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Especial

Quando a preocupação com a saúde vira doença

Caracterizada como um medo exagerado de ter um problema de saúde, a hipocondria atinge de 4% a 9% da população. Família deve ficar atenta a sinais, já que os pacientes não percebem que passaram do limite

Texto publicado na edição impressa de 08 de fevereiro de 2012

A preocupação começa aos poucos: um dia, a pessoa percebe uma dor no peito e acha que o coração não está batendo direito. Com o passar do tempo, ela sente que as palpitações aumentaram e o medo de ter um enfarte chega a impedi-la de sair de casa. Detalhe: tudo isso depois de vários exames e incontáveis visitas a consultórios médicos garantirem o diagnóstico de que não há qualquer problema físico que justifique tanta preocupação. Mas não adianta: para o hipocondríaco, a doença está ali, instalada, e ele vive numa contagem regressiva até que ela se manifeste.

Esse é apenas um exemplo de como a hipocondria pode se manifestar e comprometer o dia a dia do paciente. Os números não são precisos, mas estima-se que entre 4% e 9% da população mundial tenha o distúrbio, caracterizado por um medo e uma crença exagerados de que a pessoa tem um problema sério de saúde. As doenças são as mais variadas: de problemas cardiovasculares a câncer, passando por aids, Alzheimer e infecções.

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“Todos nos preocupamos com a nossa saúde, mas no hipocondríaco isso passa do limite e esse medo não deixa de existir mesmo quando o médico, com ou sem exames, assegura que não existe doença”, explica o psiquiatra e gerente médico da Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida (Uniica), Élio Luiz Mauer.

Segundo Mauer, um ponto importante para o diagnóstico da hipocondria é que essa preocupação exagerada exista há pelo menos seis meses. “Todos temos uma dorzinha aqui ou ali de vez em quando, mas, da mesma forma que ela aparece repentinamente, desaparece sem explicação e não representa um problema de saúde.” A pessoa comum não se preocupa com isso. O hiponcondríaco, sim e só consegue pensar no pior.

“A pessoa sem hipocondria confia no diagnóstico médico e deixa de se preocupar quando os resultados dos exames são negativos, enquanto o hipocondríaco monta uma série de teorias para justificar a continuidade de sua preocupação”, comenta Tonio Luna, psicólogo, psicoterapeuta e coordenador da Comissão de Psicologia Ambi­ental do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR).

Como não se convence com o diagnóstico médico, o hipocondríaco costuma marcar consultas médicas frequentes – e desnecessárias – com vários profissionais na busca por um que faça o diagnóstico que ele considera correto, prescreva medicação e até sugira procedimentos cirúrgicos.

Em casos extremos, a preocupação é tanta que começa a comprometer a vida normal da pessoa. “Há situações em que a hipocondria se torna incompatível com a vida. O paciente perde toda sua vida emocional e mental, compromete seu trabalho, não consegue sair de casa, conviver com outras pessoas ou fazer esportes e passa a viver em função desse medo da doença. São 24 horas por dia falando, pesquisando e sofrendo com a doença”, explica Hamilton Grabowski, médico psiquiatra e consultor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Aceitação

Segundo Grabowski, há uma dificuldade de fazer o diagnóstico de hipocondria porque boa parte das pessoas com o problema não identifica os sinais da doença e a maioria se recusa a fazer tratamento psiquiátrico. “O argumento mais frequente é que ela não precisa de acompanhamento porque o problema dela é físico, não psiquiátrico.” Nesse ponto, o papel da família e das pessoas próximas, de maneira a identificar os exageros na preocupação com a saúde, é essencial.

Causas ainda são desconhecidas

Mesmo com pesquisas na área, ainda não se sabe quais são as causas da hipocondria. Mas, na maioria dos casos, são perceptíveis associações com quadros de ansiedade, depressão e síndrome do pânico. Em outros, há uma relação estreita com situações vividas no passado, como histórias de contato com problemas de saúde durante a infância, questões psicológicas não resolvidas ou mesmo viver em famílias cujos integrantes tinham preocupação exagerada com questões de saúde.

“Todos somos produto da genética. Ela também influencia, mas, como todos os problemas psiquiátricos, a hipocondria é gerada por uma somatória de fatores que ainda não identificamos exatamente”, diz o médico psiquiatra Élio Luiz Mauer.

Prevenção

Segundo o psicólogo Tonio Luna, não há formas de prevenir a hipocondria, mas o ideal é que os pais fiquem de olho no perfil da criança desde os primeiros anos de vida. “Se os adultos exageram na preocupação com a saúde, a criança segue o exemplo e isso abre portas para um quadro hipocondríaco. Aos primeiros sinais, como reclamações frequentes e sem justificativa, é bom procurar um profissional.”

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