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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Netflix: Orange is the new… RED!

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Por Bourdin Burke, publicado pelo Instituto Liberal

O seriado da Netflix, ambientando em uma prisão feminina americana, intitulado “Orange is the New Black”, é capaz de garantir algumas boas risadas e até mesmos momentos tocantes. Recomendo. Mas advirto quem for assistir: fiquem atentos, nem que seja por curiosidade mórbida, às inserções de caráter puramente marxista reproduzidas a cada sequência de cenas da série. Será um exercício, no mínimo, interessante, e, na melhor das hipóteses, tal precaução poderá poupar o leitor de uma lavagem cerebral anticapitalista indireta e indesejada. Na verdade, praticamente toda a agenda da Esquerda faz-se notar no transcurso da história – a surrada luta de classes personificada em feminismo, racismo, “ecochatismo” e diversos outros “ismos”. Cautela, caldo de galinha e precaver-se contra a propaganda vermelha não fazem mal a ninguém – e ajudam a evitar que você se flagre, eventualmente, com uma bandeira do PSOL na mão.

Começo destacando o sentimento predominante desde o início da história: todas as encarceradas são apenas pessoas que foram vítimas da sociedade, ao mesmo estilo do filme “Carandiru”. Flashbacks são cuidadosamente enredados para transmitir a sensação de que, fosse a nossa sociedade mais “justa” e “igualitária”, nenhuma das detentas teria cometido crime – nem mesmo homicídios triplamente qualificados. Ao final de cada episódio, o espectador sente vontade de ir pessoalmente até a penitenciaria de Litchfield e pedir desculpas de joelhos por ter contribuído com todo esse processo cruel que terminou enjaulando as pobres meninas. Claro que, no caminho, talvez fosse aconselhável passar em algum bairro pobre da região e congratular sua imensa maioria de moradores despossuídos que buscam, diariamente, obter seu sustento com o trabalho honesto sem entrar para o mundo do crime. Afinal, vai que eles ficam ofendidos (com toda razão) por ter-se aumentado o coro dos preconceituosos, né?

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As críticas ao modelo de concessão de da administração de presídios adotado nos Estados Unidos também não passam despercebidas. A qualidade de vida das prisioneiras – que mais parecem estar em uma colônia de férias, caso comparemos com a situação dos presídios estatais brasileiros – só faz piorar à medida que os capítulos avançam, e a culpa, claro, reside na busca incessante da concessionária por maiores margens de lucro, menosprezando, para tal, a condição humana das detentas. Quem sabe algumas cabeças rolandonos USA, tal qual ocorre frequentemente no Brasil, não poderiam deixar mais claro que o Estado não deve ocupar-se mesmo desta atividade, mas tão somente do “processar e julgar” (Judiciário)? A prática tem demonstrado que é bem melhor ser tratado como um número em uma planilha por uma empresa privada, do que como um bicho pelo Governo – com a devida vênia de que animal nenhum merece tratamento semelhante ao destinado aos presos brasileiros. Pode não vir a ser o melhor dos mundos, haja vista que rebeliões e motins também fazem parte da rotina de presídios privados, mas sem dúvida trata-se do melhor mundo possível – para os cidadãos que estão do lado de fora, principalmente.

Aliás, essa ojeriza ao capital manifesta-se de forma escancarada em outras passagens, sempre dando conta de que o “vil metal” é a fonte de todas as mazelas da humanidade. Mas eis que o próprio roteirista prega uma peça em si mesmo: como nem mesmo os rumos da ficção têm como fugir do fato de que toda e qualquer pessoa que realiza trocas voluntárias é, por definição, um capitalista, o comércio por escambo corre solto atrás das grades, podendo assegurar condições mais dignas (ou uma carreirinha extra de pó) àquelas que podem bancar. E quais delas conseguem lograr tal privilégio? Sim, aquelas que geram valor para as demais, trabalhando dentro do próprio presídio (tal qual ocorre nas penitenciárias industriais de Guarapuava/PR e do Cariri/CE, onde os presos laboram na confecção de joias, bolas de futebol e em marcenaria, sendo que cada três dias de trabalho equivalem a uma redução da pena em um dia), em atividades como cozinha ou bibliotecária, ou ainda prestando serviços autônomos como de manicure, por exemplo.

