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obituário

Hélio Luiz Ribeiro: o eterno garoto responsável

 | Arquivo da família/
(Foto: Arquivo da família/)

Os cabelos e bigodes grisalhos de Hélio Luiz Ribeiro apareceram cedo demais e escondiam uma pessoa muito mais jovem do que seus 59 anos denunciavam. Se alguém o chamasse de velho [não era, longe disso], um xingamento viria com o mesmo vigor e disposição que mantinha sempre que um amigo precisasse. Hélio mantinha uma rotina familiar simples, sempre estava rodeado de amigos e não podia deixar de ajudar os filhos. Nos últimos dois anos, ajudou a construir um sonho da sua filha, Thaynã Ribeiro Gonçalves: a criação de um buffet infantil. O estabelecimento era um ponto de parada constante na sua rotina no último ano.

O legado, no entanto, foi muito além do material. Conseguiu emplacar uma carreira com mais de 30 anos de serviços prestados à Perfipar – empresa especializada em manufaturados de aço –, onde os laços de amizade foram um dos seus pontos fortes. Funcionário exemplar, sempre foi admirado e manteve-se fiel ao trabalho e aos colegas até o último dia em que deixou seu cargo como gerente de uma das filiais para começar a aposentadoria tão esperada.

“Meu pai não tinha muitos amigos, mas os que tinha eram amados como ninguém. Meu pai sempre liderou um lar com muito amor. Ele não teve muito dinheiro, mas conquistou o que tinha com humildade e honestidade”, destacou o filho, Thiago Ribeiro.

Era uma espécie de amigo para toda hora. Com seu jeito extrovertido, um sorriso ou uma brincadeira, cativava a todos. Estava sempre disposto a ajudar o próximo e a se doar pelo seu semelhante.

O tempo livre, já na aposentadoria, era preenchido logo cedo, ajudando os filhos e a esposa. Não sabia acordar tarde, mas adorava uma sesta após o almoço. Era obcecado por arrumação. Adorava carros e empadão de camarão. Não conseguia ficar parado. Não gostava nem tolerava uma casa bagunçada. Ela poderia apenas ser justificada pela presença dos amigos.

Com eles ou sozinho, queria mesmo manter em volume máximo as músicas de suas bandas de rock´n roll favoritas – Rolling Stones e Pink Floyd. Ah, se o rock estivesse a sua altura, o mundo parava e o prazer começava. Ele sabia o que era bom.

“Passava horas na frente do aparelho de som, ouvindo de tudo, rock, rap, samba, MPB. Para ele, um som, uma cerveja e um cigarro eram motivos de alegria e satisfação”, comentou.

Não deixava de aproveitar as férias sob o sol de Caiobá, em Matinhos, no Litoral do Paraná, onde nasceu. Viveu cada minuto como se fosse o último. Foi um verão curto, mas muito significativo. Estava com a família ao redor. “Ele viveu intensamente a vida, desde sempre. Entretanto, no último mês, isso se intensificou ainda mais”, comentou o filho.

No começo do ano, iniciou uma de suas principais batalhas, a luta contra o cigarro. Conseguiu vencer por 22 dias, quando não tocou mais nele. Era a resolução de um ano que começara com mais felicidade do que de costume.

“Ele ouviu sua música, curtiu com seus amigos, fez o que queria, foi feliz. Com o jeito extrovertido, cativava a todos com um sorriso, uma brincadeira. Sempre disposto a ajudar o próximo, e se doar pelo seu semelhante. Creio que são histórias de bondade. Foram muitas. Se for citar cada uma, teríamos que pegar um caderno inteiro para ele”, contou Thiago.

Hélio faria 60 anos no próximo dia 10 de fevereiro. Morreu após um aneurisma, seguido de acidente vascular cerebral em 22 de janeiro. Deixa a esposa Soraya de Araújo Ribeiro, dois filhos e a irmã, Cléia Maria Ribeiro.

Dia 22 de janeiro, aos 59 anos, em decorrência de um aneurisma, em Curitiba.

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