Procedimentos adotados por comissões organizadoras de vestibulares do Paraná nem sempre incentivam a leitura dos livros de literatura
Publicado em 09/03/2009 | Marcela CamposIlustração: Felipe Lima/Gazeta do Povo
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Confira algumas dicas dos professores para estimular a leitura dos livros cobrados nos vestibulares do estado
Calendário das listas – A relação de livros deveria ser divulgada com antecedência pelas universidades, de preferência no início do ano letivo. Outra sugestão, segundo os professores Joãozinho e Ogleari, seria criar listas trienais ou divulgar simultaneamente as listas dos três próximos anos, permitindo que o estudante organize a leitura desde o 1º ano do ensino médio. Hoje a UFPR mantém a relação de livros por dois anos. Após esse período, a universidade troca três ou quatro obras.
Prova – Todos os livros solicitados teriam de ser cobrados na prova. Além disso, sugere Joãozinho, o número de questões deveria ser proporcional ao esforço que a leitura das obras exige dos candidatos (na UFPR, das 18 questões de Português, seis são de Literatura). Segundo os três professores ouvidos pelo caderno Vestibular, a literatura poderia ser incluída na segunda fase do vestibular da UFPR, inclusive nas propostas de redação.
Unificação – Para o professor Braz Ogleari, as faculdades e universidades do Paraná poderiam criar uma lista única de livros, como existe entre a Unicamp e a Fuvest.
As universidades solicitam aos vestibulandos a leitura integral das obras de literatura indicadas no manual do candidato. Mas as questões cobradas nos vestibulares e os procedimentos adotados pelas comissões organizadoras dos principais processos seletivos do Paraná nem sempre privilegiam os estudantes que seguem a recomendação. “Se existe uma lista de obras, o propósito é valorizar a leitura. Um olhar atento sobre as provas de todos os vestibulares do Paraná nos últimos cinco anos, entretanto, mostra que a valorização para na lista, pois todas as demais práticas dão um recado implícito aos vestibulandos: recorram aos resumos”, avalia o professor de Literatura do Colégio Bom Jesus e dos cursos Acesso e Apogeu João Amálio Ribas, mais conhecido como Joãozinho.
Uma das formas de desestimular a leitura, segundo ele, é cobrar apenas parte dos livros exigidos. O professor lembra que a prova de conhecimentos gerais do último vestibular de verão da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) abordou apenas duas das cinco obras solicitadas. “Em alguns vestibulares, há uma roleta-russa de obras. Se a universidade pede três livros, deve cobrar os três”, afirma. Mesma opinião tem o professor de Literatura e gestor do ensino médio do Colégio Bom Jesus (unidade centro), Carlos Machado, para quem a prova não pode funcionar como “um jogo de azar”. “A UTFPR tem uma lista com cinco obras, mas costuma deixar algumas de fora da prova, além de cobrar autores que não estão na relação”, diz.
Joãozinho questiona também a forma como as obras foram exigidas no último vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com questões que confrontaram o aluno diretamente com comentários de críticos literários estudados no ensino superior. Segundo ele, esse tipo de pergunta pode extrapolar o entendimento de um estudante de ensino médio e tende a valorizar o bom intérprete, que muitas vezes nem leu o livro em discussão. Já para o professor Braz Ogleari, que dá aulas no Curso Positivo, a referência a estudos críticos sobre as obras solicitadas é positiva. “As pessoas acham que só deve haver perguntas diretas, e não é bem assim. O vestibular é uma coisa mais aprofundada; o aluno precisa fazer uma relação analógica entre conteúdos e escolas literárias”, afirma.
Ogleari estima que apenas 30% dos candidatos leem todos os livros cobrados. De acordo com ele, dificilmente o estudante que se prepara para uma maratona de vestibulares, em diferentes instituições de ensino, lerá todas as obras solicitadas. “Tem gente que vai fazer vestibular em Santa Catarina, Ponta Grossa, Londrina, Maringá. Aí, tem uma lista de 50 livros. Não vai ser nessa época, em que os jovens normalmente estão desorientados e não sabem o que querem da vida, que eles vão querer ler tantos livros”, diz.
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