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Rodrigo Constantino

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Quando professores de história tentam reescrever toda a História para aliviar comunistas e culpar americanos

Idealista democrático ou psicopata comunista?

Idealista democrático ou psicopata comunista?

É um espanto! Mas ainda assim é previsível, pois só se espera o espanto mesmo de “historiadores” marxistas. O mais famoso deles, Eric Hobbsbawm, chegou a admitir que vinte milhões de inocentes mortos seriam um preço aceitável a se pagar pela utopia socialista. Alguém pode esperar análise isenta dos fatos históricos de alguém tão fanático assim?

Pois bem: Daniel Aarão Reis, professor de Histórica Contemporânea da UFF e tradicional comunista, usou sua coluna de hoje no GLOBO para inverter totalmente os fatos históricos e pintar o tirano assassino Fidel Castro como um herói democrata, enquanto tudo de ruim em Cuba passa a ser culpa dos malditos americanos. Diz ele:

Um longo percurso desde janeiro de 1959, quando triunfou em Cuba uma revolução nacional e democrática. Os guerrilheiros no poder, liderados por Fidel Castro, apoiados pelo povo armado, passaram a decidir em praça pública os destinos da sociedade, anunciando o apocalipse em terras latino-americanas. Decretavam ousadas medidas e políticas: dissolução das forças armadas da ditadura, justiçamento dos torturadores, reforma agrária, reforma urbana, soberania nacional.

As autoridades americanas, incrédulas, indagavam-se: quem aqueles cucarachas pensam que são? O puteiro de empresários, turistas e traficantes queria fazer uma revolução? Só podia ser piada, e de mau gosto. Haveriam de provar da real correlação de forças. Começaram as represálias. Até chegar ao 3 de janeiro de 1961 quando o governo dos Estados Unidos rompeu relações diplomáticas. Cerca de um ano depois, decretou o embargo nas relações econômicas. Sucederam-se outras providências: estímulo à emigração de descontentes, financiamento e armamento de oposicionistas, patrocínio de invasão armada, planos de assassinar líderes.

É tanto absurdo, tanta mentira, tanta inversão histórica, que dá até preguiça de começar. O economista aqui terá que dar uma aulinha básica ao professor de História, que enfia esses mitos e falácias na cabeça de seus pobres alunos. Mas são os ossos do ofício, então vamos lá.

Cuba não era um “puteiro de empresários americanos”, e sim um país mais desenvolvido que a média da região, com vida cultural mais avançada, com mais médicos por habitante do que os demais. Claro, vivia sob uma ditadura, a de Fulgêncio Batista, mas não podemos ignorar os fatos só por isso. Muitos cubanos nessa época viajavam para os Estados Unidos, mais até do que o contrário. Não se tratava de um bordel explorado, como os comunistas antiamericanos dizem.

Tampouco a revolução foi democrática. Um bando de guerrilheiros tomou o poder após derrubar o ditador, e já começava ali mesmo a traição a todos que acreditaram nos ideais libertadores daqueles barbudos liderados por Fidel. Alguns eram de fato idealistas, mas esses Fidel logo se encarregou de eliminar. Sua psicopatia vinha de longa data, da juventude. Seu irmão Raúl Castro já era comunista convicto. Dados históricos que, curiosamente, o professor de História desconhece.

O “justiçamento de torturadores” era, no fundo, a eliminação em massa dos opositores do novo regime, inclusive inocentes cujo “crime” era realmente desejar uma democracia. A “reforma agrária” era o confisco das propriedades privadas, sendo que as mansões dos ricos seriam os novos palacetes da nomenklatura dos “abnegados” líderes da revolução.

E o “estímulo à emigração dos descontentes” era uma tentativa de salvar os cubanos vítimas de Fidel, pois o regime praticava a expulsão dos “burgueses”, que tinham que deixar suas vidas para trás sem nada, sem seus objetos pessoais, sem seus pertences e suas propriedades. Até hoje milhares de cubanos tentam, voluntariamente, chegar até Miami, ainda que em cima de qualquer coisa flutuante em meio a tubarões. Mas o professor segue com suas mentiras:

Como sabemos, não ocorreu o fim dos tempos, mas o improvável, mais uma vez, acontecera. Graças, em grande parte, à arrogância e à imprevidência dos Estados Unidos, Cuba tornou-se um país socialista, a menos de 170 quilômetros da Flórida.

