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Mobilidade

¼ dos curitibanos considera o carro indispensável

Pesquisa mostra que 24% dos entrevistados não abrem mão do transporte individual. Para os demais, ônibus e bicicleta são as alternativas

  • Fernanda Trisotto
Regularidade e rapidez no deslocamento são essenciais para o ônibus ganhar adeptos |
Regularidade e rapidez no deslocamento são essenciais para o ônibus ganhar adeptos
 
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Um quarto dos curitibanos são motoristas convictos: em hipótese alguma deixariam o carro em casa e optariam por outro modal para se deslocar pela cidade. O dado está na pesquisa sobre hábitos de mobilidade feita pela Brain Bureau de Inteligência Corporativa, a pedido da Gazeta do Povo.Para os que abririam mão do transporte individual, as alternativas mais citadas foram o ônibus (35%) e a bicicleta (22%). Mas para migrar para o transporte público, a condição é que haja qualidade. Assim mesmo, genericamente.

INFOGRÁFICO: Veja os resultados da pesquisa no trânsito

Outras escolhas dos entrevistados dão pistas do que seria o transporte ideal. Regularidade nas linhas e rapidez no deslocamento foram itens citados como essenciais para a migração para o transporte coletivo. Por outro lado, o trânsito da cidade, atrasos e ônibus lotados - situações que estão diretamente ligadas - foram apontadas como os principais problemas.

Para Fábio Tadeu Araújo, sócio da Brain, o porcentual daqueles que não abrem mão do carro não retrata a realidade. “É muito comum que algumas pessoas ao dar a sua resposta falseiem no sentido do politicamente correto. O número surpreende positivamente porque, de alguma maneira, a pessoa tem a posição de refletir sobre a possibilidade de escolher outro meio de transporte”, pondera.

Esse perfil de pessoa que não deixaria o carro em hipótese alguma não é exclusividade de Curitiba. Para Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America, nas cidades de países desenvolvidos a única coisa que faz o motorista convicto mudar é o bolso. “É a instituição de pedágios urbanos. E uma coisa que grandes cidades estão fazendo é dificultar o estacionamento. Você pode ir a qualquer lugar de carro, mas não consegue sair dele.”

Crescimento

A cultura forte do carro não é privilégio do Brasil, mas na opinião de Danielle Hoppe, gerente de projetos, transporte ativo e gerenciamento de demanda do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, na sigla em inglês), ainda vai crescer a quantidade de pessoas que possuem carros no Brasil. “A gente têm gerações e cidades que se desenvolveram com essa cultura. Não é uma mudança fácil de acontecer”, observa. Para ela, é nesse ponto que entra a gestão de demanda. “As pessoas têm de se conscientizar que alguns deslocamentos podem ser feitos de outras maneiras, o cidadão não precisa usar o carro pra tudo”, afirma.

Em Curitiba, 45% dos deslocamentos de pessoas são feitos pelo sistema de ônibus, que representa só 2% da frota de veículos da cidade, de acordo com dados da Urbs. O presidente do órgão, Roberto Gregório da Silva Junior, pondera que, apesar de a capital possuir a maior frota de carros per capita do país, o ônibus ainda desempenha um papel importante. Uma pesquisa realizada pelo órgão no ano passado, apenas com usuários do sistema, mostrou que quase 60% possuem carro, mas mesmo assim escolhem usar o ônibus.

Integração de modais ainda patina

Um facilitador para a migração de modais de transporte é a integração entre eles. Assim, o usuário pode usar mais de um meio, de acordo com a sua comodidade. Um exemplo é a bicicleta, citada por 22% dos entrevistados como uma opção de transporte. Em Curitiba, a malha cicloviária está disponível mais para um trajeto de lazer do que nos grandes eixos estruturais da cidade. Uma nova experiência é a Via Calma, implantada na Av. 7 de Setembro, neste ano.

Para Danielle Hoppe, do ITPD, um problema persistente em todo o país quando se fala do planejamento de mobilidade é a fragmentação da gestão do transporte. Além de faltar integração entre os modais, falta quem pense em como será o serviço prestado ao usuário final. “Precisamos de gente pensando na qualidade do transporte dessa pessoa em todos os trechos.”

Para exemplificar, o planejamento urbano deve considerar o momento em que o cidadão sai de casa: qual é a condição da calçada e como a pessoa vai atravessar as ruas para chegar até um ponto, terminal ou estação. Se for um ciclista, a questão é onde deixar a bicicleta: em um bicicletário ou entrar com a magrela no ônibus? “Ainda temos muito a evoluir nesse sentido.”

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