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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Blog da Veja

Feliz Dia dos Pais: uma homenagem do Povo Brasileiro ao Papai Estado

Pai,

Eis minha homenagem ao seu dia. Você sempre esteve tão presente em minha vida, mesmo quando eu queria respirar um pouco fora de sua redoma de proteção. É amor, eu sei. Você realmente se preocupa muito comigo. Eu entendo. O que seria de mim sem você?

Você me dá mesada, por exemplo, para me ajudar no sustento cada vez mais difícil pelas barreiras e obstáculos que você cria aos empreendedores. Mas novamente: sei que é tudo pelo meu bem. Em troca das esmolas, digo, da mesada, é verdade também que você confisca, digo, arrecada quase 40% de tudo que eu ganho com meu trabalho. Mas é para meu próprio bem, pois você sabe melhor do que eu como gastar esse dinheiro, e isso prova seu carinho por mim.

Você me deu, por exemplo, essas estradas maravilhosas para eu poder exercer meu direito de ir e vir. É verdade que há muitos acidentes, que corro risco de vida constante nelas, mas como estaria sem você para construir essas estradas? Sem dúvida em situação muito pior.

Você também me garante saúde, o que é fundamental. Toda vez que entro em algum hospital do SUS para um tratamento, vejo o quanto você me ama. Poderia não ter nada disso, ter que me virar sem sua ajuda para cuidar da minha saúde. Seria terrível. Eu poderia ter que viver como minha vizinha lá do norte, a América. Tenho calafrios só de pensar. Obrigado por sempre pensar em mim, pai.

Sua dedicação é tão grande que você sempre me protege dos bandidos também. Oferece uma segurança impressionante que torna minha vida mais tranquila, para que eu possa seguir focando nas coisas mais importantes, como meu trabalho, meu lazer. Não preciso ficar me preocupando com assaltantes ou balas perdidas, tudo graças a você, pai.

Você é tão presente em minha vida que não fico um segundo sequer sem sua supervisão, seu auxílio, seus cuidados. Não deixa eu escolher fazer bronzeamento artificial, por exemplo, como prova de sua preocupação com minha saúde. Pelo mesmo motivo, quer controlar o sal que eu coloco na comida. Prova de amor, pai, eu sei. É tão minucioso nos cuidados que se preocupa até com o formato da tomada que vou usar, com o pãozinho francês que vou comprar, com TUDO!

Não é qualquer pai que acompanha seu filho da hora que ele acorda até a hora que vai dormir, sem descanso. Até mesmo nos sonhos você entra, pai. Às vezes é pesadelo, confesso, como quando penso na bocada que dá no meu salário. Mas depois acordo, suando, e lembro que é tudo para meu próprio bem, que isso é prova de seu amor infinito por mim.

Obrigado por tudo, pai. Obrigado por cuidar de mim do berço ao túmulo, por saber que, sem sua supervisão detalhada e controle total, eu não conseguiria nem sequer dar um passo sozinho. Sou meio mentecapto, sabe, pai, uma criança indefesa, que morreria em segundos sem sua proteção.

Fico irritado muitas vezes com os seus representantes, com esses funcionários e governantas que você coloca para cuidar de mim em seu nome. A última governanta, pai, convenhamos: era mais anta do que governante. Não sei por que faz isso comigo, mas deve ter seus motivos. Sempre acreditarei em seu altruísmo, em sua abnegação e em sua clarividência. Você escreve certo mesmo que por linhas tortas.

Por isso posso ficar revoltado com seus representantes, posso ir para as ruas protestar, posso bater panela, mas jamais vou questionar sua autoridade, sua sabedoria, seu amor. Troca-se o representante, e tudo fica bem. Não vou lutar nunca contra o poder todo que você tem sobre mim, pai, pois sei que ele é legítimo e fruto da “vontade geral”. É um direito divino até. E sei que você só quer meu próprio bem.

É exatamente por esse motivo que, como homenagem nesse Dia dos Pais, vou te dar voluntariamente mais um pouco do que eu ganho de presente. Pensando bem, os quase 40% que você me toma (por amor) nem é tanta coisa assim, levando em conta tudo que me oferece em troca. Tenho bons meios de transportes, saúde excelente, segurança plena nas ruas: do que poderia reclamar? O pai da América faz muito menos por ela, e veja como ela vive em situação pior, sem todos esses cuidados do pai!

Obrigado por existir e por ser tão carinhoso e atencioso, pai. Meu papai Estado: quanto orgulho tenho de você! Continue sempre assim, importando-se com a minha vida dessa forma tão impressionante, dedicada. Valeu mesmo, pai.

Um beijo,

Povo Brasileiro.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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