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“Mineração” de bitcoins vira negócio milionário e atrai gigantes da tecnologia

A cada quatro anos, a conquista de moedas virtuais fica mais difícil. Garante a recompensa o supercomputador que decodificar a criptografia em menos tempo. Mercado ainda tem riscos, mas fica mais competitivo e profissionalizado a cada dia

  • Claudia Guadagnin
 | KAREN BLEIER/AFP
KAREN BLEIER/AFP
 
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Em mineração de ouro você já ouviu falar, mas, e de bitcoins? Não é de hoje que a moeda virtual desperta atenção do mercado. Utilizada para fazer transações online e comprar produtos e serviços pela internet, ela pode ser usada em todo o mundo. Seu fluxo não é controlado por nenhum governo ou banco central. De tão difícil, o processo de conquista das moedas é comparado ao do ouro, por isso, o termo “mineração de bitcoins” virou usual.

Entenda como acontece a “mineração” de bitcoins

Para gerar bitcoins, computadores ultra potentes conectados a uma rede interligada e regulada pelos próprios usuários decodificam criptografias complexas lançadas pelo sistema a cada dez minutos. O primeiro que consegue recebe como recompensa 12,5 bitcoins. Cada um tem valor de US$ 589, ou R$ 1.849. Em dezembro de 2013, um bitcoin chegou a valer US$ 1.147.

Corrida digital

Em 2009, quando o bitcoin foi lançado, era viável usar um computador pessoal para minerá-lo. A ideia de uma moeda descentralizada gerou simpatia de movimentos libertários, mas desde que seu valor começou a subir, a aparente rentabilidade do negócio fez crescer o interesse de gigantes da tecnologia. Estruturas para usos caseiros – as melhores têm custos em torno de R$ 7 mil – ainda são feitas por empresas especializadas. O problema é que concorrência ficou desleal.

Há pelo menos cinco anos, startups e companhias globais com anos de mercado travam uma “corrida digital” em busca dos melhores e mais potentes data centers. Eles funcionam 24 horas por dia, ininterruptamente, e passam por melhorias contínuas para resolver cada vez mais rápido novas equações que garantam mais dinheiro virtual.

Data centers enormes, muitos com hardwares alimentados por chips conhecidos como Circuitos Integrados de Aplicação Específica (ASICs, na sigla em inglês), se dedicam à execução da tarefa. Enquanto microprocessadores tradicionais podem ter suas capacidades duplicadas a cada 18 meses, no caso do ASIC de mineração, isso ocorre em cerca de seis meses. Empresas como a Butterfly Labs, a Avalon e a AsicMiner são algumas que lideram a produção dos equipamentos.

Os computadores, que custam de milhares a milhões de dólares, dependendo da capacidade, tornam-se obsoletos em pouco tempo. A consequência é uma mineração altamente competitiva. Quanto mais mineradores entram na rede, maior deve ser a busca por estratégias que tornem os trabalhos mais eficientes e com menor custo operacional. Fernando Ulrich, mestre em economia e autor do livro Bitcoin - a moeda na era digital, conta que a rede se tornou a mais poderosa do planeta. “Em todo o mundo, são feitos em torno de 1.500 quadrilhões de cálculos por segundo. Esse volume supera em duas mil vezes a força computacional dos 500 supercomputadores que existem no planeta”.

Em busca do frio (e da energia barata)

As temperaturas nos locais de mineração, elevadas pela intensa atividade dos equipamentos, exige o trabalho constante de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Não por acaso, os custos com energia vão às alturas. Para driblar a dificuldade, as regiões mais frias do planeta e os países onde a energia custa menos estão no radar das mineradoras. A sueca KnCMiner instalou 45 mil supercomputadores onde um dia funcionou um hangar em Boden, no norte da Suécia. O local fica perto do Círculo Polar Ártico e ao lado de uma barragem hidrelétrica.

A Genesis Ming é outra que aposta em regiões congelantes. A maioria de suas operações fica na Islândia. Por lá, além do frio que predomina, a energia é mais barata e a conexão com a internet eficiente. A empresa é uma das que busca expandir mercado por meio da “mineração na nuvem”.

Uso da moeda ainda não tem amparo legal

A falta de amparo legal ao processo preocupa alguns especialistas, que recomendam cautela ao apostar no setor. Otto Nogami, professor de economia do Insper, ressalta que o fato de a produção dos bitcoins encerrar em 2140, quando alcançar o índice de 21 milhões de unidades, pode causar uma forte desvalorização da moeda. “Percebo o bitcoin como uma mercadoria de troca que funciona na lógica do escambo. Rende lucro na medida em que o câmbio valoriza, mas se a volatilidade for para baixo, acontece o contrário.”

Para o economista Fernando Ulrich, a tendência deve ser de estabilização nos próximos anos. “Quando o Reino Unido deixou a União Europeia, a volatilidade da libra esterlina superou a do bitcoin por algumas horas. Isso prova que, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, o bitcoin se destaca como opção aos investidores.”

O custo ambiental é outra preocupação, caso o sistema se consolide. Mesmo se todas as “mineradoras” fossem modernas, operassem em locais frios e com custo de energia baixo, o uso de eletricidade combinada seria de 1,46 terawatt-hora por ano. A porção equivale ao consumo de 135 mil casas norte-americanas.

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