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Maria Eduarda passou a ter uma nova vida depois da bomba de insulina. Devido ao preço alto, Justiça determinou que Estado cubra os custos do seu tratamento |
Maria Eduarda passou a ter uma nova vida depois da bomba de insulina. Devido ao preço alto, Justiça determinou que Estado cubra os custos do seu tratamento
Tecnologia

Aparelhos mudam a vida de diabéticos

Apesar do desenvolvimento acelerado de novas formas de tratamento da doença, preço alto impede acesso dos pacientes aos equipamentos

Texto publicado na edição impressa de 09 de abril de 2012

Novas tecnologias – que vão de bombas de insulina com controle bluetooth a medidores de glicemia que se conectam a smartphones – têm mostrado que há maneiras mais confortáveis do que as velhas picadas de agulha para controlar a diabete, cujo tratamento dura a vida toda. Os novos equipamentos foram apresentados dia 23 de março no 2.º Congresso La­­tino-Americano sobre Controvérsias e Consensos em Diabete, Obesidade e Hi­pertensão, no Rio de Janeiro.

Um exemplo das novidades é a evolução rápida das bombas de infusão de insulina. Elas substituem as injeções, com uma bomba ligada ao corpo por um cateter e uma agulha, inserida na região subcutânea. O equipamento tenta imitar o funcionamento de um pâncreas comum, mas a cada refeição o paciente é responsável por informar a contagem de carboidratos e programar o aparelho.

O endocrinologista e editor de tecnologia do portal da Sociedade Brasileira de Diabetes, Marcio Krakauer, afirma que as bombas já são usadas há dez anos no Brasil, mas o número de pacientes que optam por ela é pequeno. “Temos mais ou menos 3 mil bombas sendo utilizadas no país, mas o ideal seria que esse equipamento atingisse 10% dos pacientes com diabete tipo 1, o que equivale a 10 mil pessoas.”

O chefe do serviço de en­­docrinologia pediátri­ca do Hospital Nossa Senhora das Graças, Mauro Scharf, se considera um entusias­ta das tecnologias. Ele esteve presente na 5.ª Conferência Internacional para Tecnologias Avançadas e Tratamento para Diabete, em Barcelona, em fevereiro, e voltou com várias novidades (leia mais ao lado). “A nova geração já nasce com essa facilidade de lidar com as novas tecnologias, o que possibilita uma autonomia maior”, diz.

Mas Scharf considera que o grande problema é a falta de acesso dos diabéticos a essas novidades. “Eles ficam felizes com as evoluções, mas para muitos o preço é inacessível. O maior problema não é o valor do aparelho, e sim as constantes manutenções”, diz.

Para Krakauer, da So­­cie­­dade Brasileira de Diabetes, o preço é uma das razões para que as bombas de insulina não sejam tão difundidas, mas afirma que existem barreiras dos próprios médicos. “É complexo o aprendizado de todos os parâmetros, por isso muitos médicos acabam nem indicando”, diz. Ele observa que a situação nos Estados Unidos é diferente, pois os seguros pagam o material. Lá, há cerca de 400 mil bombas sendo usadas por diabéticos do tipo 1.

Educação

As novidades não são apenas no controle da diabete. A educação também já entrou na era da tecnologia. “Temos vários aplicativos, tanto para o sistema iOS quanto para o Android, explicando o que é a doença, passando dietas e receitas”, conta Krakauer. Uma barreira para muitos brasileiros é o fato de a grande maioria desses aplicativos ser em inglês, mas já existem alguns em português.

Um desses aplicativos foi lançado na semana passada na Apple Store brasileira. O Diamigo, que foi idealizado com apoio de Scharf, promete ajudar em uma das tarefas mais corriqueiras dos diabéticos: a contagem de carboidratos. Com tabelas do De­­partamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, o paciente pode digitar o que vai comer e o aplicativo dirá a dose sugerida de insulina, de acordo com as recomendações médicas e a quantidade de carboidratos ingerida. O grande diferencial é que o programa é todo em português e gratuito, porém, por enquanto, só está disponível para o sistema iOS.

*A jornalista viajou a convite da Sanofi Brasil.

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