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Rodrigo Constantino

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O conto da mulher alfa que não acredita no empoderamento feminino

Por Beatriz Tenuta, publicado pelo Instituto Liberal

“O lugar da mulher é onde ela quiser”, “mexeu com uma, mexeu com todas”, “mulheres empoderadas movem montanhas”, “meu corpo, minhas regras”. Frases cult de empoderamento feminino. Quem nunca ouviu uma?

Analisando friamente cada um destes famosos jargões feministas, devo admitir que – se fossem adaptados e deixassem de ser carregados por sentimentos segregacionistas e de ódio ao sexo masculino – eles fariam muito sentido para mim.

Tenho 33 anos e sou uma mulher independente. Arrisco dizer que sou bem independente desde a minha adolescência, pois os caminhos que a vida me traçou me ensinaram a pescar o peixe ao invés de aguardar que ele aparecesse no meu prato caridosamente.

Desde sempre, e mais notoriamente na minha vida adulta, alguns elogios de amigos e amigas sempre se destacaram por sua recorrência: “Bia, você é uma mulher batalhadora”. “Admiro muito a sua responsabilidade e disciplina”. “Você é uma guerreira”. “Você é uma verdadeira mulher alfa”. E muitos outros seguindo essa linha de pensamento.

Todos esses predicados eu ouvi com muita admiração por mim mesma e pela minha história. Pelas escolhas que fiz e pelas decisões que tomei. Pelos aprendizados após os erros e pela auto-compaixão que sentia mesmo quando eu não aprendia de primeira. Guardei com muito carinho todas as boas lições e aconselhamentos que recebi em minha vida – muitos vindos do meu irmão do meio – e segui a minha trajetória, sempre procurando empregar o melhor de mim no que eu fizesse.

Cresci profissionalmente e me destaquei academicamente. Conquistei uma vida singular – basicamente vindo da palavra single, que é solteira, em inglês – e aprendi a me virar muito bem dentro do meu apartamento. Aprendi a matar baratas (coisa que eu odeio fazer e se tiver algum amigo por perto, com certeza irei pedir a ele), a trocar lâmpadas e a consertar sozinha a válvula de descarga do vaso sanitário (viva o Youtube!). Carrego minhas compras extremamente pesadas no caminho a pé do supermercado até o meu prédio, me surpreendendo com a capacidade muscular que existe nesses meus 48 quilos. Busquei desenvolver a competência de levar o meu carro ao mecânico e não ser ludibriada por termos técnicos e procedimentos complexos (agradeço aos homens da minha vida por me ensinarem tudo o que eu sei nessa área). Soube buscar os mecanismos necessários para garantir segurança e praticidade na minha vida. E aprendi a cuidar do meu cantinho: cozinhar (que modéstia à parte eu faço bem), lavar, passar e até a faxinar a casa.

Tive relacionamentos bons e alguns que não fizeram o menor sentido – e que eu me questiono hoje como que eles aconteceram. E eu honestamente acredito que deva ser algo um tanto difícil se relacionar com uma mulher que não precisa de um homem para praticamente nada. Ainda mais uma que vem acompanhada por manias, opiniões fortes, preferências bem delimitadas e um senso muito bem definido de quem ela é e o que ela quer para a sua vida.

Quem olha a minha a história, e principalmente os perrengues que eu já passei e que superei com eficácia, tende sempre a me exaltar como uma mulher alfa. A mulher dominante que sabe o que quer. A mulher decidida. A mulher que não depende de um homem ao lado para ser feliz. A mulher que ultrapassa barreiras, constrói pontes e trilha caminhos tipicamente masculinos. A mulher empoderada.

Não, espera aí. Mulher empoderada?

Empoderar-se é o ato de tomar poder para si, correto? E para quem leu tudo o que eu escrevi aí em cima, irá concordar `que eu tenho total poder sobre a minha vida. Então, isso faz de mim uma mulher empoderada?

