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Rodrigo Constantino

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Por que o emprego de presidente do Brasil será talvez o pior que alguém possa querer?

Por Nivaldo Cordeiro, publicado pelo Instituto Liberal

A nação queda à espera do novo presidente, que marcará a superação da nefanda era do mensalão e do petrolão, equivale a dizer, da era do PT.  Hora de consultar o futuro, de perguntar ao oráculo o que será o amanhã, ou seja, os próximos dois ou três anos, período em que a nova correlação de forças políticas terá que dizer a que veio, com toda força. Eu diria que vamos passar por um momento de ordem, de arrumação, da imposição do princípio de realidade sobre os devaneios revolucionários de todos os tipos. Haverá choro e ranger de dentes. A “classe” dos parasitas do Estado sofrerá.

Três temas se imporão inexoravelmente ao novo governo, no plano econômico: a Previdência, as finanças dos estados federados e a dívida pública. A reforma da Previdência virá de qualquer jeito e será feita à custa dos próprios segurados. É a lei da vida ou a lei da escassez em funcionamento. Quem mamou, mamou, que não mamou não mamará mais. É possível pagar privilégios vitalícios mesmo para alguns, mas não é possível pagar para todos. O sistema quebrou. Privilégios serão cortados, idade mínima elevada e tempo de contribuição também. A Previdência pública na prática será anulada pela irrelevância dos pagamentos, que não cobrirão mais a conta. Voltaremos ao tempo em que Previdência para valer é acumular bens e ter filhos bem sucedidos na vida.

As finanças dos estados federados voltaram ao tempo em que moeda era emitida via bancos estaduais. Como essa válvula não existe mais, a ocorrência de déficits significa calote puro e simples, inclusive na folha de salários. Estados importantes como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte estão destinando o produto da arrecadação para pagar salários, mas ele se mostra insuficiente. A greve das polícias é um sintoma do depauperamento geral. Certamente o equilíbrio das finanças públicas passará pela “administração” dos grandes lotes de despesas, como a universidade e o Poder Judiciário, ambos com gastos fora de controle e comportamento incompatível com a lei da escassez. Será uma dura prova para os novos governadores. O princípio de realidade vai imperar e a lei da escassez vai governar.

A dívida pública é um ônus que os burocratas fingem administrar, mas sua gestão está a cargo de funcionários dos bancos, como Henrique Meirelles e  o próprio presidente do Banco Central. Seu tamanho é tão expressivo que essa autonomia de gestão vai acabar. A recessão brutal baixou a inflação, obrigando à queda da taxa Selic. Prevejo que independentemente da inflação a taxa nominal de juros ficará em torno e abaixo de um dígito. O orçamento não suporta remuneração real desse montante fantástico de dívida pública. Seus credores serão chamados a contribuir com o ajuste e isso poderá significar que os rentistas perderão a gestão autônoma desses ativos. Significa dizer: os avessos a risco serão obrigados a buscar o risco, como em qualquer nação civilizada.

Resta ainda o que fazer com os rombos petralhas da Petrobras. A atual gestão está abusando de preços e tarifas, passando para os pobres o custo do ajuste da estatal. O elástico esticou demais e não vejo como elevar os preços da matriz energética além do que temos hoje. Não é mais possível elevar o preço do botijão de gás de cozinha, por exemplo, que está esfolando os ganhadores de salário mínimo, uma boa maioria. Então restará à Petrobras tentar o que deve sempre: elevar a produtividade, reduzir seus custos, sair da sombra confortável do monopólio. O novo governante precisará baixar os custos da matriz energética, que estão inviabilizando a Nação.

O novo governante terá dura tarefa e uma única lei: a da escassez. Será proibido gastar e o Estado precisará ser encaixado em um tamanho que caiba dentro da arrecadação. Terá que contrariar interesses. O emprego de presidente do Brasil será talvez o pior emprego que um brasileiro possa querer. As pressões serão imensas e as contradições podem devorá-lo. A rédea será muito curta e porá à prova o sistema político e a democracia. Quem viver verá.

Sobre o autor: Nivaldo Cordeiro é analista político e se declara liberal em economia, conservador nos costumes e democrata. 

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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