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Rodrigo Constantino

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FHC quer candidato que acene com discurso ao centro, mas sem abrir mão do esquerdismo

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FOTO DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Em entrevista publicada hoje no Estadão, o ex-presidente FHC disse que o Brasil precisa de um candidato que consiga transmitir uma mensagem ao centro, aglutinando pessoas que pensam diferente. Mas, conhecendo a cabeça de FHC, seu claro viés esquerdista, isso pode ser traduzido como uma tática apenas para vencer eleições, mas não efetivamente governar para o centro mais moderado e conservador.

É a análise feita por Nivaldo Cordeiro, que usa a palavra “engambelar”. Para Nivaldo, FHC e a esquerda tucana em geral se acostumaram a ter esse centro sempre como refém, pois a ameaça vinha da extrema-esquerda. Mas os tempos mudaram, há as redes sociais e menos desinformação, e o centro exige alguém que não faça apenas discursos e depois traia o povo, mas que realmente abandone o esquerdismo uma vez no poder:

FHC jamais será levado a sério pelo centro ou pelos conservadores enquanto continuar considerando Bolsonaro uma ameaça maior do que Lula. O sociólogo marxista sempre encontra palavras elogiosas para descrever o metalúrgico socialista, seu companheiro de caminhada ideológica. Mas quem acha Bolsonaro um risco maior do que Lula, mesmo depois de tudo que já se sabe, não pode ter a pretensão de falar ao centro. Eis o que FHC diz:

O Lula mesmo se declarou uma metamorfose ambulante. Ele é extremamente sensível aos estímulos do momento. Sabe se posicionar definindo o inimigo. Esse inimigo varia, de acordo com o momento. O que ele tem não é demagogia no sentido banal, mas a capacidade de explicar. É muito importante em uma sociedade de massa que o líder fale. A sociedade nem sempre quer ouvir, mas agora está aberta porque está perplexa. É preciso que alguém toque nas cordas sensíveis à população. O Lula toca de ouvido. O candidato sem capacidade de expressão tem dificuldade de se firmar, ainda que esteja certo. Eu não conheço o Bolsonaro. Ele era deputado no meu tempo e não tinha uma expressão maior. Queria me fuzilar, mas nunca dei atenção. Não sei o que ele pensa sobre qualquer tema. Não sei se ele é capaz de expressar o que pensa sobre qualquer tema. Às vezes a pessoa, mesmo sem ter a capacidade de expressar, simboliza. 

Sim, Bolsonaro “simboliza” a revolta da população com a classe política dominante, com a esquerda hegemônica, com a degradação de valores promovida pelos “progressistas”. Os mesmos que FHC defende! Bolsonaro “simboliza” o cansaço do eleitor com quem sequer tem a coragem de admitir que Lula é um bandido, um demagogo da pior espécie, um marginal que tentou transformar o Brasil numa Venezuela – e quase conseguiu, não fosse o “golpe”.

FHC quer os votos do centro mais conservador, mas sem abrir mão de seu “progressismo” de esquerda. E isso, como alerta Nivaldo Cordeiro, não vai colar mais. Bolsonaro pode não ser o nome ideal dessa parcela da população, mas tampouco algum tucano o é. Os tucanos contaram com o vácuo à direita por décadas, tanto que eram “acusados” de direita pela extrema-esquerda.

Mas agora há finalmente uma “onda conservadora” no país, a mesma que apavora o próprio FHC, mais preocupado com ela do que com o retorno do PT ao poder, para finalizar seu projeto venezuelano. E é isso, essa falta de bom senso, esse viés esquerdista, que o eleitor não aguenta mais. Para levar os votos do centro, será preciso virar centro de fato, ou seja, abandonar o vício “progressista”. Os tucanos estão preparados para tal “sacrifício”?

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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