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Rodrigo Constantino
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Por que você deveria se importar com a perda do grau de investimento do Brasil pela S&P

S&P dá sinal vermelho para se investir no Brasil

S&P dá sinal vermelho para se investir no Brasil

Estava lendo Roger Scruton sobre cultura, navegando em ares elevados, quando fui interrompido com a notícia: a agência de risco Standard & Poor’s reduziu mesmo o grau de risco dos títulos públicos brasileiros, de “investment grade” para BB+, considerado um nível especulativo, de não-investimento. E ainda colocou uma perspectiva negativa, ou seja, poderemos sofrer novos rebaixamentos. A perda do grau de investimento era esperada, mas a equipe econômica de Dilma ainda tinha esperanças de evitá-la.

O leitor pode achar que não tem nada com isso, que essa notícia não lhe diz respeito. Mas está errado. Apesar de as agências de risco serem um tanto atrasadas, como ficou claro em 2008, quando elas resolvem agir significa não só que a situação está realmente feia, como isso também gera efeitos práticos importantes.

Muitos fundos grandes de investimentos precisam da chancela oficial das principais agências para alocar capital em certos ativos. Quando o Brasil perde esse selo de qualidade da S&P, uma das mais importantes agências, isso significa que bilhões terão de deixar o país obrigatoriamente, pois não estariam mais enquadrados em seu mandato investindo em títulos “junk”.

Isso mesmo: o Brasil virou “lixo”, virou especulativo, uma espécie de “dama” com a letra escarlate pendurada no pescoço. A fama se espalhou rapidamente, e ninguém mais confia na gestão da presidente Dilma, nas contas públicas, na capacidade de se reverter o quadro caótico de crescente déficit fiscal. E ainda há um monte de assessores e economistas falando que é hora de gastar mais, de se endividar mais, de reduzir os juros na marra!

Não entenderam nada mesmo. E acabaram quebrando o país. O Brasil virou o patinho feio do mundo emergente, um país “exótico”, com um povo animado, sem dúvida, com Carnaval e futebol, mas que não merece ser o destino prioritário do “tsnunami monetário”, do fluxo de capital estrangeiro em busca de melhores oportunidades e retornos.

A gente vai ter que se virar com os agiotas mesmo, graças ao PT. A esquerda, uma vez mais, ajuda os “rentistas” que tanto ataca: com o nome sujo na praça, sem crédito disponível, o nosso governo vai ter que se financiar pagando mais caro. O dólar deve subir ainda mais, a bolsa cair. A crise fica mais aguda após essa notícia, que simboliza bem o estrago causado pela gestão petista. A cabeça de Joaquim Levy corre mais perigo agora.

Seus ativos vão valer ainda menos em moeda forte, caro leitor, e seu emprego corre risco. A S&P não é a culpada, claro. Não adianta atirar no mensageiro. O responsável por essa lambança toda tem nome e sobrenome soviético. Não foi por falta de aviso. Mas o povo resolveu insistir no erro em 2014. Agora teremos de aguentar o sofrimento, que não será nada suave.

Vou voltar para meu livro do Scruton sobre cultura agora, que é para respirar ares mais elevados e limpos, onde petistas não chegam com seu poder de destruição.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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