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Amor, um remédio natural

Só quem já se apaixonou sabe o quanto gostar de alguém é bom. Mas nem sempre é assim e, quando passa da medida, o amor pode ser um vilão para a saúde

  • Rafaela Bortolin
Conversa e muito bom humor -Eles são casados há 21 anos, trabalham juntos e juram que não conseguem ficar longe um do outro um dia que seja. “Nossas discussões ficam reservadas para o trabalho. Em casa, é tudo na base do bom humor e da conversa”, comenta o empresário Antônio Nascimento. E a esposa, Rose, garante que todo esse amor faz muito bem à saúde. “Tive uma depressão muito forte e, se não fosse ele, não teria ficado bem. Ele me ajudou no momento em que mais precisei e mostrou que podemos superar qualquer problema juntos”, conta. A receita, segundo eles, é simples. “Muito respeito e confiança. Com certeza vou morrer apaixonado por ela”, diz o marido |
Conversa e muito bom humor -Eles são casados há 21 anos, trabalham juntos e juram que não conseguem ficar longe um do outro um dia que seja. “Nossas discussões ficam reservadas para o trabalho. Em casa, é tudo na base do bom humor e da conversa”, comenta o empresário Antônio Nascimento. E a esposa, Rose, garante que todo esse amor faz muito bem à saúde. “Tive uma depressão muito forte e, se não fosse ele, não teria ficado bem. Ele me ajudou no momento em que mais precisei e mostrou que podemos superar qualquer problema juntos”, conta. A receita, segundo eles, é simples. “Muito respeito e confiança. Com certeza vou morrer apaixonado por ela”, diz o marido
 
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Amor, um remédio natural

O coração dispara, as mãos ficam suadas, as bochechas ficam rosadas, surgem as famosas “borboletas” no estômago, você fica distraído e não consegue pensar em outra coisa. Você pode até tentar negar, mas não tem jeito: está complemente apaixonado. Um dos sentimentos mais celebrados pelos poetas e músicos, o amor e sua fase inicial, a paixão, viraram foco de pesquisas no mundo todo nas últimas décadas e as descobertas trazem uma boa notícia: amar faz muito bem à saúde. “Na medida certa, o amor não faz qualquer mal. Aliás, se pudesse receitá-lo aos meus pacientes para evitar ou atenuar certos problemas, com certeza seria uma das minhas primeiras recomendações”, garante Marcus Vinicius Malachias, cardiologista e presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

E Malachias não está sozinho neste tese. Segundo estudos recentes, se apaixonar é um excelente recurso para fugir de doenças graves, como a depressão. Isso porque alguns sinais da paixão são bem conhecidos, como taquicardia, respiração ofegante, frio na barriga, insônia e redução do apetite, mas há outros que são muito mais significativos. “Há um aumento da pressão arterial e a própria resposta imunológica melhora. Com isso, o corpo fica ainda mais protegido contra infecções e doenças”, explica a médica fisiologista e autora do livro Sexo, Amor, Endorfinas e Boba­ gens, Cibele Fabichak.

Segundo ela, o amor também faz bem porque, dentro do turbilhão de hormônios que se alteram durante a paixão, alguns têm sua quantidade aumentada, como a dopamina, a noradrenalina, as endorfinas, o cortisol, a testosterona e os estrógenos, elementos ligados à sensação de bem-estar, de felicidade e do desejo sexual. “Por isso, a paixão é um anti-depressivo natural, pois eleva o humor e amplia as sensações de prazer.”

Outro ponto positivo é que pessoas apaixonadas costumam dar mais valor à sua saúde e se preocupam em não ficar doentes. “O amor faz com que a pessoa fique mais feliz, a vida se torne mais interessante e ela descubra um motivo ainda mais forte para se cuidar e estar sempre ao lado de quem gosta”, comenta Lincoln Cesar Andrade, médico psiquiatra da Paraná Clínicas e do Centro de Estudos do Amor e da Sexualidade Humana (Cenasex).

Para quem acha que isso é coisa de pessoas românticas, a ciência já provou esses benefícios. “Um estudo mostrou que homens que se separavam e não se casavam novamente tinha uma diminuição na expectativa de vida porque, devido à tristeza pelo fim do relacionamento, ficavam mais deprimidos e menos resistentes a doenças”, conta Ailton Amélio da Silva, psicólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP).