Seguiram-se décadas de escaramuças. Mesmo depois da derrota da onda revolucionária na América Latina e do assassinato do Che Guevara, expressão maior desta aventura, em 1967; e da morte de Salvador Allende, defensor de uma alternativa pacífica para o socialismo, em 1973, Golias não desistiu, mantendo a intenção de eliminar David.

Vejam que ele culpa o Tio Sam pela guinada ao socialismo daqueles barbudos… comunistas! Afirma que Allende era um socialista pacífico, ignorando que montou sua guarda pessoal, expropriou proprietários, ignorou a Constituição e o Congresso, tudo isso enquanto destruía a economia e permitia o treinamento de comunistas guerrilheiros em território chileno. Pinta ainda a luta de Cuba e dos Estados Unidos como uma entre David e Golias, ignorando que Cuba contava com o apoio do império soviético e que apontou, deliberadamente, mísseis nucleares para a Flórida.

Mas lendo o texto do professor, não ficamos sabendo por que o governo americano adotou o embargo, que nada mais é do que proibir empresas americanas de praticar comércio com Cuba, algo que deveria ser aplaudido por socialistas que chamam tal comércio globalizante de “exploração ianque”. Ele não menciona  que as empresas americanas foram expropriadas pela ditadura cubana, e não explica que os mísseis foram colocados lá por Fidel e que o tirano desejava, de fato, lançá-los contra civis americanos.

Nada disso. Fica parecendo que foi do nada que o governo americano resolveu “punir” os cubanos, só por não aceitar a revolução “democrática” e perder seu “puteiro”. E para não acusarem o autor de viés ou parcialidade, vejam só!, ele até tece umas “críticas” ao regime de Fidel, que depois teria se tornado personalista demais, mas só depois das “conquistas sociais” (inexistentes):

Enquanto isso, e apesar de notáveis realizações em vários campos, evidenciadas pelos altos índices de desenvolvimento humano, a gesta cubana, aninhada — e armadilhada — na aliança com a URSS, foi perdendo impulso, definhando. A ditadura revolucionária transformou-se numa ditadura de caráter pessoal, esfumando-se os sonhos democráticos de revolução libertária.

Cuba já tinha indicadores sociais melhores, e eles pioraram. Falar de conquistas sociais é uma piada de mau gosto. Um professor de História repetir essa ladainha é algo inaceitável. Educação? Qual? Cuba só tem doutrinação ideológica e seu povo não pode ler os livros clássicos que desejar, como os de George Orwell. Saúde? Falta o básico! Não tem remédio! O país não deu praticamente nenhuma contribuição relevante para a medicina mundial. Até Fidel se trata com médicos espanhóis!

Enfim, é tanta baboseira que cansa. E pensar que esses “professores” estão por aí, espalhando essas mentiras, deformando cabeças jovens, fomentando um antiamericanismo infantil e ressentido, enaltecendo porcarias como a revolução cubana. É tudo muito triste, muito asqueroso.

Para quem realmente quer aprender mais sobre a história cubana, seguem algumas sugestões de leitura:

Cuba Sem Fidel – Brian Latel

Fidel: O tirano mais amado do mundo – Humberto Fontova

A vida secreta de Fidel – Juan Reinaldo Sánchez

De Cuba, com Carinho – Yoani Sánchez

O verdadeiro Che Guevara – Humberto Fontova

Cuba, a Tragédia da Utopia – Percival Puggina

Silêncio, Cuba – Claudia Hilb

Antes que Anoiteça – Reinaldo Arenas

Contra Toda a Esperança – Armando Valladares

Há também esse artigo que derruba o mito do “puteiro” dos americanos antes de Fidel, e esse outro que reforça a mensagem. Recomendo, ainda, o filme “A Cidade Perdida”, com Andy Garcia, filho de cubanos exilados nos Estados Unidos. E há, para quem prefere, esse vídeo, com imagens de Havana antes da revolução comunista:

Posso garantir ao leitor uma coisa: após a leitura desses nove livros e dos artigos, do filme e desse vídeo acima, você terá uma visão bem diferente de Fidel e sua revolução, bem mais realista, e estará blindado, protegido dessa doutrinação patética que certos “professores” tentam fazer para salvar suas utopias e seus gurus.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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