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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Família “liberal” ficou feliz quando ele se assumiu gay, mas quando se declarou eleitor de Trump…

Adam Paul Levine garantiu não ser um predador sexual. Disse ser algo bem pior: um defensor de Donald Trump. Em um artigo publicado no The Federalist, Levine explicou que seu apoio ao republicano foi tomado como uma ofensa tão grave em seus círculos que ele acabou sendo vítima de ostracismo.

“Eu perdi vários amigos nas redes sociais e fui detonado pelos que ousaram permanecer”, disse. “E eu fui excluído de eventos sociais quando o restante da minha família era convidado”, desabafou.

Ele nem sempre foi de direita. Na verdade, foi criado numa família de judeus “progressistas” em Washington D.C., e seu pai trabalhou para o Partido Democrata em Los Angeles. Ele confessa ter sido doutrinado dentro dos valores do politicamente correto.

Quando ele tinha 20 anos, resolveu “sair do armário” e se assumiu gay. Segundo Levine, sua família ficou “feliz da vida” com essa decisão. O problema mesmo foi quando resolveu sair de outro armário, e se assumir republicano. Diz ele:

Sempre foi um dado que os republicanos eram pessoas ruins, representativas daquele vergonhoso fragmento de nossa sociedade defeituosa que valoriza o dinheiro acima do planeta e pensa que o mundo seria melhor se todos fossem homens heterossexuais e brancos. No mínimo, são racistas, misóginos e homofóbicos. Deixados por conta própria, eles excluirão as minorias étnicas de tudo, espancarão os descendentes homossexuais pecaminosos nas ruas e pavimentarão nossos parques com petróleo.

Claro, há os republicanos menos maliciosos, os que foram vítimas de suas famílias adoradoras de armas e da Bíblia, e infelizmente não sabem nada melhor do que lhes foi dito. Este tipo não é inteiramente culpado por sua ignorância; Eles merecem nossa pena. Essas verdades são consideradas pela minha família e nossas redes sociais e políticas como sendo auto-evidentes.

Ao crescer, essa agenda “liberal” se tornou mais problemática para ele. Levine começou a levantar certas questões incômodas, e encontrou resistência do outro lado. Não porque suas preocupações eram inapropriadas, mas sim que ele não deveria estar questionando, e ponto final. A essa altura ele se deu conta de que tinha poucos amigos com quem poderia ter boas discussões políticas. Ele escreveu:

Se os republicanos são maus, Trump é nada menos do que Satanás encarnado. Os encontros familiares pós-eleições foram transformados em grupo de ataque a Trump, que se intensificou à medida que mais rumores de minhas duvidosas visões atravessavam a cidade. Eu nem me dava ao trabalho de ir em paradas de orgulho gay porque estavam misturadas com uma marcha de resistência. Se você não quiser o impeachment de nosso presidente, você não tem lugar na vida gay.

Eu fui rotulado como um supremacista branco por um amigo que conheci minha vida inteira, e completamente abandonado sem explicação por outro amigo querido e autoproclamado gigante do movimento de direitos civis gay a quem meu pai me apresentou há 15 anos.

Haja tolerância! Haja diversidade! Levine, que é um pequeno empreendedor, diz que as platitudes “liberais” não ajudam muito na hora de tocar seu negócio e impedir o assalto regular da burocracia estatal. Como um homossexual adolescente enrustido, ele começou a explorar de forma “clandestina” o universo conservador, a ver a Fox News, e de forma surpreendente ele se viu mais concordando do que discordando.

A gota d’água foi quando estourou o escândalo de abuso sexual de Harvey Weinstein, poderoso produtor de Hollywood e grande financiador dos democratas. Levine percebeu como a mídia mainstream agia para ocultar seus elos de décadas com o Partido Democrata, o mesmo autoproclamado defensor dos direitos das mulheres. Era hipocrisia demais para seu gosto. Diante da podridão democrata, ele resolveu abandonar o barco de vez.

Não tenho dúvidas de que muitos conservadores enrustidos passam pelas mesmas angústias, ainda mais se criados em meios “liberais”, “progressistas”. Guardadas as devidas proporções, podemos apenas imaginar o desespero de um jovem de direita numa família do Projaquistão, tremendo de medo de assumir que talvez vote em Bolsonaro este ano…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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