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poluição ambiental

Beto Richa diz que desconfia de operação da PF sobre Sanepar

Governador afirmou que se sente no direito de desconfiar da motivação das investigações, que classificaram companhia como a maior poluidora do estado

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O governador Beto Richa (PSDB) disse, na manhã desta sexta-feira (21), que prefere não especular sobre o que motivou a Polícia Federal (PF) a investigar a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), mas acrescentou que se sente no direito de "desconfiar" da operação. Na quinta-feira (20), a PF divulgou resultados da "Operação Água Grande – Iguaçu", que apontou o esgoto despejado no maior rio paranaense não é tratado, apesar de a companhia de saneamento cobrar pelo serviço.

Richa levantou suspeitas quanto ao fato de os resultados da operação terem sido divulgados a duas semanas das eleições municipais e em um período em que os agentes da PF estão em greve. "Acho muito curioso e tenho todo direito pela forma como foi deflagrada essa operação de poder imaginar que houve outros objetivos, que não o real de poder investigar com números e documentos o que está acontecendo no saneamento do estado", afirma.

O governador alegou que as investigações não foram concluídas pela polícia e que se solidariza com o sentimento de indignação de funcionários da Sanepar. "A Sanepar é reconhecidamente a melhor empresa de saneamento do Brasil, tem o melhor quadro de servidores, os mais qualificados deste país: 7 mil funcionários, que posso garantir,estão muito indignados e merecem a minha solidariedade", afirma.

Richa classificou a ação como "completamente desnecessária" e parecia muito irritado com a maneira como a PF deflagrou a ação. Ele questionou a abordagem dos agentes da PF, que teriam invadido a Sanepar fortemente armados."Eu espero, pelo respeito que tenho à Polícia Federal, que uma operação forte, extemporânea como essa, não venha macular a imagem que a polícia tem na sociedade brasileira", disse. Segundo o governador, a companhia e diretores atingidos pela operação vão buscar à Justiça para pedir eventuais reparações.

As imagens do rio Iguaçu poluído parecem ter incomodado mais o governador. "Mostram imagens fortes, não dizem quando, não dizem onde aconteceu. Sofás, garrafas, objetos no rio sugerindo que a Sanepar jogou isso. A Sanepar nem lida com esses objetos muito menos tem a obrigação e atribuição de coletar esses objetos nos rios", disse.

O governador que soube da operação na quinta-feira, quando estava no interior, mas que já conversou com diretores da empresa, que garantiram que não sonegaram informações à corporação. "Há algumas semanas pedi relatórios a Sanepar em função de notícias veiculadas pela imprensa em relação ao saneamento e a poluição do rio Iguaçu", conta.

Segundo Richa, nos últimos dez anos a Sanepar investiu R$ 1 bilhão em saneamento, verba que vai dobrar durante o seu mandato. Ele também tranquilizou a população dizendo que a Sanepar não é negligente com o lado ambiental e presta um serviço de qualidade e eficiente.

O governador paranaense mencionou ainda um prêmio que a companhia teria recebido esta semana, como a melhor empresa de saneamento do Brasil. As declarações de Richa foram dadas em evento comemorativo ao Dia da Árvore, realizado na manhã desta sexta-feira, no Palácio Iguaçu. Antes de conceder entrevistas, ele plantou uma muda de peroba nos jardins atrás da sede do governo.

A operação

A "Operação Iguaçu – Água Grande" é realizada desde 2008, mas os resultados foram divulgados na quinta-feira. O delegado Rubens Lopes da Silva classificou a Sanepar como "a maior poluidora do Rio Iguaçu" e como uma "empresa de fachada". Isso porque, segundo ele, a companhia cobra dos clientes pelo tratamento de esgoto, mas não executa o serviço, despejando os efluentes diretamente em rios do estado. Por conta disso, a PF vai indiciar 30 gestores da empresa por estelionato.

Em entrevista concedida na quinta, ele negou a investigação tenha cunho político, dizendo que ela ocorre desde 2008, muito antes da campanha eleitoral deste ano. "A Sanepar devia parar de negar o óbvio e tomar providências", disse.

As investigações revelam ainda que 20% das estações de tratamento de esgoto da companhia atuam clandestinamente: elas sequer existem juridicamente e funcionam sem licenças de operação. Segundo a PF, a Sanepar não repassa ao Ibama documentos exigidos sobre o tratamento de esgoto. Por este motivo, há 1,8 mil dias a companhia tem sido autuada, com multa diária no valor de R$ 20 mil.

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