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Albari Rosa/Gazeta do Povo

Albari Rosa/Gazeta do Povo / No Hospital Erasto Gaertner, onde trabalha o radiologista Gustavo Antonik, um questionário deve ser preenchido para informar se o paciente não é alérgico a iodo No Hospital Erasto Gaertner, onde trabalha o radiologista Gustavo Antonik, um questionário deve ser preenchido para informar se o paciente não é alérgico a iodo
Procedimento

Aplicação de contraste traz risco de reação alérgica

Componentes usados em diagnósticos por imagem podem desencadear complicações no paciente. Avaliação prévia deve ser feita para que exame não seja prejudicial

16/05/2011 | 00:11 |
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Coceira, irritação, tontura e vômito. Essas são algumas das reações que podem ocorrer em quem faz diagnósticos por imagem. Isso porque muitas tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e raios X utilizam contrastes com elementos químicos como o iodo e o gadolínio, que ocasionalmente provocam efeitos colaterais nos pacientes. Em casos raros, podem até levar à morte.

O uso de contrastes é recomendado por radiologistas para tornar exames por imagem mais sensíveis. Em tomografias e raios X, o produto pode evidenciar problemas em regiões vascularizadas. O mesmo ocorre em ressonâncias – recomendadas principalmente para diagnósticos no crânio, coluna, abdome e articulações. Os contrastes são líquidos e incolores. Um pouco antes do exame, eles podem ser aplicados na veia ou, no caso dos iodados, administrado por via oral ou retal.

Diferenças

Substância iônica oferece mais dano à saúde

Os contrastes de iodo, usados em tomografias computadorizadas, podem variar entre iônicos e não iônicos. Os dois apresentam a mesma função. A diferença é a osmolaridade (quantidade de partículas dissolvidas no soluto), maior nos iônicos, o que pode provocar mais reações alérgicas. De acordo com o radiologista da Clínica de Diagnóstico por Imagem do Paraná (Cedip) Marcus Vinicius Gusmão Cabral, os contrastes iônicos são mais concentrados, o que aumenta a possibilidade de reação no corpo humano.

“É uma questão química, mas os contrastes iônicos são mais arriscados para o paciente.” Segundo Cabral, o preço dos contrastes de iodo não iônicos costuma ser um pouco mais alto do que o dos iônicos. “Em média, um custa metade do preço do outro, em torno de R$ 30 a R$ 60. Isso faz com que os laboratórios particulares adotem os contrastes não iônicos, para evitar problemas com os pacientes.” No Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, os contrastes mais utilizados são os iônicos.

Para o médico radiologista do Hospital Erasto Gaertner, Gustavo Antonik, isso não chega a ser um problema no atendimento dos laboratórios públicos. “Para uma reserva especial de pacientes idosos, crianças e pessoas propensas à alergia, são guardados estoques de contrastes não iônicos”. Para os demais, os efeitos colaterais acabam sendo um risco necessário.

Alergia

Os contrastes usados em tomografias são à base de iodo. De acordo com o médico radiologista Gustavo Antonik, do Hospital Erasto Gaertner, o mais comum é que os pacientes com alergia a esse elemento apresentem algum tipo de reação. “Eu realizo cerca de 40 tomografias por dia. Em média, apenas duas pessoas por semana apresentam reações, e leves, como urticárias e vômitos”, relata.

“Aplicamos um questionário antes dos exames para garantir que a pessoa não é alérgica a iodo. No caso de ela ser, recomendamos exames sem contrastes. O problema é que, nesses casos, o exame pode perder a eficiência”, explica Antonik. Mesmo assim, existe o risco de pacientes não alérgicos serem sensíveis ao contraste. “Outra coisa que pedimos a quem vai fazer uma tomografia é que faça jejum. Isso reduz o risco de vômito, que pode levar o paciente a aspirar secreções.”

Pessoas que precisam tomar o contraste para fazer uma ressonância magnética correm o raro risco de desenvolver fibrose nefrogênica sistêmica – enrigecimento dos tecidos –, que pode até matar. Isso se deve à presença do gadolínio, metal tóxico ao organismo que precisa ser eliminado do corpo. “Se o paciente não apresenta uma boa função renal, o produto acaba circulando pelo corpo. O que pode fazer mal”, diz o radiologista da Clínica de Diagnóstico por Imagem do Paraná (Cedip), Marcus Vinicius Gusmão Cabral. Apesar da possibilidade de morte, os casos registrados de fibrose por causa do gadolínio são raros. “É preciso ter cuidado com os contrastes em ressonância, mas em geral eles são mais seguros do que os contrastes iodados”, afirma Cabral.

No mercado existem diferentes tipos de contrastes com esse elemento que apresentam menos riscos de efeitos colaterais. “Um contraste recentemente lançado pela [empresa farmacêutica] Bayer para diagnósticos por imagem em doenças neurológicas, como a esclerose múltipla, reduz a possibilidade de desenvolvimento da fibrose sistêmica”, comenta o neurorradiologista da Santa Casa de São Paulo Antônio José da Rocha.

Confiança no médico

Apesar dos riscos de reações adversas, mesmo as mais leves, o paciente precisa confiar na recomendação de seu médico. Quem afirma é o diretor do laboratório Quanta Diagnóstico Nuclear, João Vítola, especializado em exames com radiotraçadores (material radioativo com uma função semelhante à do contraste).

“Todo exame médico é muito bem recomendado. Antes de encaminhar um paciente para uma tomografia ou a uma ressonância, o médico sempre pesa a relação risco-benefício”, afirma Vítola. De acordo com ele, os diagnósticos com uso de contraste podem ajudar a descobrir se o paciente tem alguma doença grave, como um câncer.

A dona de casa Anivalda Apa­­recida Stella, 36 anos, perdeu as contas do número de tomografias que fez nos últimos anos. Só em 2011 foram duas. Diagnosticada com câncer no retroperitônio (uma cavidade na região do abdome), ela afirma que nunca passou mal por causa dos contrastes. “Às vezes sinto calor e vontade de ir ao banheiro, mas nunca tive problemas maiores”, conta.

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