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Contaminação

Uso de formol ainda é corrente

Descoberta de que o produto químico foi usado para adulterar leite reacende alerta sobre o uso inadequado da substância

  • Vanessa Fogaça Prateano
Empresas de laticínios verificam qualidade de amostras de leite antes de o produto ser descarregado |
Empresas de laticínios verificam qualidade de amostras de leite antes de o produto ser descarregado
 
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Após a denúncia da presença de formol no leite adulterado por transportadores no Rio Grande do Sul, feita após investigação da Operação Leite Compensado, do Ministério da Agricultura, autoridades de saúde voltam a fazer o alerta sobre o contato ou uso contínuo da substância pela população, o que traz uma série de prejuízos à saúde, entre eles a pneumonia química e até tumores. Atualmente, há normatização específica que limita a concentração do formol em vários produtos que o utilizam em seu processo de fabricação – a maioria deles cosméticos –, mas procedimentos de beleza como as técnicas de alisamento, proibidas pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) por não respeitar a concentração máxima, ainda são correntes no país.

Em relação ao leite, as autoridades médicas afirmam que não há risco à saúde de quem foi vítima da adulteração e chegou a consumir o produto. “É importante alertar que a exposição aguda ao formol, em pequenas quantidades, não causa câncer. Não há razão para pânico. O risco está numa exposição crônica, como no caso das escovas progressivas, que utilizam uma concentração altíssima de formol”, explica o professor de Medicina da Universidade Positivo (UP) Edison Brum. Até mesmo na área médica, em que o produto é utilizado para conservação de peças anatômicas e na limpeza de equipamentos, o médico afirma que está havendo a substituição do formol por outros produtos, para evitar a exposição.

No caso do leite, o formol não era a substância principal adicionada, e sim a ureia, que estava contaminada com resíduos do primeiro. Porém, mesmo não causando riscos à saúde quando diluído, o formol não é um produto natural de alguns alimentos, nem deve estar presente durante a fabricação ou transporte dos produtos, justamente pelo risco da exposição crônica do indivíduo à substância. De acordo com a professora do curso de Engenharia de Alimentos Cinthia Spricigo, há empresas transportadoras que adicionam formol ao leite para evitar a sua decomposição até a chegada à usina de beneficiamento, mas que isso constitui fraude.

Alisamento eleva risco de câncer

O formol, ou formaldeído, é considerado um agente com potencial cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2004, após estudos conduzidos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada ao órgão. As pesquisas comprovaram que pessoas expostas ao formaldeído de forma crônica e em altas concentrações têm maior probabilidade de desenvolver câncer de boca, nariz, garganta e das células brancas do sangue, a leucemia mieloide.

“O formol, de acordo com a OMS, é um carcinogênico do grupo 1, que é o grupo dos produtos com maior poder de causar câncer. Têm o poder de causar anomalias também durante o processo de reprodução humana, durante a gravidez. A exposição ao formol puro, em forma de gás ou líquido, faz com que as células que entram em contato com o produto sofram mutação genética, que pode levar a tumores”, explica o diretor dos laboratórios de Vigilância Sanitária e Ambiental do Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), Daniel Altino de Jesus.

No Brasil, o maior problema envolve o uso do produto em escovas progressivas para o alisamento do cabelo, o que é proibido pela Anvisa. Não há qualquer produto nessa área com registro na agência, já que a concentração máxima permitida em produtos cosméticos no país é de 0,2% e, para obter o efeito alisante, a escova progressiva precisa utilizar o formol com concentração mínima de 37%.

Composição

Saiba quais produtos e atividades utilizam formol:

Cosméticos

Há grande quantidade de produtos que contém a substância, usada como conservante, entre eles xampus, cremes para cabelo, loções para a pele, desodorantes e produtos de banho, além de fortificantes de unhas. Como conservante, a concentração máxima permitida é de 0,2%. Como fortificante de unhas, a Anvisa permite a concentração máxima de 5%.

Hospitais, laboratórios e IMLs

Por sua função bactericida, o formol é muito utilizado para a preservação de cadáveres, tecidos e peças anatômicas, além de ser usado para a limpeza de equipamentos.

Alimentos

O formol não é utilizado na fabricação de alimentos, mas pode sofrer contaminação durante o processo de envase, por combustão ou ainda durante o plantio, pelo uso de fumigantes.

Cigarros

O formol está presente na fumaça expelida pelo cigarro e aspirada por fumantes ativos e passivos, normalmente numa concentração de 60 a 130 mg/cm³.

Fonte: Anvisa; Inca.

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