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O que mais me irrita nas eleições americanas. Ou: Um dia o leão será de verdade, Joãozinho…
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Tenho vários artigos publicados aqui, na IstoÉ e na Gazeta do Povo sobre as eleições americanas, e minha opinião geral pode ser resumida de forma bem simples: ambos os candidatos são terríveis, os republicanos escolheram um dos piores nomes disponíveis nas primárias, entre tantos nomes bons, mas considero Trump o “mal menor” mesmo assim. Hillary Clinton precisa ser derrotada. No podcast de hoje aprofundo mais essa opinião.

Sei que ela vai ao encontro do que pensa meu amigo Alexandre Borges, um dos que mais entende de política americana no Brasil, sem dúvida muito mais do que os “especialistas” da grande imprensa. Em coluna publicada hoje na Gazeta, Borges mostra como há mais do que a empatia por um dos dois candidatos nesse pleito, e como a escolha errada – ou pior – poderá impactar o futuro da América e do mundo à frente.

Mas tem uma passagem no ótimo texto que gostaria de destacar aqui, e usar como tema central desse artigo. Trata-se basicamente da cobertura canalha que a mídia dá a todas as eleições, alimentada pelos próprios democratas “progressistas”. Trump pode ser um bufão narcisista e muitas coisas mais, só que uma coisa não pode passar despercebida pelo leitor: isso não importa! Qualquer outro republicano conservador seria alvo dos mesmos ataques. Trump apenas torna a tarefa mais fácil. Diz Borges:

Nas duas últimas eleições presidenciais americanas, o Partido Republicano indicou homens indiscutivelmente decentes e politicamente moderados para concorrer ao cargo: John McCain, em 2008, e Mitt Romney, em 2012. McCain, herói de guerra admirado por todos, e Mitt Romney, um ex-missionário e filantropo com uma das mais impressionantes carreiras empresariais e políticas da América, foram caracterizados como monstros insensíveis, seres humanos deploráveis e cujas eventuais vitórias causariam o fim do mundo. Depois de derrotados, voltaram a ser mostrados como homens respeitáveis e únicos que são.

Basta ler algum texto de Arnaldo Jabor, ícone da esquerda “progressista” brasileira, para perceber isso. Hoje ele está histérico com Trump, diz que se o candidato republicano vencer, o mundo acaba. Trump ter tantos milhões de votos seria prova de como os republicanos são alienados, uma cambada de imbecis ressentidos etc. Só tem um “pequeno” detalhe: Jabor – e os tantos outros similares (eles se parecem com o personagem Smith de “Matrix”), diria a mesma coisa mesmo que o candidato fosse um moderado Marco Rubio. Vejam o que ele fala de Bush…

A tática é podre, asquerosa até: durante a campanha, toda a munição é voltada contra o candidato republicano, que a imprensa “progressista” retrata invariavelmente como alguém “ultra-conservador” (risos), um radical “reacionário”, praticamente um neandertal incapaz de acompanhar o incrível “progresso” moral da humanidade (personificado em Obama). Depois é que o sujeito volta a ser citado como razoável, só para retratar o próximo alvo – o candidato da vez – como o representante desse radicalismo todo, desse hiper-conservadorismo tosco.

No fundo, os democratas – cada vez mais radicais à esquerda – e também os “jornalistas” – torcedores desses democratas – pensam que todo republicano é um idiota, que todo conservador é um ser inferior, desprovido de sensibilidade, uma figura tacanha. Mas eles têm alguma vergonha de admitir publicamente isso, pois seria claro preconceito, e eles são pessoas “sem preconceitos”, afinal de contas.

Eis, então, o que mais me irrita nessa eleição: dessa vez o alvo é mesmo muito ruim! Defender Trump é complicado, pois o homem é muito do que o lado de lá o acusa, apesar dos evidentes exageros (você poderia pensar que Hitler é praticamente um santo perto do magnata bufão de acordo com a mídia mainstream). Saber que a imprensa faria o mesmo jogo sujo com Ted Cruz, com Rubio, com Ben Carson ou mesmo com o moderado-quase-progressista Jeb Bush, eis o que me tira do sério. O viés democrata da imprensa e as mentiras que ela está disposta a criar são revoltantes.

Joãozinho gostava de inventar que tinha um leão em seu quintal, só para assustar sua mãe. Até o dia em que apareceu um leão de verdade mesmo. A mãe não acreditou no alerta, e ele foi devorado. No dia em que aparecer um fascista mesmo, para combater essa podridão toda da esquerda hipócrita e canalha, talvez ninguém acredite mais. Afinal, Trump foi pintado como um nazista estuprador, e mesmo alguém como Mitt Romney, um empresário brilhante, educado e civilizado, foi massacrado pela mesma imprensa, retratado como um torturador de animais!

Se todos os adversários dos democratas são fascistas terríveis, monstros insensíveis, no dia em que um fascista terrível surgir o alerta estará desacreditado. Vocês, Joãozinhos da imprensa, prestam um enorme desserviço aos leitores, aos eleitores, ao mundo. Dessa vez parece que a tática vai surtir efeito e a mentirosa da fundação corrupta vai levar, para júbilo de George Soros e seus colegas milionários. Mas e depois? E quando um verdadeiro fascista aparecer com chances e ninguém mais escutar sua histeria toda, já que ela é igual independentemente de quem está competindo com seus adorados “progressistas”?

Rodrigo Constantino

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