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Conheça a história do criador do Minecraft

Programador que se tornou símbolo dos criadores de games indies diz que vendeu para a Microsoft em nome de sua sanidade

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Jogo em mundo aberto criado por Mark Persson permite a construção de estruturas e cenários usando blocos. |
Jogo em mundo aberto criado por Mark Persson permite a construção de estruturas e cenários usando blocos.
 
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Certo dia em 2010, Carl Manneh, diretor da empresa sueca Mojang, apresentava seus funcionários a um programador recém-contratado. Saindo do banheiro, desengonçado, já ensaiando um sorriso, surgiu Markus Persson. "E este é o ‘Notch’", disse ao novato. "Ele é a razão por estarmos todos aqui." "Sim, eu sou Deus", brincou o criador de Minecraft, jogo que abalou a indústria de games desde seu lançamento, há 5 anos.

Manneh e Notch, além do programador Jakob Porser, anunciaram na última semana que deixariam a empresa responsável pelo jogo que rendeu alguns milhões aos cofundadores - eles próprios. A notícia veio depois de outra: a de que a Microsoft compraria o estúdio por US$ 2,5 bilhões.

Ao que tudo indica, eles têm um plano. Notch e Porser programam jogos, Manneh é um empresário. Assim como fizeram quando seguiram Notch rumo à Mojang após Minecraft mostrar números de vendas surpreendentes, os dois amigos devem embarcar em mais uma aventura de Persson. "Foram ótimos quatro anos. Mal posso esperar pelo que vem a seguir", disse Manneh pelo Twitter.

A saída foi recebida com surpresa, mas Notch já dava indícios de que a Mojang já não era mais o seu lugar há algum tempo.

De onde veio. Notch viveu até os seus sete anos no interior da Suécia, em uma cidade com menos de 4 mil habitantes, sob invernos rigorosos. Markus tem poucas lembranças de lá, mas se recorda de passar seu tempo vagando pelas florestas "basicamente me perdendo", disse. Aos sete, aprendeu a programar em um computador antigo, e aos oito, já fazia seu primeiro game.

A brincadeira virou vocação: aos 13, ele já sabia que queria criar jogos para a vida toda. Adolescente, passava horas no computador, programando e jogando. Seu primeiro trabalho na área, no entanto, veio só em 2004, na King, empresa que anos depois faria Candy Crush. Na época, Notch tinha 25 anos. Suportou o trabalho até 2009, quando largou o emprego para fazer algo próprio. Em questão de dias, nascia o Minecraft, e com ele, a Mojang.

Em Minecraft, não há objetivos claros. Os jogadores podem jogar sozinhos ou em grupos, cavando ou cortando madeira para construir todo e qualquer tipo de coisa; tal liberdade fez o game ser chamado de "LEGO digital".

"Minecraft foi criado por uma única pessoa e, mesmo assim, vendeu milhões e milhões de cópias. Esse simples fato mudou a cena de games indie para sempre", diz Daniel Goldberg, jornalista sueco coautor do livro Minecraft: The unlikely tale of Markus 'Notch' Persson and the game that changed everything (Minecraft: A improvável história de Markus ‘Notch Persson e o jogo que mudou tudo, inédito no Brasil).

Para Goldberg, Markus Persson e seu game são um retrato de "coisas interessantes que acontecem na indústria de games hoje", como a explosão da "cena indie" e a ascensão do modelo de distribuição digital de games, sem intermediários, via internet, como fez a Mojang.

Caminho

Mesmo com o sucesso, Notch pregava que sua vontade era genuinamente a de "fazer games divertidos" e não "grandes produções". Além disso, sempre deixou bem claro fazer mais o estilo do artesão ermitão do que o tipo corporativo extrovertido que adora trabalhar em grupo. "O ideal para mim sou eu e uma caixa de energético", disse.

De seis amigos no início, a Mojang passou a contar com 40 funcionários em um escritório com receita anual de US$ 290 milhões (2013) e um jogo que já vendeu 54 milhões de unidades.

O sucesso, porém, fez Notch perder o controle da situação. "Há um conflito entre a alegria de poder fazer o que eu quiser e a pressão do mundo me observando", disse ele à New Yorker, em 2011. Naquele ano, passaria o comando de Minecraft para seu amigo Jens Bergensten, a fim de se dedicar a projetos menores.

Notch não queria mais responder pelos rumos assumidos pelo jogo que criou, mas que agora só o assombrava. Ele queria voltar a ser o cara "indie", "de garagem", que costumava ser. Vender seu império para a Microsoft lhe pareceu uma boa saída.

"Comprar a Mojang sem ele é como ter os Beatles sem o John e o Paul", brincou o jornalista André Forastieri. Para ele, a aposta da Microsoft deve estar focada na comunidade em torno do jogo. "É um jogo que, genialmente, transforma a sua simplicidade em poder para o usuário."

Em sua carta de despedida, Notch desabafou. "Não é pelo dinheiro É sobre a minha sanidade." Ele diz ter se tornado um "símbolo" da luta dos desenvolvedores indies. Mas não queria nada disso. "Não sou empresário. Sou um programador de computador nerd que gosta de escrever suas opiniões no Twitter."

Em meio às frases carregadas, Notch disse que passaria a se dedicar apenas a pequenos experimentos e que se um dia "acidentalmente" fizesse algo popular ele "provavelmente o abandonaria imediatamente". Como dono de 42% da Mojang, ele provavelmente terá dinheiro para seguir sua vida assim. Por ora, a maior novidade é que ele está tentando tirar sua carteira de motorista. Na sua primeira prova, passou num sinal vermelho. Game over.

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