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Referências no mundo

As lições da China, Coreia do Sul e Finlândia sobre educação

Países têm modelos de educação diferentes, mas todos se baseiam no tripé educação, comunidade e gestão para conquistar os melhores índices educacionais

  • Curitiba
  • Caroline Olinda
 
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Professor, comunidade e gestão. Não tem como escapar desse tripé quando se pensa em educação de qualidade. A prova disso são os países campeões nas avaliações de conhecimento dos estudantes. Cada um ao seu jeito, Coreia do Sul, China e Finlândia fizeram a revolução em seus sistemas de ensino. Em comum, carregam a valorização ao professor, a maior participação da comunidade no cotidiano escolar e uma decisão de governo em melhorar a gestão dos recursos dedicados à área. “Não tem segredo. É só uma questão de efetivamente de valorizar a educação”, diz José Paulo da Rosa, diretor regional do Senac-RS e doutor em educação.

Em 2009, Rosa foi à Coreia do Sul tentar entender o milagre que fez o país deixar a pobreza e ter um dos maiores PIBs do mundo em menos de um século. Não foi bem milagre que encontrou por lá, mas o mesmo caminho traçado por outras nações que perceberam que educar a população com qualidade seria a única forma de mudar os índices econômicos.

O plano começa por valorizar a figura do professor e manter os melhores no ensino básico. Nesse sentido, além de bons salários e benefícios, também está uma valorização social. Uma espécie de respeito e admiração pela carreira que faz com que os melhores estudantes queiram ter como profissão a tarefa de ensinar – principalmente a crianças e adolescentes.

“Na Coreia, encontrei um professor que era autor do livro de matemática usado por todas as escolas do país dando aula para o nível médio. Lá, os melhores professores estão no ensino básico”, conta Rosa. Bem diferente do Brasil. Por aqui, os professores mais bem formados vão para o ensino superior. Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) é garantir que 50% dos professores da educação básica tenham pós-graduação até 2020.

“Além de conhecimento, os professores também são preparados para a prática. Eles têm domínio da sala de aula e perdem pouco tempo para controlar a indisciplina”, conta o empresário Oswaldo Tavares ao falar do modelo chinês. Ele já fez quase duas dezenas de viagens pelo mundo para conhecer os modelos educacionais dos países considerados exemplares.

A indisciplina dos estudantes, aliás, tende a ser um problema menor nesses locais. Muito disso porque as famílias estão engajadas no processo de educação das crianças, o que ajuda a incutir na cabeça delas a importância do ensino formal. A família também é primordial para a boa gestão das escolas. Na Coreia do Sul, os conselhos escolares, formados por pessoas da comunidade, avaliam o desempenham da administração da escola e podem até indicar a substituição de um diretor caso percebam que a gestão vai mal.

Na China, escolas mal geridas também sofrem mudanças. Por lá, se uma instituição continua a ter resultados ruins mesmo depois de muitos esforços para recuperá-la, ela passa para as mãos de uma escola melhor. A nova gestão tem dois anos para melhorar os resultados e ganha um bônus, para ser aplicado em sua instituição, caso consiga.

“O que percebemos em todos esses países é que eles priorizaram a educação, mas não só em termos de recursos. Os investimentos são feitos de maneira correta e com planos a longo prazo”, comenta Tavares.

Para se inspirar

Gratuidade

Na Finlândia, a gratuidade é total na educação básica, que vai dos 7 aos 16 anos. Isso inclui acesso a material didático, refeições, transporte e assistência médica, dentária e psicológica.

Meritocracia

A China usa o critério da meritocracia para os professores avançarem na carreira. Por lá, os resultados dos estudantes e a avaliação que superiores e outros colegas fazem do professor contam pontos, que o ajudam a subir de cargo e receber um salário maior por isso. Os cursos de aperfeiçoamento feitos pelo professor fora do horário de trabalho também o ajudam a ter um salário maior.

Família

Na Coreia do Sul, as famílias estão diretamente envolvidas na gestão da escola. Os pais têm tanta autonomia, que podem observar as aulas, sugerir a realização de cursos de reciclagem e até mesmo a troca de diretores.

Básico

Os ensinos fundamental e médio são prioridade na China, na Coreia do Sul e na Finlândia. Isso significa que a maior parte dos investimentos em educação e os profissionais mais graduados estão no ensino básico. Além de serem bem remunerados, esses professores também são admirados socialmente

Os melhores

Na Finlândia, todos os professores precisam ser mestres em educação para ir para a sala de aula. Na China, a opção do governo foi por manter apenas os melhores professores, mesmo que isso tenha significado turmas maiores, algumas com até 60 estudantes.

Vocação

Os talentos e a vocação de cada criança são percebidos e estimulado durante a educação básica na Finlândia. Lá, a partir do 8 º ano, o número de horas destinadas as matérias obrigatórias – definidas pelo governo – diminui e as opcionais aumentam. O aluno conta com a ajuda de um professor orientador para criar o seu programa de estudos.

Menos burocracia

Otimizar os recursos destinados à educação – dinheiro e tempo – , reduzindo a burocracia e aplicando no que interessa: o ensino. Na Finlândia, os diretores também dão aula e a maior parte administrativa da escola fica a cargo dos servidores do município e até do governo federal. Na Coreia do Sul, os pais assumem parte dos papeis da gestão. Na China, não se perde tempo fazendo chamada. Um professor é designado para cuidar de algumas turmas. Ele verifica se estão todos presentes e entra em contato com a família caso alguém falte.

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