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Rodrigo Constantino

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Fachin “queima nossa língua” e faz o certo – entre outras boas notícias

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Por Lucas Berlanza, publicado no Instituto Liberal

Quando o ministro do STF, Luiz Edson Fachin, com notórias ligações com o petismo, resolveu se intrometer no rito processual do impeachment em andamento na Câmara, nosso sinal amarelo imediatamente acendeu. Aceitando uma solicitação do PCdoB, ele havia levado ao Supremo as deliberações a respeito e veio ao encontro das aspirações do governista Renan Calheiros, presidente do Senado, que desejava o poder de arquivar arbitrariamente o pedido. Parecia que seria assim. No entanto, hoje, na sessão que definiria o assunto, Fachin leu um voto de duas horas em que dizia exatamente tudo ao contrário do que se esperava, referendando praticamente todo o procedimento dos deputados. Foi uma entre várias boas notícias que tiveram lugar neste 16 de dezembro.

Ainda sobre Fachin, a votação não terminou, e os outros 10 ministros ainda se manifestarão. É improvável, porém, que triunfe uma posição oposta. Fachin admitiu que se fizesse essa discussão. Fachin era o menos confiável dos ministros, pelo seu histórico, pela resistência que sofreu por parte das oposições – de nossa parte, também -, apoiado, entretanto, pelo tucano Álvaro Dias. Admito: o voto de Fachin queimou nossa língua. Não vou entrar aqui em especulações sobre os motivos que o levaram a isso. Parece ter havido uma mudança clara de tom. No entanto, os fatos são os fatos; a oposição obteve uma vitória notável com esse voto inesperado. No mesmo dia, Renan Calheiros – que tem, segundo O Globo, três de seus assessores diretamente investigados pela Lava Jato – recebeu um pito de Michel Temer, após a derrota da manobra que tentava recolocar o também governista Picciani na liderança do PMDB na Câmara com a filiação de deputados de outros partidos. Renan disse que o partido “não tem dono”, em sub-reptícia crítica ao vice-presidente da República, e a resposta, publicada por Jorge Bastos Moreno, diz que a sigla também não tem “coronéis”. Houve ainda, segundo a Época, uma sinalização para o recesso parlamentar, tudo que os petistas não queriam; sua intenção era resolver rápido o processo de impedimento presidencial, evitando um incremento da participação popular.

Tudo isso aconteceu no dia seguinte à Catilinárias, a fase da Lava Jato em que figuras ligadas ao PMDB e a Eduardo Cunha foram alvo de mandados de busca e apreensão. Muitos leram a atitude como uma intimidação a Cunha e ao oposicionismo do partido, cada vez mais forte dentro da legenda, sucedendo uma estranha viagem do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Curitiba. A imprensa, em mais uma demonstração do espetáculo vergonhoso que vem desempenhando, deu total destaque a isso, menosprezando a confissão voluntária do pecuarista Bumlai, amigo de Lula, de que realmente o empréstimo ilegal que tomou do Banco Schahin foi direcionado ao PT. Isso conecta o petrolão ao mensalão, através da denúncia de Marcos Valério quanto à negociata envolvendo Lula, Bumlai, Schahin e Petrobrás para pagar Ronan Maria Pinto, o chantagista que atormentava a cúpula lulopetista com informações sobre a morte de Celso Daniel, conforme registra O Antagonista. Estará a operação que revolve a imundície nacional próxima de fazer justiça ao falecido prefeito de Santo André e ao próprio Valério, que “paga” praticamente sozinho pelos malfeitos da estrela vermelha? Este último, segundo O Globo, será convocado pela Lava Jato para abrir a boca sobre o caso mais uma vez!

Seja o que for que aconteça, qualquer tentativa de intimidação ao PMDB só o deixa mais hostil, o que fatalmente sepultará o governo Dilma Rousseff. Governo que afundou hoje mais um pouco, também, com o rebaixamento da nota de investimento do Brasil por outra grande agência de classificação, a Fitch; péssima notícia para o país, mas, por outro lado, também “ótima”, porque péssima para o governo Dilma, e o que ajudar a derrubar Dilma ajuda a trazer esperanças para o Brasil. Não somos adeptos do quanto pior, melhor, como diriam os petistas, mas o fato é que o que é desastroso pode ficar ainda mais terrível, e estamos convencidos de que nada será pior do que a continuidade do governo.

No mesmo dia, o Superior Tribunal de Justiça determinou a continuidade da prisão do poderoso Marcelo Odebrecht. Para quem já cansou, tem mais: a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Acrônimo, apurando “suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de sobrepreço e inexecução de contratos com o governo federal desde 2005”, segundo o G1, recursos desviados que teriam alimentado campanhas eleitorais, “entre elas a do governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel. Para não dizerem que só falamos de um partido, também foi condenado, em primeira instância, o ex-senador tucano Eduardo Azeredo, acusado de conceber um esquema de corrupção na campanha eleitoral para sua reeleição ao governo de Minas Gerais nos anos 90. Por mais criminoso, nada que se compare à dimensão do que está sendo averiguado hoje, sob o tacão lulista.

Entre tantas notícias que demonstram alguma vitalidade da nossa polícia federal e dos órgãos de investigação e julgamento, bem como sinais positivos em direção ao impeachment, tivemos também as manifestações “populares” a favor de Dilma, isto é, a favor da corrupção endêmica, da brincadeira de mau gosto com o dinheiro do pagador de impostos, do descumprimento da Constituição, da barganha fétida para sustentar um projeto de poder, do sucateamento de um país. Manifestações vexatórias e de dimensões risíveis orquestradas pelos movimentos sindicais e pela CUT, mas infladas pela imprensa, com a TV Globo interrompendo a programação para exibi-las ao vivo e a Folha de São Paulo selecionando ângulos justinhos para fazer parecer que foram monumentais.

Na quarta-feira de investigações, surpresas no STF, reviravoltas e golpes duros no governismo dilmista, além de manifestações fracassadas – estas sim, e um fracasso anunciado -, a maior infelicidade ficou mesmo por conta da mídia nacional. Um dia, a história registrará o comportamento dos nossos jornalistas e chefões da imprensa, e mostrará como foram coniventes com o governo mais abjeto e devastador de esperanças que já tivemos em nossa história de combalida democracia.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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