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Tecnologia

Impressoras 3D são usadas para fabricar próteses

Custo de próteses e de guias cirúrgicas devem cair quando impressoras forem popularizadas

  • Yuri Al’Hanati
Em Curitiba, a empresa Neodent faz implantes dentários a partir de um molde virtual da boca, feito em impressora 3D |
Em Curitiba, a empresa Neodent faz implantes dentários a partir de um molde virtual da boca, feito em impressora 3D
 
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Se existe hoje algo muito próximo da ideia utópica de um século 21 completamente imerso em tecnologias do futuro, certamente é a impressora 3D. O aparelho, que fabrica itens a partir de camadas sobrepostas de resina de plástico, se popularizou domesticamente nos últimos anos e tem seu uso estudado para a área de saúde. Próteses e guias cirúrgicas são exemplos do que essas máquinas, que custam cerca de 300 dólares nos Estados Unidos e de R$ 3 mil a R$5 mil no Brasil, podem fazer.

Em Curitiba, a empresa Neodent utiliza o artefato para fazer implantes dentários, com a técnica CAD/CAM (siglas de Computer Aided Design – Projeto Assistido por Computador e Computer Aided Manufacturing – Fabricação Assistida por Computador). O gerente de engenharia Alexsander Luiz Golim explica que, por meio de uma tomografia do paciente, é possível fazer um molde virtual da boca, e imprimi-lo na impressora. “É uma peça assimétrica e única, e pode ser utilizado de guia para a cirurgia. Temos um software que posiciona virtualmente os implantes na boca do paciente, fazendo um planejamento cirúrgico no computador”. A técnica, batizada de Neoguide, reduz o tempo de cirurgia de implante em 65%, de acordo com Golim, e com um custo relativamente baixo: uma guia dentária sai por menos de R$ 500. “Ela é muito mais precisa. Antes o dentista precisava abrir toda a gengiva do paciente até achar o osso, então fazer furos aleatórios e aí fazer o implante. Com a guia, a máquina já sabe exatamente onde fazer os furos”.

Já a prótese feita por impressora 3D é a grande paixão do engenheiro eletrônico Gustavo Brancante, que fabricou uma mão biônica impressa que se movimenta por meio de eletrodos que captam o movimento dos músculos do braço. Para ele, o custo é uma das principais vantagens da prótese impressa. “Obviamente as empresas fabricam peças com materiais melhores, mas o plástico da impressora também é bom e pode ser utilizado. Hoje, uma prótese é muito cara se comprada no mercado, pode chegar a R$ 100 mil, ao passo que na impressora a produção é barata”. Segundo ele, um quilo de resina para impressora custa no Brasil entre R$ 100 e R$ 150, e uma prótese de mão usa, em média, 800 gramas do material.

A possibilidade de imprimir o ser humano

Outra realidade que está cada vez mais próxima é a impressão de tecidos humanos vivos para reconstituírem partes do corpo. A empresa americana Organovo é pioneira na área, e já imprime tecidos hepáticos, cujas reações a doenças e fármacos podem ser estudados por médicos. O primeiro tecido comercializável deve ser lançado em 2014, segundo o vice-presidente executivo Mike Renard. Ele explica que os tecidos são impressos utilizando células vivas, precisamente depositadas pela impressora. “Nosso maior desafio, construindo tecidos pequenos, é garantir as fontes celulares corretas para o design. Já para tecidos maiores, a dificuldade é construir um sistema vascular e capilar que permita que o tecido se expanda [uma vez implantado]”, explica. Tecidos pulmonares, ósseos, musculares, cardíacos e nervos periféricos são outras partes do corpo humano já desenvolvidas pela Organovo, mas que ainda estão em fase de testes.

No Brasil, o Centro de Tecno­logia da Informação Re­nato Archer, em Cam­pinas (SP), trabalha com o estudo da produção de órgãos impressos. Rodrigo Rezende, que é pesquisador na área de bioimpressão do CTI, explica que o processo de produção tem três etapas: “Primeiro, elaboramos o blueprint, que é o esquema do órgão a ser fabricado. Depois, imprimimos, utilizando esferoide tecidual, que são conjuntos de células envolvidos em um hidrogel dentro de uma esfera de 200 micrômetros de diâmetro. Por último, o tecido ou órgão passa um tempo de maturação em um biorreator, que catalisa o processo de adaptação para ser implantado”.

A bioimpressão também se vale da impressão 3D inorgânica. “Há pequenas estruturas esféricas ocas (lockyballs), que são do mesmo tamanho dos esferóides teciduais e grudam uma na outra por ganchos, como velcro. Elas são impressas em 3D com precisão microscópica. A ideia é colocar os esferóides dentro delas para dar liga ao implante. O corpo absorve essas esferas depois”, explica Rezende. Tudo isso, porém, ainda está em fase de estudo, e apenas algumas amostras foram criadas até agora.

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