Todo o poder que eu adquiri sobre a minha vida foi resultado de pequenas quantidades de poder (e até de pequenos poderes que foram sabiamente retirados de mim) que me foram dados por aqueles seres que as feministas persistem em adjetivar como misóginos e totalitários – os homens.

Não tenho sombra de dúvidas de que se eu não tivesse encontrado as importantes figuras masculinas que encontrei – que me encorajaram, me ensinaram competências e habilidades que eu não aprenderia sozinha, que me desafiaram e que até me decepcionaram e que desta forma me fizeram crescer – eu não seria a mulher forte e determinada que eu sou hoje.

E, olhando em retrospectiva, a parcela de contribuição da chamada “sororidade” foi muito menor em relação ao que eu aprendi com meus amigos e ex-namorados. Tive poucas amigas que genuinamente desejaram o meu bem e que se dedicaram a me ajudar a trilhar um caminho de sucesso. E, nos diálogos feministas, o que mais ouvimos é que as mulheres deveriam se unir, principalmente contra os homens.

Neste falso senso de sororidade e no discurso de ódio contra o sexo masculino que reside a razão pela qual eu não acredito no empoderamento feminino. Acredito no empoderamento humano. Na capacidade que cada indivíduo tem de transformar sua vida em um case de sucesso. No poder que existe em cada um de nós, sejamos homens ou mulheres. Brancos, orientais ou negros. Heterossexuais, homossexuais ou transsexuais. Porque somos seres racionais e construímos poder pelas experiência que trocamos em sociedade – repito: entre homens e mulheres.

O culto do empoderamento feminino não constrói mulheres alfa. Não traz independência e muito menos ferramentas que ajudem a mulher a prosperar em sua vida. É um discurso pobre e que premia o sexo feminino com um par de muletas: ao invés de desenvolvermos mulheres, inserimos em suas mentes a ideia de que são subjugadas, desvalorizadas e menos capazes, porque precisam do movimento feminista para conseguirem subir um degrau na sociedade. Ou seja, ao invés de construírem o pensamento de equidade, o feminismo parte da afirmação de que a mulher é inferior. E eu realmente acho que nós merecemos e somos muito mais do que isso.

Precisamos ser mulheres alfa. E já estamos sendo. Nossa participação no trabalho formal cresce a cada ano e temos tido cada vez mais posições de destaque na mídia. Observe ao seu lado e você realizará que existem muito mais mulheres no seu meio social do que homens.

Mas, em nenhum momento, precisamos ignorar a participação que o sexo masculino representa sobre as nossas vidas ou hipervalorizar nossas qualidades ou a nossa importância. É neste momento que nos desligamos de qualquer sentimento humanitário e nos tornamos em essência aquilo que detestamos no machismo.

Ao invés da mulher empoderada, eu quero ser uma mulher cheia de poder. Poder de transformar a vida das pessoas que amo em algo melhor, poder de conquistar para mim meus objetivos e de realizar os meus sonhos, poder de ser melhor do que eu sou a cada dia. E poder de reconhecer que eu não sou o que eu sou se não fosse pelas pessoas que passaram (e passam) pela minha vida.

Eu desejo que cada uma de nós celebre em si a suas vitórias, mas não por conta de um pensamento de desigualdade social ou de minoria. Somos mais do que essa celebração segregacionista que insiste em “endeusar” o sexo feminino em troca do cumprimento de uma agenda marxista. Somos fortes e vencedoras. Não só hoje, como em todos os dias. Sejamos trabalhadoras formais ou donas de casa, cada uma de nós tem a sua história e as suas conquistas diárias. E o mais importante: não precisamos demonizar os homens ou rebaixar a participação masculina em nossas vidas.

Porque para construir poder não precisamos desconstruir ninguém.

Sobre a autora: Beatriz Tenuta é Mestre em Controladoria Empresarial na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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