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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Expondo a insensatez de Verissimo em uma única imagem

A nossa esquerda é previsível. Um maluco resolve matar dois ex-colegas de trabalho e filmar o feito para expor na internet. Por acaso, dessa vez o maluco era parte das “minorias”. Na verdade, em dose dupla: era gay e negro. O que faz a esquerda diante desse “bug”? Ataca os Estados Unidos, a facilidade de se comprar uma arma no país, e deixa de lado as características do assassino, o que jamais faria se fosse o contrário, se o negro gay fosse a vítima e o assassino um branco.

O blogueiro de cinema fez isso, e agora seu guru, Verissimo, fez o mesmo na coluna de hoje. É tudo muito previsível. Reparem que Verissimo não cita em momento algum que o assassino era negro e gay, e que cometeu seu crime por questões raciais, segundo o próprio. Não: Verissimo prefere citar que ele fora inspirado pela religião e pela internet, para culpar por tabela o capitalismo. E depois parte para o que lhe interessa, que é fazer campanha de desarmamento de inocentes:

Como acontece depois de todos os atentados a bala nos Estados Unidos, volta à discussão o controle do comércio de armas no país, onde qualquer maluco pode entrar numa loja e comprar uma bazuca. E, como também sempre acontece, o poderoso lobby da bala derrotará qualquer iniciativa nesse sentido. Em alguns estados americanos há regulamentos para a venda de armas. Pedem atestados de que você não é maluco nem sairá da loja já atirando em transeuntes, ou estabelecem um período de franquia em que investigam seu passado para saber se você usará sua metralhadora com responsabilidade. Mas, mesmo nos estados em que há regras para dificultar a venda de armas, há maneiras de contorná-las, como exposições da indústria bélica em que a venda é livre.

A National Rifle Association (NRA), cujo lobby é o mais atuante e rico de Washington, tem conseguido evitar que o Congresso americano aprove qualquer lei para tentar impedir as chacinas. Como na bancada da bala no Congresso brasileiro, mas em escala maior e mais insensata, o acúmulo de horrores como o da semana passada não emociona ninguém. A NRA tenta racionalizar sua posição com frases do tipo “armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”, ao que a resposta óbvia — que também não emociona ao ponto de acabarem com a insensatez — é “pessoas não matam pessoas, pessoas armadas matam pessoas”. Mas há poucas possibilidades de o bom senso finalmente derrotar a NRA. Talvez no próximo horror.

É claro que é mentira que qualquer um pode entrar numa loja e comprar uma bazuca. É também um fato ignorado por Verissimo que os estados com mais restrições à venda de armas não são os mais seguros; pelo contrário, são os mais perigosos. A obviedade de que pessoas armadas matam pessoas deixa de lado a questão de como essa arma foi obtida, e qual arma foi usada.

Pessoas armadas com armas obtidas ilegalmente matam pessoas, e as leis desarmamentistas nada podem fazer quanto a isso. Pessoas armadas com armas brancas matam pessoas, e ninguém, nem mesmo o Verissimo, vai propor lei para proibir a venda de facas. Logo, a insensatez está mesmo do lado dos que acreditam que marginais que já desobedecem as leis serão os alvos das novas leis que proíbem venda de armas. Elementar, meu caro Watson!

Mas o ponto central aqui nem era esse. Há um gráfico, que meu amigo Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil, mostrou-me que derruba de uma vez essa ladainha dos tarados pelo desarmamento dos civis inocentes, ou seja, daqueles que pretendem usar armas para legítima-defesa apenas:

homicidios

E agora, José? Diante deste fato, o que dirá o filho do grande escritor Érico? Melhor fugir do debate e ficar com o sensacionalismo, não é mesmo? Bene Barbosa comentou em sua página do Facebook:

O brutal assassinato – e algum não é? – da repórter Alison Parker, de 24 anos, e do cinegrafista, Adam Ward, de 27 anos, ambos do canal WDBJ-TV, nos EUA, trouxe à tona a velha discussão sobre a posse e o porte de armas naquele país, e por óbvio, tomou nossos noticiários, que prontamente disponibilizaram seus “especialistas” para culpar a arma e praticamente inocentar o facínora simplesmente pelo mesmo ser negro e gay e ter alegado, sem qualquer comprovação, ter sofrido preconceito.

Outro efeito imediato foi o afloramento do antiamericano bastante comum na terra do samba, carnaval e futebol. Dedo em riste, bradam que o EUA é um país de psicopatas, um país violento, que a sua paixão por armas os levaram a isso, que deveriam servir de exemplo de como não deve ser uma sociedade. Se fôssemos nos deixar levar por esses comentários chegaríamos à imediata conclusão que bom mesmo é o Brasil com seus mais de 50 mil homicídios anuais, não é mesmo?

Na verdade é que há para grande parte das pessoas um profundo desconhecimento geral sobre a questão da criminalidade nos EUA por pessoas que tomam manchetes que beiram o sensacionalismo como verdades absolutas e, portanto, é imprescindível desmistificar esse assunto com dados e não com apelos emocionais. E convenhamos, esse é o verdadeiro problema daqueles que advogam contra as armas pois seus apelos emotivos, muitas vezes coléricos e biliares, não resistem a nenhuma análise mais aprofundada.

Nas décadas de 60 e 70 os americanos experimentaram um grande crescimento no número de assassinatos que chegou em 1975 ao patamar 9,7 homicídios por 100 mil habitantes. As políticas estaduais para conter a onda de homicídios foram bastante claras e se resumiram à tolerância zero aos crimes e liberação ainda maior ao direito de possuir e portar armas. O resultado em três décadas foi a redução dos homicídios à níveis comparados à década de 40 e continuam caindo ano após ano.

E o Brasil? Também na década de 70/80 começou a experimentar um significativo aumento da criminalidade violenta e adotou de forma nacional a fórmula progressista de que cadeia não resolve, que crime um problema socioeconômico (desigualdade) e que deveria haver forte restrição ao porte e a posse de armas. O resultado dessa política desastrada é que saímos de uma taxa de 11 homicídios por 100 mil habitantes para o inaceitável patamar de quase 30 homicídios por 100 mil habitantes. E tem gente que tem a cara de pau de afirmar que o Estatuto do Desarmamento salvou sei lá quantas mil vidas.

São dados oficiais, são fatos, é lógica teórica, tudo junto, e tudo deliberadamente ignorado pela nossa esquerda, que só pensa em destilar seu ódio aos Estados Unidos, ao capitalismo, insistir na narrativa de “minorias como vítimas dos brancos malvados” e persistir com essa obsessão por tirar as armas das pessoas inocentes. Posso atestar uma coisa ao leitor: saio às ruas e durmo em casa muito mais tranquilo na Flórida, onde é mais fácil obter uma arma legal, do que fazia no Rio de Janeiro, onde os desarmamentistas predominaram. Mas quem liga para a realidade quando o objetivo é disseminar mentiras?

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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