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Rodrigo Constantino

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"Os intocáveis" são presos e a batata de Lula está assando

Lula e Marcelo Odebrecht: que amizade forte!

A força-tarefa da Operação Lava Jato detectou indícios de que as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez estão envolvidas em crimes de formação de cartel e fraude em licitações não apenas em contratos com a Petrobras. A informação foi dada nesta sexta-feira pelo procurador da República no Paraná Carlos Fernando dos Santos. As empresas são alvo da 14ª fase Lava Jato, deflagrada nesta manhã – e que levou para a cadeia os presidentes das duas empreiteiras. Segundo a promotoria, as duas gigantes da construção, sobretudo a Odebrecht, exerciam papel de liderança no chamado clube do bilhão.

Nas palavras do delegado Igor Romário de Souza, os presidentes das duas empresas “tinham dominio de tudo”. “Há indícios de que os presidentes não só tinham domínio de tudo o que acontecia como tiveram contato ou participaram de negociações que levaram a formação de cartel e à destinação de recursos pra pagamento de corrupção.”

O leitor lembra de Bernard Madoff? Bernie, como era conhecido, era um gestor de recursos bilionário. Mas foi pego em uma grande fraude, seus fundos não passavam de um esquema de pirâmide nos moldes de Ponzi (uma espécie de Previdência Social, mas que dá cadeia quando não é feita pelo governo). Pois bem: com todos os seus bilhões, Bernie foi preso, e lá continua.

Eis a grande diferença entre os Estados Unidos e o Brasil: em ambos os países há corrupção, bandidagem, malandragem, mas aqui os que são pegos pagam um alto preço; no Brasil não, ou quase nunca. Essa diferença chama-se “império das leis”, e está no cerne do sucesso americano. Punição para bandidos, independentemente da renda: igualdade perante as leis, válidas para todos. O nobre ideal liberal a ser seguido, ainda que nunca seja plenamente praticado.

Marcelo Odebrecht é, como já disse antes, um dos homens mais poderosos do Brasil da era Lula. O empresário virou um gigante. Um gigante não, pois isso ele já era: um mastodonte, líder de um imenso conglomerado com cerca de 200 mil funcionários e dezenas de bilhões de faturamento, boa parte em transações com o governo. Era visto como um “intocável”, dentro das tradições brasileiras.

Sua prisão é, portanto, simbólica: o estado tenta avançar rumo ao império das leis, apesar dos obstáculos criados pelo governo. O Ministério Público, a Polícia Federal, esses são órgãos de estado, que precisam agir com independência. Colocar um “tubarão” desses atrás das grades é sinal de que há gente séria tentando acabar com a pouca vergonha no trato da coisa pública. Ninguém deve estar acima das leis!

Claro, as investigações precisam continuar e as provas precisam ser contundentes. Os réus terão todo o legítimo direito de defesa, no Brasil até flexível demais, com brechas demais que ajudam os mais ricos. Mas a punição precisa ocorrer se ficar comprovado o delito, se houve corrupção e desvio dos recursos públicos, se ficar configurada a formação de cartel, em conluio com os partidos do governo para saquear a Petrobras e outras estatais.

Aqui vale um alerta já feito antes: a tese de corruptores malvados e políticos incapazes de resistir à tentação não cola. O petrolão jamais teria acontecido sem o aval dos mais poderosos do governo, e é fundamental chegar neles. Não apenas nos diretores da estatal já presos, mas naqueles do andar de cima, os verdadeiros chefes. São esses que transformaram o estado num grande leilão de propinas, e eles precisam pagar.

Tudo isso, portanto, é alvissareiro, mas insuficiente. A polícia precisa chegar nos mandachuvas do governo, nos maiores beneficiados pelo esquema de desvios, naqueles que mandavam nos subalternos presos. Como já escrevi aqui, o Brasil só vai passar a limpo essa sombria fase quando “o chefe” for parar no xilindró. Sim, falo dele, o arrogante que se julga intocável, acima das leis, o que recebeu milhões da mesma Odebrecht agora no centro das investigações.

Lula é seu nome, e os brasileiros decentes sonham com o dia em que acordarão com a notícia estampada nos jornais: Operação Lava-Jato chega ao topo da hierarquia e prende Luís Inácio Lula da Silva. Será que veremos esse dia chegar? Será que o Brasil tem força institucional para dar esse passo e se aproximar do modelo americano? Tomara que sim. Lula, sua batata está assando, pois ninguém deve ficar impune, não importa quantos bilhões tenha no banco e quantos “soldados” do “exército” de Stédile estejam a postos para defendê-lo. A lei deve valer para todos.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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