Chama a atenção que até mesmo uma cadeia inteira de produção é gerada quando uma boa ideia encontra os meios necessários para gerar riqueza. Trata-se de um businees meio bizarro, que não vou detalhar aqui, mas que não causa prejuízos a terceiros e que melhorou a situação de muitas personagens, e, inclusive, cresceu o olho de outras. E como lá dentro não há Estado interventor para gerar cartéis e monopólios artificiais, fazendo surgir, por meio de regulações, os “campeões nacionais” e quebrando empreendedores que não são “amigos do Rei”, surge até mesmo concorrência no negócio. Não tem jeito, Netflix: se o dinheiro não existisse, teria que ser inventado. Não percamos de vista que, dentro de presídios, cigarros costumam ser utilizados como moeda, na falta de dinheiro em papel, já que eles possuem valor intrínseco, são divisíveis em pequenas quantidades e apresentam alta durabilidade, tornando-os, destarte, muito úteis na realização de trocas.

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A Netflix, por sinal, costuma ser atacada mundo afora justamente por empresários do ramo de TV a cabo (operadoras de telecomunicações que costumam cobrar o dobro para prestar o mesmo serviço) que visam unicamente manter seus privilégios no mercado, os quais buscam impedir, por meio de conchavos com legisladores e demais políticos, que o serviço de streaming leve televisão paga a milhões de brasileiros a um preço justo. Ela deveria, portanto, ser a primeira a defender menos Estado e mais livre mercado. Mas sabem como é: falar mal do capitalismo costuma dar muito dinheiro – e audiência. Então deixe quieto.

Uma das executivas da concessionária que administra Litchfield é caracterizada como a própria personificação do demônio “neoliberal”. Ganância, indiferença, frieza, maldade, nada parece ser suficiente quando se trata de desconstruir a imagem do personagem que representa o espírito da administração financeira da prisão. Ela gosta, inclusive, de andar com uma arma na bolsa, já que ela não seria uma Republicana completa sem ser a favor do direito do cidadão (especialmente de uma mulher) defender sua própria vida. Ou seja, a esquerda faz um seriado inteiro voltado, especialmente, para o “empoderamento” feminino, mas faz questão de deixar claro que, se você for uma “fascista”, terá seu nome jogado dentro da máquina de moer reputações sem pena nem dó.

Até aqui, fiz o possível para falar de forma genérica, evitando, na medida do possível, os desagradáveis spoilers. Mas agora, admito, tangenciarei perigosamente esse limiar, de forma que quem continuar lendo segue por sua conta e risco. Mas eu digo que vale a pena avançar.

Dentro da penitenciária de Litchfield são formados vários grupos de etnias. A segregação não é nem um pouco velada, de tal modo que latinas, negras e até mesmo idosas reúnem-se em grupos e, não raro, ocorrem enfrentamentos entre essas gangues, na disputa por interesses comuns. Até a 4º temporada, tudo parecia ser tratado como algo natural dentro de uma cadeia, onde as pessoas precisam de proteção, e costumam encontra-la em seus “guetos”. Mas eis que Jenji Kohan não decepciona a turma Marxista: quando mulheres brancas resolvem se unir em prol de um suposto “orgulho branco”, ao que são, de imediato, associadas? Podem chutar alto, viu. Sim, ao NAZISMO!

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É um engano comum considerar o nacional-socialismo uma simples revolta contra a razão, um movimento irracional sem antecedentes intelectuais. Se assim fosse, constituiria um perigo bem menor. Nada mais longe da verdade, porém, ou mais ilusório. As doutrinas do nacional-socialismo representam o ponto culminante de uma longa evolução de ideias, da qual participaram pensadores cuja influência se fez sentir muito além das fronteiras da Alemanha. Seja qual for nossa opinião sobre as premissas em que se basearam, não podemos negar que os criadores da nova doutrina eram escritores de peso, que deixaram a marca de suas ideias em todo o pensamento europeu. O sistema se desenvolveu com coerência implacável. Uma vez aceitas as suas premissas, não se pode fugir à sua lógica. Trata-se simplesmente do coletivismo libertado de todos os vestígios de uma tradição individualista que pudessem impedir-lhe a realização.

Obrigado, Friedrich Von Hayek. Eu sigo daqui.

