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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Blog da Veja

Por que só os eleitores de Dilma deveriam bancar o aumento de impostos

“Eu nunca entendi por que é ‘ganância’ desejar preservar aquilo que você ganhou, mas não é ganância desejar tirar o dinheiro dos outros.” (Thomas Sowell)

Há basicamente três tipos de eleitores do PT hoje em dia: aqueles que sumiram do mapa, desapareceram, escafederam-se; aqueles que adotam ar blasé de indiferença, de superioridade, acima dessa disputa política mesquinha; e os vendidos mesmo, que continuam defendendo o indefensável em troca de esmolas estatais, Lei Rouanet ou cachê do Banco do Brasil.

Mas como a memória do brasileiro é curta, estamos aqui para refrescá-la: não faz muito tempo, esses eleitores do PT posavam de almas mais nobres, abnegadas, contra os “coxinhas” egoístas e gananciosos. Eles, ao contrário de nós, preocupam-se com os mais pobres, e provam isso votando no PT. Afinal, a oposição de “direita” iria tirar a comida dos mais pobres, subir preços, impostos, juros, lembra?

Estelionato eleitoral consumado e todos os vários alertas feitos por nós concretizados, eis que Dilma subiu preços, juros e agora quer aumentar nossos impostos. A turma do “eu avisei” não resiste, já que, de fato, nós avisamos. E como avisamos! Não foi por falta de aviso. Mas resolveram reeleger a “presidenta”, e agora deu nisso: todo mundo se ferrando. Vai sobrar até para os vendidos, pois as esmolas estatais vão escassear com a crise.

Diante desse quadro, restam a revolta e a ironia. Os que já sabiam da cagada que ia dar tiram sarro dos colegas que votaram na Dilma (e ainda não desapareceram de vez). Como podem ter sido tão otários? Desesperados com o iminente aumento de impostos, que vai ferrar de vez com o cidadão, os que votaram na oposição perguntam: não dá para aumentar imposto só dos eleitores da Dilma? Os “memes” tomaram conta das redes sociais, como esses:

 

dawson

 

petista

A sugestão é boa: em nome da justiça, quem foi trouxa deveria pagar o pato sozinho, e não arrastar todos juntos para o abismo. Aliás, vários “memes” na época da eleição clamaram justamente por isso, dizendo coisas assim: “se você quer se ferrar, tudo bem, mas faça isso sozinho, em vez de ferrar a nação toda”. Too late. Mas há ainda uma esperança!

Os próprios eleitores de Dilma e do PT resolverem matar no peito o aumento de impostos, e aliviar a barra dos eleitores do Aécio. Claro! Pensem comigo: eles são pessoas melhores, abnegadas, altruístas, que só pensam nos mais pobres, certo? E nós somos mesquinhos, gananciosos, egoístas, correto? Então qual maneira melhor de provar seu ponto do que assumir o fardo agora, e voluntariamente pagar do próprio bolso pelos recursos de que Dilma diz necessitar e não ter como cortar dos gastos?

Seria a forma perfeita de os petistas saírem da toca com dignidade, poderem voltar a  circular pelas ruas e pelas redes sociais. “Eu vou bancar esse aumento de imposto em nome do governo, da presidenta, dos mais pobres, pois não sou egoísta como você, seu coxinha! Vou assumir sua parte também, para provar que você não passa de um insensível capitalista burguês”. Seria coerente com o discurso. E um golpe de mestre!

Claro, é mais fácil um elefante cor de rosa com bolinhas azuis passar voando pela minha janela do que um petista fazer isso. Mas não custa tentar, não é mesmo? Se algum petista nobre e abnegado aceitar pagar por mim o aumento de imposto demandado pelo PT, eu prometo parar de atanazar sua vida, expor suas incoerências e sua hipocrisia, e esfregar na sua cara de pau que eu cansei de avisar que isso tudo iria acontecer caso Dilma fosse reeleita. Do we have a deal?

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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