Além desses benefícios, os especialistas garantem que amar vale a pena porque não tem contra-indicação. “A paixão causa alterações na glicemia e na pressão arterial, mas são modificações tão suaves que não podem prejudicar a saúde de pessoas que são hipertensas ou diabéticas, nem mesmo desencadear um problema desses em quem é saudável”, garante Cibele.

Quando tudo vira dor

O coração dispara, as mãos ficam trêmulas e suadas, as bochechas ficam rosadas... Os mesmos bons sintomas do amor podem ser acompanhados de respiração ofegante, ansiedade e angústia. O corpo fica todo dolorido, você sente uma dor que parece não ter fim e não consegue mais comer, trabalhar, se divertir ou dormir porque só pensa na pessoa amada por dias e noites inteiras. Se amar faz bem, sentir amor em excesso é doentio e faz muito mal à saúde. E se engana quem pensa que as consequências são só emocionais: facilmente o pico de estresse e nervosismo pode resultar em dores físicas.

“Há vários casos de pessoas que sentem tanta dor após o fim de um relacionamento que passam a somatizar sintomas e sofrem com crises de ansiedade, náuseas, insônia, falta de apetite, dores musculares e oscilação do humor e podem chegar a quadros de gastrite, alergias, cefaleia e depressão”, explica o médico neurologista José Geraldo Speciali.

Isso tudo pode acontecer quando o amor deixa de ser uma reação saudável para se tornar algo patológico e o carinho dá lugar à obsessão. “Em geral, essa fronteira entre a paixão e o transtorno é bastante difícil de ser identificada, mas quando o amor passa a atrapalhar a vida da pessoa e ela começa a magoar a si mesma, ao companheiro ou às pessoas próximas, está na hora de ligar o sinal de alerta e procurar a ajuda de um psiquiatra”, diz Andrade.

O médico psiquiatra e vice-presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria (SPP), Sivan Mauer, explica que, quando o amor acaba, a sensação é a mesma de qualquer outra perda que uma pessoa enfrenta na vida. “Ele gera um processo de luto e a dor faz parte do processo de superação, mas se a pessoa fica mais de seis meses sem conseguir se concentrar no trabalho, perde o interesse em se cuidar e se divertir, está sempre ansiosa e não consegue dormir, ela deixou de amar de maneira saudável.”

Isso é perigoso porque reações como essas causam um desgaste sério no organismo. “A pessoa fica suscetível a doenças, como resfriados e infecções, porque o estresse diminui sua imunidade e passa a ter hábitos não saudáveis, como não dormir e não se alimentar. É o caso clássico da pessoa que perde o cônjuge e morre ‘de tristeza’ porque o organismo fica debilitado com a perda”, explica Silva.

Menos dor

No mês passado, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos comprovou o que muitos médicos já sabiam: pessoas apaixonadas realmente sentem menos dor que as demais. A pesquisa foi feita com estudantes que viam as fotos de seus namorados, namoradas ou pessoas que consideravam atraentes enquanto um aparelho provocava leves dores em suas mãos. O resultado? Aquelas que viam as fotos sentiam menos dor que as demais.

“Isso acontece porque pessoas apaixonadas têm picos de liberação de endorfina, que são potentes analgésicos naturais, reduzem a sensação de dor e provocam uma certa amnésia no sistema nervoso. Você sabe que passou por um processo doloroso, mas não lembra o quanto isso doeu”, explica a médica fisiologista Cibele Fabichak.

Segundo Fabíola Minson, médica anesteologista e diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), outro ponto que contribui para isso é que pessoas apaixonadas geralmente ficam distraídas quando pensam ou veem o foco de seu amor.

“Um dos tratamentos mais potentes contra a dor é distrair o paciente para que ele pense em outras coisas e o amor é excelente para isso porque a pessoa passa a lembrar de seu namorado e esquece que tem algum problema. Com isso, engana o cérebro de maneira saudável e bastante prazerosa”, diz o médico neurologista José Geraldo Speciali.

Mas Cibele esclarece que o efeito não é assim tão poderoso. “O amor não chega a dispensar medicamentos, mas pode ser uma boa contribuição para reduzi-los”, comenta.

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