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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Ibovespa encosta nos 75 mil pontos e precifica vitória de reformista em 2018

A inflação despencou, a atividade econômica parou de desabar e se estabilizou, a taxa de juros continua caindo e o Ibovespa, índice de ações das principais empresas brasileiras, encosta nos 75 mil pontos: quem está com saudades do PT? Quem quer retomar o curso de destruição total do país? Quem inveja a Venezuela?

Ibovespa em reais sem descontar a inflação. Fonte: Bloomberg

Alguns analistas, é verdade, desconfiam de que há muito otimismo embutido nos preços de nossas ações. Olham para os imensos desafios à frente e não entendem tanta calmaria, se temos um déficit de quase R$ 200 bilhões, primário!

Sem as reformas estruturais eles sabem que o Brasil não vai sobreviver, não consegue atravessar o pântano atual. Só podem estar apostando, então, nas reformas, parte tendo início no próprio governo Temer, e parte (a maior) a partir de 2018.

Ou seja, eis o que parece estar precificado no índice: que o pior já passou para Temer, que as flechas petistas de Janot falharam de vez, e que em 2018 vence algum candidato de centro-direita, reformista, falando em privatização, em corte de gastos, em mudanças na previdência. Um Dória, talvez?

Há alguns argumentos para quem gosta de enxergar o copo meio cheio. Se ajustado para valores reais em vez de nominais, ou seja, descontando a inflação no período, o Ibovespa ainda estaria distante do pico, e teria que passar dos 100 mil pontos apenas para valer o mesmo que já valeu no passado, sem ilusão monetária.

EWZ, “spider” do Ibovespa em dólares. Fonte: Bloomberg

Outro ponto é que em dólares ele também está distante do topo. Além disso, os mercados globais também estão calmos e o S&P 500, principal índice de ações americanas, sobe de forma sistemática e está no “all time high” (sim, parece que a vitória de Trump não foi aquele caos previsto pelos mesmos incapazes de prever sua vitória).

S&P 500 subindo sem parar. A vitória de Trump não foi uma catástrofe. Fonte: Bloomberg

Os países desenvolvidos continuam presos na armadilha dos juros baixos, com seus estímulos monetários para impedir uma depressão em economias bastante endividadas. Como vão sair dessa ninguém sabe. Os economistas austríacos julgam a situação insustentável, mas pode ser uma saída à moda japonesa, e a taxa de juros seguir quase nula por muito tempo, ajudando a inflar ativos ao redor do mundo.

É a abundância de liquidez que costuma produzir bolhas especulativas, pois, no afã de encher o piscinão dos mercados desenvolvidos, o excesso de liquidez acaba respingando nos países emergentes. Basta não fazerem barbeiragens demais, sinalizar alguma responsabilidade, para atrair grande quantidade de recursos.

EWZ x SPX: em relação ao mercado americano, o brasileiro ainda tem muito a recuperar. Fonte: Bloomberg

Em suma, o Brasil conseguiu se livrar do pior com o impeachment de Dilma, o governo Temer, por senso de sobrevivência, adotou uma pauta mais reformista que ao menos estancou a nossa sangria, e os investidores estão apostando na continuidade dessa agenda de reformas, com viés mais liberal. Tudo isso num cenário internacional de calmaria e liquidez ainda abundante.

SE – e é um grande SE – tais condições permanecerem e um candidato mais de centro realmente vencer em 2018, num país dominado há décadas pela esquerda perdulária, então o Ibovespa poderá seguir seu rumo de alta, com a valorização de nossas empresas sinalizando a retomada do crescimento e dos empregos.

Mas se o povo brasileiro voltar a flertar com embusteiros intervencionistas, que pregam um estado empresário e paternalista, além de locomotiva do progresso, e ridicularizam as preocupações “neoliberais” com o déficit fiscal, então tudo isso será desfeito como num castelo de cartas, o dólar voltará a disparar para cima de R$ 4, a inflação subirá puxando junto a taxa de juros, e o desemprego terá recordes novamente.

O resumo é claro: para seguir melhorando, dentro das limitações de um país ainda muito distante da mentalidade liberal, é preciso escolher um candidato reformista em 2018 e aprovar algumas reformas básicas de cunho mais liberalizante. A alternativa é descer novamente a ladeira rumo ao pântano infernal que o PT deixou o Brasil.

PS: O foco desse texto foi totalmente econômico, mas claro que há muito mais em jogo, como nossos valores morais destruídos pela esquerda “progressista” e a questão fundamental da segurança, temas relevantes para a eleição de 2018. Além disso, um país que tem Marcelo Odebrecht e os irmãos Joesley e Wesley Batista presos, e Lula como réu condenado, é um país diferente daquele que minha geração se acostumou, o que também alimenta alguma esperança num futuro melhor, com menos impunidade aos poderosos.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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