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Dilmeire levou um ano após o início dos sintomas para confirmar, num exame de retina, que seu índice de TSG estava alto |
Dilmeire levou um ano após o início dos sintomas para confirmar, num exame de retina, que seu índice de TSG estava alto
prevenção

Tireoide preguiçosa dá sono

Mais de 12% das brasileiras acima de 35 anos têm hipotireoidismo, que predomina entre as mulheres. Cinco milhões são afetados pelo problema e não sabem

Texto publicado na edição impressa de 23 de agosto de 2010

Tireoide preguiçosa dá sono Ampliar

Depois de uma temporada fora do país para terminar o doutorado, a professora Dilmeire San­tanna Ramos Vosgerau começou a se sentir “esquisita” logo que retornou. Tinha muitas dores no corpo, só queria saber de dormir nos fins de semana, sentiu a pele ressecada, engordou 10 quilos e não dava mais conta das corridas que fazia três vezes por semana. Pa­s­­sado um ano, descobriu num exame de sangue de rotina indicado pela ginecologista que seu índice de TSH (hormônio tiroestimulan­­­te) estava nas alturas, indicando hi­­potireoidismo, disfunção na glân­­­dula tireoide que produz dois hor­­­­mônios importantes para o bom funcionamento do metabolis­­­mo, o T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina).

“Fiquei assim por muito tempo, achando que iria entrar na menopausa. Cheguei até a comprar outro tênis para correr, achando que as dores eram por causa disso”, conta Dilmeire. A dificuldade de prestar atenção nos sintomas é um dos principais problemas para detectar a doença. “As causas são pouco definidas, por isso as pessoas muitas vezes levam anos até descobrir o problema”, diz a vice-presidente do departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professora da Universi­­dade de Campinas (Uni­­camp), Lau­­ra Ward.

Durante lançamento da campanha “Mulher sem falta”, no último dia 17, em São Paulo, que pretende orientar para a importância do diagnóstico precoce, a médica disse que os problemas de tireoide são cada vez mais comuns. “É até cinco vezes mais frequente na mulher do que no homem e também está quase sempre relacionado com pessoas que tem o colesterol alto. Porém ainda não se sabe ao certo o motivo de afetar mais mulheres do que homens, alguns estudos su­­gerem relações com hormônio feminino”, explica Laura.

No Brasil, estudo realizado em 2007 pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e publicado na revista Clinical Endo­cri­nology mostrou que 12,3% das mulheres brasileiras com mais de 35 anos têm hipotireoidismo. Outro dado preocupante é a falta de diagnóstico: estima-se que cerca de 5 mi­­lhões tenham o problema e não saibam (cálculo com base em compilação de dados do Insti­tuto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além da herança genética, o diabete, o colesterol alto e a exposição à radiação, principalmente no pescoço, são fatores de risco para desenvolver a doença. Há ainda outro problema bem conhecido que está diretamente relacionado com o hipotireoidismo. “Em 80% dos casos, a depressão é recorrente. Muitos pacientes que se tratam com antidepressivos não respondem ao medicamento justamente por que têm a doença”, salienta a chefe do serviço de endocrinologia e metabologia do Hospital de Clínicas do Paraná e professora da UFPR, Gisah Amaral de Carvalho. Isso porque o T3 (triiodotironina) age no sistema nervoso e estimula a produção de hormônios como noradrenalina e serotonina, que regulam o humor.

O uso frequente de produtos químicos, o consumo em excesso de alimentos industrializados, a falta de exercícios físicos e o pouco consumo de iodo (no Brasil, presente no sal de cozinha) são hábitos que contribuem para desenvolver a doença. O crescimento de câncer na tireoide, de acordo com especialistas, é outro dado preocupante. De 2002 para 2007, o número saltou de 3,9 casos para 14 casos a cada grupo de 100 mil mulheres.

“O envelhecimento da população e a maior exposição à radiação e a ondas eletromagnéticas são causas de frequência maior. Porém o câncer evolui lentamente e geralmente é descoberto no início”, diz Laura. Pequenos nódulos na tireoide, porém, são comuns com o envelhecimento, por isso as médicas explicam que saliências não são indicativo imperativo para a neoplasia, e que são retirados somente se ocasionam algum problema para a respiração.

Tratamento

A pessoa com hipotireoidismo consegue normalizar os índices de hormônios e levar a vida normalmente, sem nenhum sintoma, fazendo uso de medicação contínua que faz a reposição do hormônio T4. Gisah salienta que, apesar de simples, a adesão ao tratamento ainda é um complicador. “As mulheres se sentem mal de depender de alguma coisa para a vida toda ou pelo risco de esquecer”, diz. A dosagem varia de acordo com o peso e o nível de TSH, indicada pelo médico endocrinologista, e deve sempre ser ingerida em jejum. “Já existem outras formas sendo estudadas, mas o remédio é a melhor relação custo-efetividade”, frisa Laura Ward.

Para diagnosticar, além do autoexame e do ultrassom, que detectam nódulos, a melhor indicação é a dosagem do TSH, que pode ser feita em exames de sangue de rotina. Laura salienta, porém, que as pessoas que desconfiam ter a doença, que há 60 anos era conhecida como “síndrome da dona de casa cansada” na literatura médica, não devem se assustar. “Não saia por aí achando que qualquer sintoma já pode ser hipotireoidismo, mas fique atento e na dúvida procure um médico.”

Serviço: A campanha “Mulher sem Falta” tem um site com os principais sintomas, tratamentos e dicas de especialistas: www.mulhersemfalta.com.br

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