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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Foco deveria ser na pobreza, não na desigualdade, e solidariedade deve ser sempre voluntária

Fonte: Gazeta do Povo

Fonte: Gazeta do Povo

É fácil identificar um esquerdista: ele foca na desigualdade entre ricos e pobres, não no nível de pobreza em si, e prega sempre o estado como instrumento de “solidariedade” para combater esse “mal”. Ou seja, a esquerda gosta de jogar pobres contra ricos, adotando uma visão de economia como jogo de soma zero, em que João, para ficar rico, precisa tirar de Pedro. Mas está tudo errado!

Infelizmente, até aquilo que é chamado de “direita” no Brasil, pelos ignorantes, endossa esse tipo de mentalidade. É o caso do PSDB social-democrata, principalmente da velha guarda dos caciques tucanos. Aécio Neves, em sua coluna de hoje, resolveu dar trela para o relatório da Oxfam sobre desigualdade, um claro engodo, e apelou para uma imagem um tanto sensacionalista da concentração de riqueza: os ricaços caberiam num carrinho de golfe! Diz Aécio:

A desigualdade social teve uma contundente síntese na semana que passou com números da Oxfam, organização com atuação em 94 países. Apenas oito bilionários possuem a mesma riqueza que as 3,6 bilhões de pessoas mais pobres do mundo. São tão poucos que caberiam num carrinho de golfe, como destaca a imagem usada na divulgação do dado, escolhida para ilustrar a contradição e torná-la ainda mais concreta.

Não há como combater a brutalidade desse mundo desigual sem crescimento econômico sustentável. Políticas públicas pontuais podem aliviar o quadro, mas não bastam para que um país dê o salto necessário para mudar verdadeiramente de patamar.

É a situação do Brasil, por exemplo, com os programas sociais de transferência de renda. Iniciados no governo Fernando Henrique, tiveram continuidade nas gestões seguintes e resultaram em evidente melhoria das condições de vida da população mais pobre.

Entretanto, esses benefícios estão sendo corroídos por uma recessão implacável. A falta de visão de longo prazo dos governos petistas custa caro aos brasileiros. A submissão ao interesse da reeleição empurrou inúmeras famílias de volta à miséria e à pobreza. Com ajuste fiscal, reformas e muito sacrifício, o país faz um esforço gigantesco para se reerguer, em meio aos escombros recebidos como herança. Sem mudanças estruturais, contudo, há pouco o que fazer.

Aécio até toca nos pontos certos, como as reformas estruturais, mas elogia os programas de transferência de renda, que na prática criaram basicamente dependência estatal e até voto de cabresto (como no caso do Bolsa Família), e peca por aderir ao discurso esquerdista da desigualdade, em vez de falar de enriquecimento geral da sociedade, com uns sempre avançando mais do que os outros, como é de se esperar com seres humanos diferentes.

O editorial da Gazeta do Povo já foi numa linha bem melhor e mais liberal, apontando as falhas do “estudo” e também reforçando a ideia de que essa transferência de renda, que não resolve o problema da miséria, deve ser sempre voluntária, ou seja, um ato de altruísmo e filantropia dos mais ricos, não do estado:

A metodologia usada pela Oxfam já foi questionada por diversos ângulos: entre outros problemas, ela desconsideraria a riqueza informal, não declarada (como imóveis sem registro); e criaria distorções ao usar como definição de riqueza um conceito de “patrimônio menos dívidas”, o que colocaria entre os mais pobres qualquer um, ainda que de classe média ou alta, com financiamentos que superem sua renda ou patrimônio. Quando da publicação da versão 2016 desse mesmo estudo, a revista The Economist lembrou que, globalmente, a desigualdade vem caindo – a preocupação deveria ser com os países onde ela cresce.

[…]

“Desigualdade”, em si, é um conceito escorregadio. Para usar um exemplo extremo, países onde todos são miseráveis são menos desiguais que países prósperos, mas onde há ricos e pobres. Nem por isso deveríamos ver aqueles como um ideal a ser buscado – por mais que os socialistas se esforcem nesse sentido, criando miséria generalizada (exceto para os burocratas da elite dirigente) por onde passam. Isso nos leva a refletir se é prioritário combater a desigualdade ou a pobreza – essa escolha é que balizará quais políticas públicas um país colocará em prática.

Uma reação comum ao estudo da Oxfam é considerar imoral que existam Zuckerbergs e Bloombergs enquanto há milhões de miseráveis. Mas a verdadeira imoralidade é a mera existência de milhões de miseráveis – independentemente da existência de bilionários – e é no combate à pobreza que sociedade e poder público deveriam se engajar com mais força, inclusive com a participação dos mais ricos. A obrigação moral de que os membros mais prósperos de uma sociedade trabalhem para aliviar o sofrimento dos pobres é um preceito milenar, mas que infelizmente se perdeu nos últimos tempos – não sem culpa daqueles governantes que se dispuseram a tomar para si todo o trabalho de assistência social, amortecendo as consciências e levando o cidadão a pensar que os pobres são problema do Estado, e é para o Estado ajudá-los que se paga impostos.

[…]

Tolher, em nome do combate à desigualdade, essa criação de riqueza só porque ela fará alguns poucos milionários é mirar no problema errado e perpetuar o problema. Já numa sociedade que realmente priorize a luta contra a pobreza, elimine a miséria e dê condições para que todos possam prosperar, pouco importará o número dos muito ricos.

Aplausos! É raro ver um jornal brasileiro defendendo de forma tão clara e direta os valores liberais, aqueles que supostamente o PSDB “de direita” deveria defender.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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