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Urbanismo

Binários são mal necessário para o trânsito

Prefeitura de Curitiba aposta no sistema de ruas com mão única para diminuir os congestionamentos e inaugura o 16.º binário nesta segunda-feira

Binário da Brigadeiro Franco já não escoa o trânsito pesado, principalmente em horários de pico |
Binário da Brigadeiro Franco já não escoa o trânsito pesado, principalmente em horários de pico
 
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Binários são mal necessário para o trânsito

A partir desta segunda-feira, Curitiba contará com mais um binário para tentar desafogar o trânsito da capital. O sistema irá abranger o perímetro formado pelas ruas Nilo Peçanha (sentido centro-bairro), Desem­bargador Benvindo Valente e Albino Silva (sentido bairro-centro). A área dá acesso aos bairros Bom Retiro, Pilarzinho, Mercês e São Francisco. Esse é o 16.º binário da capital e não deve ser o último. Segundo especialistas, trata-se de uma alternativa que virou tendência nas grandes cidades.O binário, sistema que consiste em transformar vias paralelas de mão dupla em ruas com um único sentido, é visto como solução para dar mais fluidez ao tráfego de vias rápidas e muito movimentadas. “Se fôssemos criar uma nova cidade, as ruas seriam de mão única. Em um município moderno, não faz mais sentido haver vias de mão dupla”, afirma o professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eduardo Ratton.

Só para se ter uma ideia de como os binários fazem falta, Ratton lembra das confusões causadas por motoristas, em ruas de mão dupla, que querem fazer a conversão à esquerda: os carros que vêm logo atrás precisam esperar até que os da faixa contrária deem passagem ao que está fazendo a conversão. Isso gera estresse e buzinadas.

Já para o coordenador do Centro de Formação de Tecnólogos e professor do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Ricardo Bertin, hoje os binários são um mal necessário. “Ruim com eles, pior sem eles”. Bertin, no entanto, acredita que tais sistemas não estão dando conta de desafogar o trânsito, pois o número de veículos cresce mais que a capacidade das cidades em ampliar suas ruas – em dez anos, a frota de veículos de Curitiba aumentou cerca de 60%.

O binário formado pelas ruas Briga­deiro Franco e Desem­bargador Mota é o campeão de reclamações de moradores e motoristas que afirmam ver as duas vias ficarem congestionadas o dia inteiro. “É horrível e está cada vez pior”, diz a aposentada Januária Grilo, de 65 anos, moradora da região há 20 anos. “Antes era menos, agora é mais trânsito. O fluxo de carros fica lento o dia inteiro”, conta Otávio Gomes, 60 anos, frentista há 15 anos de um posto localizado na Brigadeiro Franco, esquina com Comen­dador Araújo.

Outro lado

De acordo com a gestora da área de Operação de Trânsito da Urbs, Guacira Civolani, os binários possuem dois propósitos principais: dar mais agilidade aos veículos do transporte coletivo e segurança ao pedestre na hora de atravessar. “Por meio de estudos, levantamos a relação dos locais onde há mais reclamação de pedestres e onde os ônibus não estão conseguindo cumprir os horários. O objetivo é melhorar o fluxo como um todo, mas a prioridade é esse público”, diz.

A gestora afirma que, em relação aos binários que começam a gerar reclamações, a solução encontrada pela Urbs é proibir os estacionamentos na via para sempre, durante todo o dia e não apenas no horário de pico. “As pessoas reclamam, mas não é possível agradar a todos. Os motoristas, em especial, precisam pensar de modo menos individual, procurar caminhos e horários alternativos e aderir à carona solidária.”

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