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Rodrigo Constantino

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Socialismo e democracia: “Já era, playboy. Perdeu!”

urna

Por João Cesar de Melo, publicado no Instituto Liberal

O Brasil vive o resultado da combinação de socialismo com democracia. Um resultado previsto e que deveria nos lembrar de que todas as ditaduras do mundo se apresentam como democracias.

A verdade é que a maior parte da população não tem interesses nem opiniões sólidas sobre política. A grande maioria das pessoas preocupa-se apenas em tocar suas vidas em paz, trabalhando sob a benção de Deus para conquistar confortos e prazeres burgueses e talvez acumular bens e capital para tornar mais fácil a vida dos filhos. Ou seja: A maior parte da população é de direita. Sempre foi. Sempre será. Aqui e em qualquer lugar do mundo. O socialismo, como escrevi noutro artigo, não passa de uma perversão ideológica de parte da burguesia; e por serem minoria, estão sempre invocando uma “revolução”.

Essa minoria obtém tanto sucesso político porque consegue, por meio do marxismo cultural, fazer o povo crer que as dificuldades da vida são resultado das “injustiças sociais” e que os fracassos individuais são resultado da “exclusão social” promovida pelo capitalismo. Consegue isso porque sabe dar utilidade às frustrações e às falhas de caráter comuns do ser humano, convertendo recalques em vitimismo, inveja em cobiça, mentiras em verdades, corrupção em solidariedade, autoconfiança em esperança – eis a “consciência política” tão exaltada pela esquerda.

É dessa forma que transformam a maioria da população essencialmente contrária ao socialismo num imenso rebanho a seu favor, fazendo cristãos elegerem anticristãos, empresários elegerem comunistas, trabalhadores elegerem vagabundos, indivíduos elegeram coletivistas.

Uma vez conquistado o voto da maioria, o princípio da democracia é invertido – um pequeno grupo de pessoas passa a ter poder sobre as demais.

Dilma mentiu sobre a situação da economia e fraudou as contas públicas para conquistar o voto da maioria, porém, mesmo com a descoberta da mentira e da fraude, o povo não tem poder para rever seu voto, já que os mesmos que enaltecem a “vontade popular” como o pilar de sustentação de uma sociedade, a ignora completamente quando lhes convém − “Já era playboy! Perdeu!”, como diria qualquer delinquente, durante um assalto.

A vontade da maioria da população não tem o menor valor para um governante socialista. A prioridade de Raul Castro e de Nicolás Maduro é a preservação de si mesmos, a despeito das necessidades e dos desejos da maioria da população; e por aqui, Lula e Dilma fazem o mesmo. Cuba, Venezuela e Brasil apresentam-se como democracias.

A degradação política e institucional do Brasil remete as provocações feitas por Étienne de la Boétie, referindo-se aos tiranos eleitos democraticamente:

Como nos espionariam se não tivessem os olhos da sociedade para nos espionar?

Como nos golpeariam se não tivessem as mãos da sociedade para nos golpear?

Como nos roubariam se a sociedade não tivesse confiado a eles nosso dinheiro?

Como nos violentariam se a sociedade não tivesse confiado a eles nossa segurança?

Como transformariam nossos filhos em imbecis se a sociedade não tivesse confiado a eles a educação?

Como levariam nossos filhos à guerra se a sociedade não tivesse concedido a eles o poder de levá-los?

Enquanto a quase totalidade da população brasileira se preocupa com a preservação de seus empregos e de seus negócios, 7% dessa mesma sociedade se preocupa apenas com a manutenção do projeto socialista; e para tanto se divide em dois grupos: Um que se dedica a defender por razões ideológicas todos os absurdos desse governo e do partido que o controla; outro composto pelo próprio Partido dos Trabalhadores, que sem qualquer pudor segue financiando a campanha de intimidação e de desmoralização de todos que o denunciam, enquanto negocia com os poderes legislativo e judiciário sua preservação.

Em nome da ordem democrática, 93% da população brasileira deve respeitar o governo que rouba, que mente, que frauda e que destrói a economia do país.

Em nome da ordem democrática, 93% da população brasileira deve aceitar os aumentos de impostos para se cobrir os crescentes gastos do governo.

Em nome da ordem democrática, 93% da população brasileira deve enxergar função social na corrupção, no aparelhamento do estado e na irresponsabilidade administrativa.

Em nome da ordem democrática, todo cidadão deve se curvar diante da arrogância e de canalhice daqueles que foram “eleitos pelo povo”.

Em nome da ordem democrática, a imprensa brasileira deve tomar extremo cuidado para não criminalizar um partido comprovadamente criminoso.

Em nome da ordem democrática, delegados e magistrados não devem investigar membros do governo e do PT envolvidos em casos de corrupção.

Em nome da ordem democrática, a lei não precisa ser cumprida por aqueles que foram eleitos democraticamente; nem pelos seus filhos, nem pelos seus amigos, nem pelos amigos de seus amigos.

Em nome da ordem democrática, Nicolás Maduro anunciou que convocará as forças armadas para impedir que o voto da maioria da população ponha fim ao projeto bolivariano na Venezuela.

Que fique a lição: Quando a democracia concede ao governo poder para tirar dinheiro dos ricos para dar aos pobres, também está lhe concedendo o poder para obrigar todos, ricos e pobres, a trabalhar em função da preservação desse mesmo governo a despeito de qualquer absurdo que venha cometer.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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