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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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O ranço ideológico como obstáculo à real necessidade de milhões de desempregados

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“O petróleo é nosso!”, bradam os nacionalistas da esquerda e da direita há décadas no Brasil. O capital estrangeiro é visto como o Capeta por boa parte da nossa esquerda até hoje. Essa visão tacanha de mundo, que ironicamente a mesma esquerda agora usa para atacar Trump, está por trás dos abusos cometidos pelo PT em nossas estatais, que sequer deveriam existir (tinham que ser privatizadas).

O governo Michel Temer até colocou em pauta algumas privatizações, mas não vai mexer nesse vespeiro agora, comprar essa briga. Em contrapartida, ao menos vem tentando profissionalizar um pouco essas empresas, redutos de partidos e grupos de interesse. Maria Silva Bastos no BNDES, que já começou a cortar drasticamente seus desembolsos inflados pelos petistas, é um bom exemplo. E Pedro Parente na Petrobras idem.

Este, aliás, escreve um bom artigo hoje na Folha, justamente sobre o ranço ideológico que perdura no país, prejudicando milhões de desempregados. Seguem alguns trechos:

Ideologias, quando levadas ao extremo, tornam as pessoas impermeáveis a argumentos e fatos. Discutir a origem do capital investido no Brasil é um exemplo. Superada pela Constituição, que não faz distinção entre capital nacional e estrangeiro, essa discussão tem pouca utilidade na vida real.

A maioria dos brasileiros vai trabalhar diariamente em veículos de marcas globais fabricados no Brasil; falamos ao celular em aparelhos com peças importadas do mundo inteiro; a maior parte das ações da bolsa brasileira é de investidores estrangeiros.

No setor de óleo e gás, o intervencionismo estatal se materializou na “Política de Conteúdo Local” (PCL). A exigência de um conteúdo local muito acima da capacidade da indústria impôs prejuízo significativo ao governo e ao setor. Quem diz isso não é a Petrobras, mas o Tribunal de Contas da União, que em auditoria recente concluiu que “existe um alto custo da política, em função da baixa competitividade da indústria nacional”.

Na Petrobras, além dos custos mais elevados apontados pelo TCU, houve atrasos de mais de três anos na entrega de 12 plataformas.

[…]

Quando o Brasil registra 12 milhões de desempregados, com todas as consequências disso na vida das pessoas e suas famílias, custa-me acreditar que sinalizamos desapreço ao investimento no país. Deveríamos estar empenhados em atrair novos investidores e em criar o ambiente necessário para que o capital disponível no mundo venha para o Brasil.

Esta é a verdadeira escolha: entre o ranço ideológico, que a poucos beneficia, e a dignidade e o bem-estar que um novo emprego pode proporcionar a milhões de brasileiros e a suas famílias.

Se o nacionalismo de Trump pode (quase) ser defendido com base no argumento geopolítico da ameaça chinesa, no caso brasileiro não dá nem para forçar a barra nesse sentido. Simplesmente não faz o menor sentido adotar essa visão de “reserva de mercado” para fomentar a indústria nacional. Pedro Parente está certo. Mas o melhor meio de blindar a Petrobras desse risco ainda é sua privatização. Imaginem se houvesse uma PetroUSA nas mãos de Trump agora…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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