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inverno

Os riscos do catarro em excesso

Ter um pouco de secreção é normal, mas a grande quantidade, a cor forte e a densidade são sinais de que algo está errado

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O inverno chegou e, com ele, o aumento de um sintoma comum no cotidiano das pessoas: o catarro. O frio somado à baixa umidade do ar e a uma maior concentração de poluentes contribui para o acréscimo de secreção na garganta, o muco popularmente chamado de catarro. Sua função é proteger e filtrar as vias respiratórias e sempre circular pelo organismo, mesmo quando a pessoa não está doente. Nesta época do ano, é preciso ficar atento à quantidade, densidade e cor do catarro produzido pelo organismo. O excesso pode confirmar o diagnóstico de doenças pulmonares, entre elas a pneumonia e a tuberculose.

Segundo o pneumologista João Adriano de Barros, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a cor do catarro revela o grau de infecção do doente. “Quando o paciente tem pigarro com coloração amarelo esverdeado, por exemplo, confirma uma infecção bacteriana. É a cor da secreção que define a presença de vírus, bactérias e fungos”, explica.

Além da coloração, a quantidade determina se a pessoa está ou não com algum tipo de problema de saúde. De acordo com Barros, doenças respiratórias, como a sinusite e a rinite, sempre aumentam a secreção do muco. “Asma, amidalite, bronquite, gripe, pneumonia e resfriado, todas elas aumentam a quantidade de catarro produzida pelo corpo”, destaca, acrescentando que essas doenças geralmente provocam congestionamento nasal.

Como eliminar o muco

Os sinais de excesso do muco iniciam de um a três dias após um resfriado ou uma doença respiratória. Geralmente, o catarro tem um ciclo de sete dias. Segundo a médica Daniella Porfírio Nunes, do Hospital Sugisawa, caso a secreção permaneça por mais que esse período, um antibiótico pode ser receitado pelo médico. “O mais importante é descobrir a causa, para dar um tratamento adequado”, diz.

Ainda que no meio social eliminar o catarro não seja um indicativo de boas maneiras, Barros aconselha às pessoas a expelir o muco sempre que as circunstâncias forem favoráveis. “Quando se escarra, há a certeza de que a infecção está sendo colocada para fora do organismo. O importante é eliminar a secreção, que não pode ficar retida no pulmão”, comenta o médico.

De acordo com ele, engolir a secreção não desencadeia problema de saúde ao organismo. “Há mitos de que, se o paciente a engole, a substância pode causar reumatismo ou pneumonia. Isso não é verdade. Quando o catarro é engolido, ele vai demorar mais tempo para sair do corpo. Essa é a diferença.”

Os expectorantes são utilizados, normalmente, para estimular a tosse e a saída do catarro. Se­­gundo Barros, eles facilitam a saída do muco dos pulmões, mas só podem ser usados em casos mais complicados, como uma tuberculose. “São remédios perigosos e, se usados em excesso, fazem mal à saúde”, alerta.

Xaropes e chás também são considerados expectorantes. Na avaliação do pneumologista, a bebida dá uma sensação de conforto ao pa­­ciente, entretanto não cura a doença. Alguns, como o guaco, são auxiliares no tratamento de resfriados porque ajudam a diminuir a densidade do catarro e sua eliminação. “O xarope não vai ser o principal medicamento que vai atuar no combate à infecção. Antes de tomá-lo, o paciente precisa saber a causa do excesso de catarro”, explica a farmacêutica da Her­ba­rium Ana Carolina Cavassen Asbahr.

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