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Tecnologia

Robôs reabilitam pacientes

Equipamento inédito chega ao Brasil para auxiliar na terapia de pacientes com dificuldades motoras

12/04/2010 | 00:11 |
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Membros superiores

Joystick em mãos e braços

Além dos robôs que auxiliam a marcha, estão sendo desenvolvidos também aparelhos para membros superiores. Pesquisadores da Ufscar trabalham na criação de uma espécie de joystick que seria acoplado ao braço do paciente para a realização de exercícios. “A ideia é que depois isso possa ser usado por pacientes que sofreram um derrame ou uma fratura de punho”, explica o professor e pesquisador da Escola de Engenharia de São Carlos, Glauco Caurin.

Nos Estados Unidos, já está disponível um robô que é colocado como uma espécie de suporte no braço do paciente. “O robô suprime a ação da gravidade e permite que o paciente movimente o braço em todas as direções. Ao fazer os exercícios, a pessoa interage com uma espécie de vídeogame e tem de cumprir algumas tarefas como, por exemplo, pegar um ovo e quebrá-lo na frigideira. O interessante é que o robô reconhece o tanto de força empregada pelo paciente. Se ele põe pouca força, não consegue pegar o ovo; se põe muita, quebra. E com isso o médico consegue ir avaliando”, explica a fisioterapeuta Fernanda Romaguera, que fez parte da pesquisa de doutorado no Hospital Spaulding, ligado ao departamento de medicina física e reabilitação da Faculdade de Medicina de Harward.

Desafios

Interação com pacientes é o próximo passo

Pesquisadores de diferentes centros ao redor do mundo tentam encontrar maneiras de aprimorar ainda mais a tecnologia de equipamentos utilizados na reabilitação. O desafio, no momento, é conseguir construir sistemas com maior possibilidade de interação com o paciente. “O que tentamos fazer hoje é que o paciente seja estimulado pelo robô, mas tenha o controle do movimento. Ou seja, que o robô não realize o movimento por ele”, explica o professor Auke Ijspeert, que coordena as pesquisas no laboratório de biorrobótica, na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça.

Aqui no Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no interior de São Paulo, trabalham na mesma linha de pesquisa. O projeto começou no ano passado e tenta tornar a terapia mais atrativa. “Estamos estudando a aplicação de jogos virtuais junto com os exercícios, para que o paciente tenha um estímulo a mais na hora de realizar os movimentos. Claro que isso seria feito com base em um protocolo determinado por um fisioterapeuta, que determinasse tanto a força como o movimento a ser executado”, explica o professor e pesquisador da Escola de Engenharia de São Carlos, Adriano Siqueira. A equipe também trabalha para tentar tornar a programação do aparelho mais simples. Hoje o tempo de programação do Lokomat para cada paciente é de, pelo menos, 30 minutos.

Ao pensar em robôs, a primeira referência que vem à mente são os comuns em filmes ou desenhos animados: os humanoides, que se assemelham muito ao biótipo humano, e ora ajudam em tarefas domésticas ora aparecem como vilões que tentam exterminar a humanidade. No entanto, por enquanto, a realidade da robótica está bastante distante do que mostra o cinema. Muitas pesquisas, mais do que tentar criar máquinas à imagem e semelhança do ser humano, buscam maneiras de criar novas tecnologias ou aprimorar sistemas que já existem. Uma área da robótica que vem apresentando grandes avanços nos últimos anos diz respeito às aplicações na medicina. O uso de robôs em tratamentos e cirurgias é uma das grandes promessas para as próximas décadas. Dentro dessa linha, a utilização de máquinas na reabilitação de pacientes é algo que já vem mostrando resultados animadores.

No início deste ano, chegou ao Brasil um robô inédito que ajuda na recuperação de pacientes que tiveram a capacidade de andar prejudicada. O aparelho, em uso na Associação de Assistência à Criança Deficiente, em São Paulo, auxilia na melhora do condicionamento motor e aprimora o padrão de marcha. Os primeiros pacientes começaram a ser tratados com o auxílio do Lokomat no início de março. “Estamos utilizando a nova tecnologia no tratamento de pacientes neurológicos. São pessoas que sofrem de paralisia cerebral, ou que tiveram alguma lesão encefálica como um derrame, ou ainda algum trauma de crânio ou lesão medular incompleta”, explica a médica fisiatra Glaucia Somenski.

Segundo ela, ainda é cedo para avaliar qualquer melhora no desempenho dos pacientes, mas a expectativa é que o aparelho reduza o tempo de terapia. Além disso, uma outra grande vantagem do equipamento está em facilitar o trabalho dos fisioterapeutas. Sem o robô, eram necessários até três profissionais para dar suporte ao paciente e ajudá-lo a realizar os movimentos nas barras. Com a máquina, apenas um profissional consegue controlar os exercícios. “O aparelho tem ainda a vantagem de que o paciente estar totalmente monitorado. Ele informa se o movimento está sendo feito da forma correta, se a força aplicada está adequada”, explica.

Embora agilize a terapia e facilite o trabalho dos profissionais envolvidos, tanto os pesquisadores em robótica como os fisioterapeutas acreditam que a máquina não substituirá o especialista. “Sempre será necessário alguém para avaliar as necessidades do paciente, o tempo de exercício, a velocidade e a direção do movimento. O objetivo não é substituir o fisioterapeuta, mas facilitar o trabalho dele”, defende o professor e pesquisador em robótica da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, Auke Ijspeert.

* A repórter visitou os laboratórios de robótica da Escola Politécnica Federal de Lausanne a convite do projeto Relate,

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