacional celebrados entre os pais e o Colégio, nem mesmo às tradições centenárias da instituição de prezar pela pluralidade de ideias e o debate, ainda mais quando tal ato tem nítido caráter político-partidário.

Como se sabe, o Sindicato dos Professores Município do Rio de Janeiro (SINPRO-Rio) é controlado há anos por partidos políticos de extrema-esquerda, que se utilizam da categoria para promover sua agenda política e interesses pessoais. Por tal razão, é falaciosa a afirmação de que o posicionamento adotado pelo corpo docente do CSB/RJ seja “apartidário”. Tanto a instituição que convocou a paralisação quanto o próprio comunicado divulgado pelos professores – ao afirmar ser um “posicionamento político” – determinam a natureza ideológica do ato. E, como já dito, toda ideologia é perigosa e deletéria, tendo levado o Brasil a uma mais das graves crises de sua história, que, em última análise, motiva as reformas que agora se critica.

Ainda, não é verdade que haja um consenso de que a PEC 287/2016, que trata da Reforma da Previdência, seja um retrocesso nos “direitos conquistados ao longo de anos de luta por respeito e dignidade de milhões de trabalhadores do nosso país”. Ao contrário, há um entendimento relativamente tranquilo entre economistas e financistas – inclusive diversos ex-alunos do CSB/RJ com ampla e sólida formação acadêmica – de que tal reforma não é apenas necessária, mas imprescindível para a recuperação do país. O déficit de previdência é real e não pode ser tratado com o simplismo que a nota buscar dar. Se o problema não for tratado agora, criará um grave conflito intergeracional, no qual aqueles que hoje contribuem – e também protestam – nada receberão.

Por essas razões, repelimos veementemente a postura do corpo docente do CSB/RJ e, como forma de garantir a pluralidade de ideias e o debate, que são tão caros à instituição, requeremos à Diretoria do CSB/RJ a adoção das seguintes medidas:

(1) Realização de sessão aberta de debates a respeito do escopo e aspectos relacionados à PEC 287/2016, que assume papel de protagonismo na paralisação ocorrida em 15 de março de 2017, facultando aos subscritores a indicação de no mínimo 2 representantes no painel de debate;

(2) Participação ativa da Direção junto ao corpo docente em sala de aula, com o intuito de incentivar o amplo debate de ideias, sempre prezando pela transmissão dos diversos pontos de vista, evitando-se, assim, qualquer tendência ideológica no ensino;

(3) Concessão de abatimento na mensalidade proporcional ao dia de aula suspenso para todos os alunos;

(4) Desconto proporcional na remuneração de todos os professores em razão da suspensão das aulas.

Agradecemos desde logo a atenção dispensada e esperamos que nossos pleitos sejam atendidos, com o que entendemos que o CSB/RJ reforçará sua tradição de instituição preocupada em garantir formação independente a todos os seus alunos, para que estes, ao se tornarem “agentes transformadores e atuantes na sociedade em que vivem”, o façam a salvo de quaisquer pressões ideológicas.

Cordialmente,

Ex-Alunos do Colégio de São Bento do Rio de Janeiro

Os quase 300 ex-alunos que já assinaram essa petição estão de parabéns. Isso mostra que Dom Lourenço deixou sua marca, que muitos saíram da escola preparados para a vida, para enfrentar patrulhas, para defender com coragem o que julgam certo, para raciocinar de forma independente. Tudo aquilo, enfim, que os partidos de extrema-esquerda, que dominam os sindicatos de professores, querem combater, pois precisam de papagaios, de robôs, de revolucionários doutrinados agindo por pura emoção.

Dom Lourenço de Almeida Prado

Dom Lourenço de Almeida Prado

Já a direção do Colégio São Bento merece um puxão de orelha dos grandes, por sujar dessa forma o legado de Dom Lourenço e outros que, ao seu lado, ajudaram a construir a reputação da escola. Construir é algo trabalhoso, leva muito tempo. Destruir é coisa rápida. Espero que isso tudo sirva de lição à diretoria da escola, que ela repense suas atitudes, para não mais sacrificar a boa formação em nome da ideologia e do proselitismo partidário. Escola Sem Partido: um conceito que o próprio Dom Lourenço certamente aplaudiria!

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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