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Valquíria se divide entre a sociedade em duas empresas, dois filhos pequenos e a gravidez. A saída para dar conta é o convívio famíliar e a prática de exercícios |
Valquíria se divide entre a sociedade em duas empresas, dois filhos pequenos e a gravidez. A saída para dar conta é o convívio famíliar e a prática de exercícios
Especial

Doenças do trabalho

Problemas comportamentais e psicológicos são os maiores vilões da saúde do trabalho, superando até mesmo dores musculares e de articulações

Doenças do trabalho Ampliar

A empresária Valquíria Pam­plo­­na tem uma rotina atribulada. Ela acorda às 8 ho­ras, toma café com os dois filhos e dá uma caminhada. Das 9 às 11 horas tranca-se no home office para trabalhar e, de tarde, visita empresas clientes. Em todos os momentos do dia ela está ligada ao trabalho. “Fico conectada à internet o tempo todo e, sempre que abro meu e-mail, tenho pelo menos 50 mensagens para ver e responder”, diz ela.A publicitária revela que só consegue ter saúde nesta rotina atribulada porque além do trabalho ela reserva um espaço para o convívio familiar e as caminhadas. Mas para quem não consegue achar seu ponto de equilíbrio, esta tendência atual do trabalho expandido e sem limites – de espaço e de horário – vem sendo a causa principal de estresse e de outros problemas.As consequências deste novo modo de vida se apresentam em números. Os transtornos mentais e comportamentais, como a depressão, o transtorno bipolar e a esquizofrenia, tiveram um acréscimo de mais de 12% na quantidade de auxílios acidentários concedidos pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de janeiro a novembro de 2008 em relação a igual período de 2009. Enquanto isso, os concedidos por lesões, envenenamentos e outras consequências (como entorses e fraturas) tiveram uma queda em torno de 10% e os por doenças osteomusculares (que incluem as tendinites) caíram mais de 13%.

De acordo com pesquisa da In­­ter­­national Stress Management Associa­tion Brasil (Isma-BR), 70% dos brasileiros sofrem de sequelas decorrentes do estresse profissional. Entre algumas delas, estão dores, cansaço crônico e depressão. Desse total, 30% estão no nível mais elevado, configurando a chamada síndrome de burnout.

Prevenção

“As pessoas têm que estabelecer limites”, explica Ana Maria Rossi, doutora em Psicologia Clínica e presidente do Isma-BR. “Elas têm que se dar conta de que sempre existe uma opção. As pessoas querem qualidade de vida, mas não querem perder nada. A saúde é o único bem insubstituível”, diz.

Ela lembra que o estresse (que não é uma doença, mas um processo de adaptação) acaba se tornando importante porque abre caminho para ou­­tras doenças, ao enfraquecer o sistema imunológico.

E as mulheres são as mais atingidas. O ortopedista e cirurgião de mão, Adilson Seidi Suguiura, lembra que a maior incidência de doenças inflamatórias das mãos acontece entre o público feminino, “talvez pela questão hormonal ou por terem uma estrutura muscular menos resistente. Além disso, elas trabalham, mas não deixam de lado as tarefas de mãe e seus afazeres domésticos.”

Zuher Handar, consultor da Or­­ganização Internacional do Trabalho (OIT) e diretor científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), explica que quando o trabalhador procura o médico com alguma queixa, “ele ou a equipe de saúde deve sempre, durante a anamnese, pesquisar a história laboral do paciente para poder avaliar se as queixas ou mesmo a doença tem alguma relação com a atividade laboral que vem desenvolvendo. Isto já foi dito e recomendado pelo médico italiano Bernardino Ramazzini, em 1700.”

Segundo Handar, a melhor medida de prevenção contra as doenças laborais ainda é agir na causa, transformando o processo envolvido no trabalho. Ele diz que para atividades que impõem repetição de movimentos, posturas inadequadas ou que exigem muita atenção, as pausas são importantes. “A prevenção pode ser a mudança de atividades e a rotatividade nas tarefas. Fazer alongamento ou ginástica laboral é importante desde que seja bem orientada”, afirma.

Respeito e confiança

Alba Maria Torres, consultora de Treinamento e Desenvolvimento de Líderes, acredita que as empresas vêm se adaptando para propiciar mais qualidade de vida aos seus colaboradores. Ela afirma que o verdadeiro líder cria um ambiente que viabiliza aos trabalhadores cuidarem de si e dos outros, sem medo de punição.

Alba orienta que o líder, ao perceber o desânimo do funcionário, deve chamá-lo para conversar. “É importante ele sinalizar que percebeu o que está acontecendo”. Em um segundo momento, se a perda de prazos e qualidade continuar, deve haver uma nova conversa – no período máximo de um mês a contar da primeira – e a sugestão de procurar o serviço médico da empresa. “Tive uma situação de desânimo de um funcionário que foi ao serviço médico e estava com uma forte anemia, foi tratado e melhorou”, conta.

O acompanhamento mais de perto por parte do líder é essencial. Ela ressalta que o respeito e a confiança são as palavras-chave para um ambiente saudável para os funcionários. “Deve haver respeito. A empresa precisa praticar os valores que prega. O funcionário também deve ter a confiança suficiente no líder para dizer a ele que algo não vai bem.”

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