Valterci Santos /Agência Gazeta do Povo
A artesã iniciante Verônica Moreira Coelho, de 18 anos, posa para a foto com um colar que ela mesma fez
Couro de peixe vira matéria-prima de acessórios feitos por artesãs de Antonina
20/02/2010 | 00:11 | Luciana RomagnolliO robalo desbanca a pescada amarela, a corvina e até o salmão como peixe preferido para virar matéria-prima de bijuterias, bolsas e chinelos, pela beleza do padrão das suas escamas, atravessadas por uma listra preta esfumaçada que resiste a tingimentos. As próprias escamas, separadas, também entram na composição de brincos e colares, ao lado de outros materiais naturais, como sementes de juçara e fios de tucum (feito de folhas de palmeira), gerando peças ambientalmente corretas. A cooperativa retira resíduos do meio ambiente e ainda gera emprego e renda, igualmente dividida entre as artesãs.
Valterci Santos /Agência Gazeta do Povo
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Bolsa feita com patchwork (mosaico de retalhos) de couro de peixe
Tecidos naturais e fundo branco
Sustentabilidade é palavra da moda no Brasil e no mundo afora. “O politicamente correto vai com tudo, só não em festa de gala”, comenta a consultora de moda Andrea Oliveira. Ela dá as dicas básicas de como usar acessórios artesanais, não apenas feitos de pele de peixe, mas de qualquer matéria-prima retirada diretamente da natureza: investir em roupas também de tecido natural, como o algodão puro, a sarja e o linho. A combinação é simples. “Se as peças forem coloridas, você joga sobre uma camiseta branca e não precisa de mais nada.”
Muitas das 39 mulheres que trabalham com Leocília são marisqueiras. A lida diária delas é cozinhar os siris capturados por seus maridos e retirar-lhes as carnes. Cerca de 70 crustáceos precisam ser destrinchados para que acumulem um quilo do alimento que é vendido a R$ 1,70. As mesmas mãos aprenderam a curtir, colorir, cortar e colar, imaginando formas e tons para adornos femininos. “Elas criam sem copiar e sempre saem peças diferentes”, diz Leocília, orgulhosa do grupo de damas de 18 a 73 anos.
Elas mesmas ainda não tiveram a chance de desfilar com suas criações por aí. As peças que fazem ficam na cooperativa para serem vendidas em feiras a que são convidadas – de Foz do Iguaçu a Salvador. Aqui pelo Litoral, todo sábado e domingo é possível encontrá-las na Feira de Artesanato de Antonina, em frente ao Mercado Municipal, onde os melhores compradores são os turistas.
A Copescarte recebe mais pedidos do que dá conta de produzir. “O couro de peixe está praticamente engatinhando”, diz Leocília, sobre a técnica ainda pouco disseminada, que ela mesma desenvolveu durante um mestrado na Universidade Estadual de Maringá (UEM) fazendo testes que a levaram a descobrir que a diferença entre os peixes de mar e de rio era a menor resistência da pele dos primeiros – o couro de pirarara, de água doce, se mostrou mais resistente do que o couro de boi. Se de início gastava de 4 a 5 dias no processo químico, atualmente leva dois e meio. Mesmo assim, a cota semanal de produção não ultrapassa 12 quilos.
Todas as artesãs aprendem também os passos da transformação química. “A minha intenção é de que elas passem por todo processo e fiquem na parte que se identificarem mais”, diz Leocília, que não esconde a própria preferência pela feitura do couro às minúcias do artesanato.
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