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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Rede, PDT, PSOL e o reagrupamento da esquerda

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Por Jefferson Viana, publicado pelo Instituto Liberal

“O preço da liberdade é a eterna vigilância” – Thomas Jefferson

Vemos nos últimos dias o início do fim da dinastia lulo-dilmista no Governo Federal. O governo perde cada dia mais credibilidade interna e externa por suas imensas falhas na condução política e econômica, pela corrupção que liga membros do alto escalão da gestão a casos de desvio de verbas públicas, pedaladas fiscais, estelionatos eleitorais, dentre outros. O governo agoniza, principalmente após a saída do PMDB da base aliada. Mas, não é porque o PT está caindo que não devemos nos preocupar com a esquerda brasileira, pois a mesma tem vivido tempos de um revisionismo autofágico de seu projeto político, dada as evidentes falhas da péssima gestão federal. Afirmo isto por observar membros históricos do moribundo Partido dos Trabalhadores migrando para outros partidos. Neste artigo destacarei três principais refúgios dos supostos ex-petistas.

O primeiro dessa lista é a Rede Sustentabilidade. Liderado pela fundadora do PT, Marina Silva. Defensores históricos da esquerda, como o deputado federal Alessandro Molon (RJ), que foi membro do PT desde 1999, o senador Randolfe Rodrigues, ex-petista (1998 à 2005) proveniente do PSOL e a ex-senadora por Alagoas, Heloísa Helena. Tanto o partido, quanto a sua principal líder tem tido uma postura bastante oportunista em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Defendem que a saída de Dilma tenha que se dar pelo julgamento e cassação no TSE, a via mais dolorosa para o país, na luta para se livrar da atual gestão, por ser uma chance para Marina Silva colocar-se como presidenciável pela terceira vez, após a candidatura pelo PV em 2010 e pelo PSB em 2014. Enquanto isto, em razão do desenrolar do processo de Impeachment, o REDE vai aproveitando-se da migração de membros históricos do PT que buscam por sua sobrevivência política.

O segundo caso é o PSOL, Partido Socialismo e Liberdade (sic). Fundado por uma dissidência do PT em 2004, o partido tem como membros famosos os ex-petistas Luciana Genro, Roberto Robaina, Luiza Erundina (ex-prefeita de São Paulo), Babá, Marcelo Freixo, Ivan Valente, Chico Alencar e o falecido Plínio de Oliveira Sampaio. Seduzidos com o discurso de “oposição à esquerda”, vemos muitos membros do PT se percebendo livres para migrar do PT para o PSOL, o que tem tornado o projeto do Socialismo e Liberdade (sic) cada vez mais identificado com uma “linha auxiliar do PT”. Fato que se tornou ainda mais evidente a partir, principalmente, da postura do PSOL no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, quando o partido declarou neutralidade, que no vocabulário psolista significava repudiar o voto no candidato Aécio Neves (PSDB) e a sugestão para a militância de votar em branco, anular ou votar na candidata Dilma Rousseff (PT). Um caso inédito de neutralidade não-neutra, com o adicional de deputados do PSOL, como Chico Alencar, Jean Wyllys e Marcelo Freixo, terem feito campanha ativa para a candidata do PT no segundo turno.

O terceiro partido é também o mais perigoso: Partido Democrático Trabalhista (PDT). O partido fundado por Leonel Brizola, diferente dos outros que ensaiam uma oposição para inglês ver, se mantém fiel a base do governo Dilma mesmo com a administração petista vindo a desmoronar, muito pelo trabalho de Carlos Lupi, presidente nacional do partido e aliado de Dilma. Muitos membros do PT ou que apoiam o partido estão migrando para a sigla trabalhista, como o ex-ministro Ciro Gomes, o atual prefeito de Osasco Jorge Lapas e o prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, assim a sigla brizolista já ensaia uma chapa presidencial em 2018 sendo encabeçada por Ciro Gomes e com o apoio do PT. Com isso, poderemos ver muitos petistas caminhando para o partido de Brizola e Darcy Ribeiro. Então, pode se dizer que o PDT pode ser o partido mais perigoso nesse rearranjo da esquerda brasileira, pois o discurso de Ciro Gomes seduz boa parte da esquerda e parte dos oposicionistas.

Deve-se prestar atenção nessa “nova” esquerda brasileira. Não é porque estamos vendo o Partido dos Trabalhadores agonizando em seus últimos dias no poder que devemos achar que a esquerda está vencida politicamente. Muito pelo contrário, perceberam que o barco está afundando e preparam o seu reagrupamento, como fizeram no pós-Guerra Fria e em breve voltarão a tentar assumir o poder político e para fazer as mesmas coisas que o PT fazia, seja em pequenas doses ou em doses muito maiores. Então, a frase que inicia esse artigo deve simbolizar a nossa vigilância em relação a esse revisionismo e evitar que voltem a dar as suas caras no jogo político para causarem mais tragédias no nosso país. Para não sofrermos de novo com políticas de cunho demagógico e populista.

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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