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Rodrigo Constantino

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Quem gera empregos: o progresso tecnológico ou a classe política?

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Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

Assistam a esse vídeo e me digam: quantos empregos o desenvolvimento desse tipo de automação pode ter “roubado”?  Muitos, certamente. Nem por isso, entretanto, salvo raríssimas exceções, as pessoas saem por aí pedindo a paralisação do progresso ou uma maior taxação para os produtos de alta tecnologia, embora a introdução dessas novas tecnologias tenha colocado um bocado de gente temporariamente desempregada mundo afora, principalmente nos países desenvolvidos. Eu diria inclusive, sem medo de errar, que o número de empregos perdidos para a evolução tecnológica, nos últimos 100 anos, supera em muito o desemprego gerado pela globalização e pela maior liberdade de comércio entre nações.

Esse é, sem dúvida, um ponto fundamental no debate sobre protecionismo, tão em voga atualmente, depois da eleição de Donald Trump, nos EUA. Se o foco é criar e manter empregos, tudo que os governos precisariam fazer seria obstruir o progresso tecnológico, ou seja, todo e qualquer processo poupador de trabalho. No entanto, além dos ludditas, como o ex-deputado Aldo Rebelo, conheço muito pouca gente disposta a levar adiante tal política.  Por outro lado, o mesmo não ocorre quando o tema é protecionismo.

Milton Friedman enxergava muito bem o sofisma por trás da defesa de barreiras comerciais para a manutenção dos empregos. “O discurso público”, dizia ele, “tende a ser realizado com foco no emprego, como se o grande objetivo fosse criar empregos. Porém, esse não é nosso objetivo. Não há segredo em criar empregos. Podemos criar qualquer número de empregos para que as pessoas cavem buracos e os preencham novamente. Queremos trabalhos como esse? Não. Os empregos são um preço que temos de pagar para viver.  Em geral, o que queremos [e precisamos] não são apenas empregos, mas empregos produtivos. Queremos empregos que sejam capazes de produzir os bens e serviços que consumimos, com uma quantidade mínima de esforço e recursos. De certa forma, o objetivo econômico apropriado deveria ser no sentido do menor número possível de empregos. Ou seja, a menor quantidade de trabalho para a maior quantidade de produtos.”

Bastiat dizia que qualquer política econômica deveria sempre ter como premissa básica as vantagens para o consumidor, não o produtor.  Mas isso, infelizmente, não é o que ocorre na maioria das vezes, principalmente quando o assunto é comércio internacional.

Segundo Mark Perry, “É cientifica e matematicamente provável que as tarifas de comércio, em qualquer momento e em qualquer país, prejudicam o crescimento econômico, eliminam empregos líquidos, destroem a prosperidade e rebaixam o padrão de vida do país protecionista, pois geraram custos para os consumidores que superam os benefícios para os produtores”. Então, pergunta Perry, por que o protecionismo é levado tão a sério, em tantos países e lugares diferentes?  E lista algumas razões como resposta, dentre as quais destacamos:

A falsa crença de que o comércio é um jogo de soma zero, com ganhos para os vencedores e perdas para os compradores.

Os custos do protecionismo para os consumidores são, na sua maior parte, ocultos.

Os benefícios para os produtores são facilmente identificáveis e visíveis.

Os empregos salvos pelo protecionismo são observáveis e visíveis.

Os empregos perdidos pelo protecionismo não são facilmente observáveis ou visíveis.

Os benefícios do protecionismo para os produtores individualmente são muito elevados.

Os custos do protecionismo para os consumidores individualmente são baixos.

Os custos do protecionismo para os consumidores estão diluídos ao longo de muitos anos.

Os benefícios do protecionismo para os produtores são quase sempre imediatos.

Os produtores que buscam os benefícios do protecionismo são concentrados e bem organizados.

Os consumidores que pagam os custos do protecionismo são dispersos e desorganizados.

Há uma enorme retribuição política do protecionismo para os políticos na forma de votos, apoio político e contribuições financeiras de empresas nacionais protegidas.

Há um enorme custo político para os políticos que tentam remover ou diminuir as barreiras comerciais, sob a forma de votos perdidos, apoio e contribuições financeiras de produtores nacionais previamente protegidos.

A obsessão patológica, embora falsa, de que as exportações são intrinsecamente boas.

A obsessão patológica, embora falsa, de que as importações são intrinsecamente ruins.

Em resumo, uma política que deveria ser tratada em termos estritamente econômicos, acaba sendo decidida politicamente, visando não o interesse geral, mas o interesse das classes política e empresarial.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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