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Ação entre amigos ultrapassa Urbs

Jovens criadores do aplicativo Busão Curitibano vencem resistência da prefeitura e completam dois meses com mais de 16 mil downloads

  • Rafael Waltrick
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TOPO

O Facebook de boa parte dos curitibanos amanheceu em polvorosa no último 27 de março, uma quarta-feira. Posts e compartilhamentos disseminados pela rede criticavam a derrocada de uma novidade lançada dois dias antes. Parecia mesmo bom demais: de repente, um certo aplicativo mostrava na tela do celular a posição dos Biarticulados e Ligeirinhos que, dali a alguns instantes, surgiriam na esquina mais próxima.

A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) “cortou o barato” – e o acesso aos dados utilizados para manter o aplicativo no ar. A gritaria online surtiu efeito. Dois meses depois do imbróglio, o programa Busão Curitibano permanece ativo, contabilizando mais de 16 mil downloads para smartphones e tablets.

À época, a Urbs afirmou que, por utilizar a base de dados do transporte coletivo, o aplicativo limitava a conectividade do serviço e acabava por derrubar o servidor. Os então desconhecidos desenvolvedores do aplicativo – todos jovens curitibanos entre 20 e 28 anos – sentaram-se à mesa da empresa e garantiram o acesso às informações. Para eles e para quem mais quisesse. Desde início de abril, após o impasse, a Urbs passou a disponibilizar o banco de dados para desenvolvedores que queiram produzir novos apps, como se diz. Aberto o caminho, mais cinco grupos correram para solicitar as informações.

Não é fácil emplacar um programa como o Busão Curitibano na App Store ou na Google Play, “mercado” de aplicativos dos sistemas iOS e Android. A previsão inicial era de que ficasse pronto em um mês. Demorou cinco. Como os dados até então tinham de ser “puxados” manualmente da página da Urbs, o trabalho braçal seguiu, muitas vezes, noite adentro.

“Temos uma designer, mas todo mundo ajudou na concepção das telas do aplicativo. A ideia sempre foi apresentar um produto bonito e fácil de usar”, resume um dos cabeças do grupo, Ricardo Prado. O projeto começou a ser pensado quando ele e outros quatro empreendedores – Gemerson Ribas, Diego Trevisan, Netto Ramalho e Katia Fernanda – trabalharam juntos em uma empresa. Cada um acabou indo pra um canto, mas a ideia persistiu.

O diferencial do Busão, disponível para iOS e Android, é mesmo a geolocalização dos ônibus em tempo real, possibilidade ainda mal aproveitada pelo aplicativo oficial da Urbs, o ITIBus. Por meio do app, o usuário descobre quais os pontos de ônibus mais próximos de onde está, quais linhas passam por esses locais e em que ruas os veículos estão naquele momento. Opções também estão disponíveis em um site na internet, em www.busaocuritibano.com.br.

Embora cada um ainda tenha seu emprego fixo, os cinco jovens constituíram uma empresa e estão abertos a parcerias. Dinheiro, o app ainda não dá, até por ser gratuito. Mas pelo menos eles já têm o apoio dos passageiros dos vermelhões, amarelinhos, azulões e outras cores.

MovimentoDupla dedica horas livres a desenvolvimento de aplicativo

O estudante de Sistemas de Informação Bruno Furtado, 24 anos, passou por um susto e tanto no fim do ano passado. Capotou o carro. Não se feriu, mas, “por livre e espontânea pressão”, passou a usar o transporte coletivo. Aí veio a dificuldade: morador de Santa Felicidade, tinha de pegar três ônibus até chegar ao trabalho, no Centro de Curitiba.

A falta de informações práticas sobre os horários e itinerários que passou a enfrentar diariamente o motivou a criar, em dezembro, o aplicativo Ônibus Curitiba – para smartphones e tablets com sistema iOS. Bruno resgatou e organizou os dados da Urbs, enquanto o amigo e colega de trabalho Guilherme Schasiepen, estudante de Design, ficou responsável por repaginar o visual e a interface do app. Deu certo. Hoje, a dupla contabiliza 5 mil usuários ativos.

Assim como outros aplicativos, o Ônibus Curitiba apresenta horários e itinerários das linhas que percorrem as ruas da capital. Mas tem um diferencial: à semelhança do popular Waze, o próprio usuário pode mostrar a sua viagem em tempo real, permitindo que outros passageiros vejam na tela do celular a posição do ônibus e até a velocidade média do veículo.

Bruno e Guilherme agora batem cabeça para pensar em alternativas de tornar o aplicativo sustentável – o programa é gratuito e, portanto, não paga nem o café usado para manter os desenvolvedores acordados de madrugada. Para o coordenador do Curso de Engenharia de Produção da Universidade Positivo, Glavio Paura, a própria Urbs e a prefeitura poderiam incentivar a produção dos apps por meio de outros estímulos que não se restrinjam à disponibilização dos dados.

“O grande interessado neste movimento de aplicativos é o poder público. Esses programas deixam a cidade mais acessível e facilitam o turismo. Ao invés de alugar um carro, os turistas costumam usar o transporte coletivo e, aí, a acessibilidade é fundamental”, reforça Paura.

Na rede

O aplicativo Busão Curitibano é apenas o mais recente entre vários outros programas desenvolvidos para smartphones, com o intuito de facilitar a vida dos usuários do transporte coletivo. Veja abaixo outras opções de apps, todos gratuitos:

Ônibus Curitiba

Apresenta as linhas e horários de ônibus e permite que o usuário compartilhe sua viagem em tempo real, mostrando o itinerário e velocidade média do veículo. Sistema: iOS.

TerminalRIT

Mostra os pontos mais próximos e descreve a rota e linhas que o usuários precisa pegar para chegar até um destino pré-determinado, por meio dos ônibus Ligeirinhos e Biarticulados. Sistema: Android.

WBus Curitiba Lite

Permite a consulta das linhas que saem dos terminais e qual o horário das próximas saídas. Também é possível fazer pesquisas por linhas específicas e visualizar o itinerário dos ônibus. Sistema: Android.

ITIBUS 2

Aplicativo oficial da Urbs, mostra os pontos mais próximos de onde o usuário está e o itinerário das linhas que passam pela região. Ainda está em fase de testes. Sistema: Android. (RW)

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