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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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PSDB e Bolsonaro unidos ao PSOL contra a privatização da Cedae: onde está o Doria carioca?

Bolsonaro vai querer se associar a ESSA turma?

Bolsonaro vai querer se associar a ESSA turma?

Celebrei aqui a notícia de que a privatização da Cedae foi aprovada pela Alerj, mas descubro depois, com tristeza, que Flavio Bolsonaro votou contra, ao lado de tucanos e do PSOL. É lamentável. É verdade que o deputado tentou se justificar, alegando não ser contra a privatização em si, mas contra essa privatização, nesse formato etc e tal. Ele não quer dar um “cheque em branco” nas mãos dessa gestão sob suspeita, um argumento até legítimo. Mas parece coisa daqueles “isentões” que dizem que não são petistas, mas…

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Sinto muito, mas não cola, Flavio. A alternativa de deixar a estatal nas mãos do governo é ainda pior! Qualquer liberal sabe disso. Você não fez o meu curso? Então faça! Você tem defendido bandeiras importantes, como o Escola Sem Partido, o direito de cada um escolher ter ou não uma arma, tem comprado as brigas certas, mas escorregou feio nessa. E não posso me calar, pois prezo minha independência, como você sabe. Por isso esse texto: para cobrar coerência de sua parte. Vai mesmo ficar ao lado do PSOL e da ala tucana do Rio, a pior do país?

Lucas Berlanza, que foi colaborador do Instituto Liberal, comentou: “Flávio Bolsonaro, para votar contra a privatização da CEDAE, assim como PSDB e PSOL, alegou que o modelo da venda está equivocado; porém disse no vídeo-justificativa que, fosse outra a situação, também pensaria duas vezes, porque a empresa é ‘superavitária’. Bola foríssima esse raciocínio”. Concordo com o Lucas: mesmo que a estatal dê lucro, isso não é motivo para mantê-la estatal. É preciso levar em conta o custo de oportunidade…

Gustavo Franco, que é ligado ao PSDB, não poupou críticas ao seu partido por essa mesma postura na privatização da Cedae:

Não é preciso entrar no mérito: enquanto isso, o prefeito do Rio de Janeiro está se escondendo – pois não se ouve falar dele, exceto acerca dos problemas para a nomeação do filho, tampouco de seus secretários. E a bancada do PSDB se posiciona contrariamente ao ajuste nas contas do Estado e também à privatização da CEDAE. É ridículo. São Paulo pode ser o túmulo do samba, mas, o Rio não é melhor quando se trata de política.

[…]

O Fantástico mostrou: o saneamento é a grande fronteira para o investimento em infraestrutura, com profundas implicações fiscais, ambientais e de saúde pública. As necessidades de investimento estão na casa de R$ 300 bilhões para o Brasil, e os estados e municípios não têm esse dinheiro. É simples assim.

É como a telefonia nos anos 1990: há um mundo para fazer e não há a menor condição de as companhias estatais (estaduais e municipais) existentes cumprirem esta agenda nas próximas 3 ou 4 décadas. Podemos encurtar o caminho com a privatização. E evitar muita doença, poluição, déficits e corrupção. O saneamento pode ser uma extraordinária fronteira de investimento na próxima década, se apenas trazemos o setor privado par o jogo. O que estamos esperando?

E a bancada do PSDB é contra! E repete esse discurso ridículo do “cheque em branco”, como se agora fosse a hora de discutir o edital e o valor da empresa. É pior do que a objeção ideológica que, ao menos, é sincera. Estou envergonhado e decepcionado com o comportamento da bancada, acho que eles estão no partido errado.

O artigo do Fernando Fernando Schüler é muito bom. E chama a atenção para o assunto da saúde, ao falar da mortalidade infantil na Argentina. E a dengue, zika e coisas da espécie no Brasil? Quantas doenças, mortes, lesões permanentes poderíamos ter evitado se tivéssemos privatizado a CEDAE 20 anos atrás e acelerado os investimento nessa área?

Gustavo Franco e Lucas Berlanza estão certos. Não há como sustentar esse papo furado de “cheque em branco” quando a alternativa é manter a empresa sob o controle estatal, com tudo o que isso significa em termos de incompetência e corrupção. O saneamento básico é questão urgente! O povo pobre é quem mais sofre com a má gestão estatal. Até entregar a empresa de graça já valeria a pena!

Espero que Bolsonaro volte atrás nessa questão, reconhecendo o erro. Já quanto ao PSDB carioca tenho poucas esperanças. Essa turma raramente defende a coisa certa…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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