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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Quem disse que os dinossauros foram extintos?

Quase simultaneamente ocorreram o lançamento deste blog e o 19o Foro   de São Paulo, provando que o futuro e o passado podem coabitar no tempo. O futuro é o liberalismo; o passado é o socialismo. O evento, que reúne os mais radicais esquerdistas do planeta, serve para nos lembrar como a evolução é uma ideia em xeque, ao menos no campo das ideologias.

Os “debates” são tão caricatos que nem mereceriam resposta, não fosse o fato de que presidentes poderosos da América Latina não só respeitam esse atraso todo, como flertam com ele e marcam presença no circo. O ex-presidente Lula e o presidente boliviano Evo Morales são esperados pelos organizadores. Um espanto isso ainda vingar por aqui.

Vejam o que o portal Vermelho.org publicou, por exemplo. Eu costumo dizer que a profissão de comediante nesse país não é tão fácil assim: se por um lado eles têm farta matéria-prima, por outro lado encontram enorme concorrência involuntária de certas pessoas. Mesmo me esforçando, eu não conseguiria produzir um texto tão cômico como esse. Vejam alguns trechos:

Importantes líderes progressistas estarão presentes, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente boliviano Evo Morales e dirigentes de partidos comunistas no poder, como os partidos comunistas de Cuba, da China, da Coreia Popular e do Vietnã. Durante esses dias, estarão reunidos representantes de cerca de uma centena de partidos de esquerda da região e muitos outros da Europa, África, Ásia e Oriente Médio.

Progressistas? Qual progresso os “progressistas” defendem, exatamente? Aquele de Cuba, estacionada no tempo há meio século? Ou seria aquele da Coreia “popular”, que vive sob o sistema feudalista com todo poder concentrado em uma família, que o transfere de pai para filho enquanto o povo todo definha de fome? É esse tipo de “progresso” que o Foro quer para o Brasil?

Fundado em 1990, no auge da contrarrevolução que resultou na derrocada dos países socialistas e quando estava a pleno vapor a ofensiva do imperialismo estadunidense e da reação mundial contra as conquistas democráticas e sociais dos povos, o Foro de São Paulo é a maior e mais duradoura articulação de forças de esquerda em todo o mundo. Voltado para assegurar a unidade na diversidade de todas as correntes da esquerda, firmou-se como uma força de caráter anti-imperialista, em luta pela democracia, os direitos dos povos, a soberania nacional, a integração regional, a paz mundial e pelo socialismo nas condições peculiares da época e resguardadas as situações nacionais específicas. 

O leitor pode fazer o seguinte: trocar o sinal de tudo que está acima. É o inverso do que está dito. Os imperialistas eram os comunistas, organizados na Comintern sob o comando soviético, tentando exportar sua revolução para o resto do mundo todo. O “ouro de Moscou” ajudou a financiar grupos guerrilheiros mundo afora, inclusive no Brasil. Os soviéticos deram treinamento militar e estratégico para vários interessados em impor uma ditadura nos moldes bolcheviques. A luta pela democracia sempre foi daqueles que enfrentaram esses comunistas e socialistas, nunca o contrário.

O Foro de São Paulo tem coordenado o respaldo político regional e internacional aos processos em curso de conquista de vitórias eleitorais das forças progressistas e à atuação dos respectivos governos de coalizão. Tem também condenado os golpes contra presidentes eleitos democraticamente, como em Honduras e no Paraguai.

Esse trecho final que destaco é apenas para lembrar que não devemos simplesmente ignorar essa “palhaçada” toda, pois ela tem efeitos concretos. Quem pode negar que, de fato, são os líderes aclamados pelo Foro de São Paulo que chegaram ao poder na América Latina e seguem com sua “revolução bolivariana” em curso? Tudo isso seria muito cômico, não fosse tão trágico. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar essa ópera bufa ou rir dela, pois somos nós, no final do dia, que nos tornamos os verdadeiros palhaços do circo, enquanto eles avançam mais e mais sobre nossas liberdades e nossos bolsos.

Quem disse que os dinossauros foram extintos? Eles estão vivos, usam a cor vermelha, e se juntam de tempos em tempos para traçar novas estratégias para ampliar seu domínio sobre nós.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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