Em seu clássico “O caminho da Servidão”, esse ícone da economia Austríaca (a qual refutou, uma a uma, todas as ideias de Karl Max, e previu com exatidão quando e porque o Comunismo cairia de podre) revela sua apreensão com o fortalecimento do Socialismo na Inglaterra, em 1944. Talvez ele tivesse ficado mais tranquilo se soubesse que, décadas depois, Margareth Thatcher salvaria o Reino Unido da ruína, mas ele não tinha como adivinhar. Enfim: no intuito de alertar que seu país caminhava no mesmo rumo que levou a Alemanha ao totalitarismo Nazista, ele acaba por demonstrar que tais sinais de perigo assemelhavam-se, e muito, ao Comunismo:

Foi estreita, desde o início, a relação entre o socialismo e o nacionalismo naquele país. É significativo que os mais ilustres precursores do nacional-socialismo – Fichte, Rodbertus e Lassalle – sejam reconhecidos, ao mesmo tempo, como fundadores do socialismo. Enquanto o socialismo teórico, em sua forma marxista, dirigia o movimento trabalhista alemão, o elemento autoritário e nacionalista recuou durante algum tempo para o segundo plano. Isso não durou muito, contudo. De 1914 em diante, das fileiras do socialismo marxista foram surgindo doutrinadores que arrebanharam para o nacional-socialismo, não os conservadores e os reacionários, mas os trabalhadores e a juventude idealista. Foi só a partir daí que a corrente nacional-socialista se projetou, transformando-se em pouco tempo na doutrina hitlerista. A histeria de guerra de 1914 que, por causa da derrota alemã, nunca se extinguiu por completo, é o ponto inicial dos desdobramentos mais recentes que produziram o nacional- socialismo, e foi em grande parte à colaboração dos socialistas da velha escola que se deveu a sua ascensão durante esse período.

Vale dizer: quando Hitler subiu ao poder, a estrada já estava pavimentada na Alemanha. A crença de que o indivíduo deveria anular-se em favor do coletivo já estava impregnada na população Germânica, e esta, por sua vez, não diferia em nada dos ideias comunistas que vitimaram dezenas de milhões de pessoas no século XX. Os Judeus representavam, naquela conjuntura, nada mais do que um grupo bem-sucedido na ordem social – tal qual a “elite branca” cantada em verso e prosa em palanques do Brasil, em tempos de eleição.

Quando se comete um crime, não basta dizer-se inocente: é necessário apontar o dedo para quem, supostamente, o teria cometido. E nisso a esquerda logrou êxito: conseguiu não apenas fazer o holocausto parecer o único crime cometido por regimes totalitários no século passado (ou mesmo o pior), como também eximiu-se de responsabilidade nele, e ainda jogou a culpa na Direita. Até mesmo a cara-de-pau deveria ter limites, e contar com a ignorância dos espectadores do seriado para perpetrar esse tipo de discriminação não é de bom tom.

Sim, o que o Netflix fez neste episódio foi racismo, puro e simples. Do tipo que estaria fervilhando debates em Globonews e CNNs da vida, pedindo a cabeça do diretor em um bandejão de presídio. Se, claro, os atingidos possuíssem a prerrogativa de se fazer de vítimas, vez por outra. Todavia, no entendimento do próprio diretor, facilmente constatado neste diálogo em que um dos interlocutores (uma mulher branca, claro) transborda preconceito racial, fica bem claro que não é esse o caso:orange4

Associar, de forma automática, grupos formados por pessoas brancas à Ku Klux Klan ou congêneres, só evidencia o duplo padrão da esquerda mesmo: bradam que são contra qualquer forma de preconceito, mas se ele não for direcionado às “minorias” oprimidas pelo capital, então está tudo certo!

Seguindo a linha de raciocínio proposta pelo seriado, não seria possível haver governos totalitários e sanguinários na África, na Ásia ou no Oriente Médio então, correto? Bom, não é o que nos conta a História. Ao menos, aquela que NÃO é ensinada a nossos jovens no ensino público. Assistir ao apresentador do noticiário nacional arregalar os olhos e franzir a testa para dar a notícia de que “desde o fim da 2º guerra mundial, pela primeira vez um país europeu pode ser governado pela extrema-direita” (no caso, a Áustria) é apenas constatar o “sucesso” desta disseminação ideológica.

Um bom exemplo a ser seguido por feministas que adoram esse seriado é o de Sara Winter: fundadora e líder do FEMEN no Brasil e um dos maiores símbolos do feminismo extremista dos tempos recentes, atualmente é mãe de um menino, escritora, palestrante e luta contra a inversão de valores na sociedade provocada por movimentos sociais de esquerda tais como, tais como Feminismo, Movimento Negro, Movimento LGBT, e é combatente ferrenha da ideologia de gênero. Ou seja, aprender o valor da família (como ela conta em seu livro) pode ser um santo remédio contra o marxismo cultural. E assistir seriados do Netflix com a guarda alta, é prática que contribui igualmente.

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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