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Brasileiros reunidos em Colônia Formoza, no Paraguai: falsificadores de títulos estariam por trás do avanço de grupos de sem-terra do país vizinho sobre terras produtivas |
Brasileiros reunidos em Colônia Formoza, no Paraguai: falsificadores de títulos estariam por trás do avanço de grupos de sem-terra do país vizinho sobre terras produtivas
Conflito agrário

Brasiguaios em alerta no Paraguai

Agricultores radicados no país vizinho pedem ajuda do governo contra invasões de propriedades. Duplicidade de títulos acirrou ânimos com sem-terra paraguaios

Texto publicado na edição impressa de 13 de julho de 2011

Brasiguaios em alerta no Paraguai Ampliar

Decididos a pressionar o governo paraguaio, agricultores brasileiros dos estados de Alto Paraná e Canin­deyú começam hoje um tratoraço em duas das principais rodovias de acesso a Encarnación, na fronteira com a Argentina, e à capital Assun­ção. A manifestação, que já vinha sendo estudada pelos líderes de agremiações agrícolas, foi decidida no final da tarde de ontem, em resposta às agressões sofridas pelo pro­­dutor Ademir Rickli, atacado por um grupo de sem-terra que ha­­via sido desalojado há uma semana. Por volta das 10 horas, Rickli, irmãos, filhos e funcionários pretendiam limpar a área antes ocupada por pelo menos 40 famílias de sem-terra, agora acampadas às margens da rodovia. Assim que começaram o trabalho foram atacados por um grupo de 15 homens armados com paus, pedras e facões. “Foi uma emboscada. Meu pai acabou atingido no rosto e na cabeça por golpes de facão e pedra”, contou o Ademir Rickli Júnior. O agricultor passa bem. Revoltados, cerca de 20 produtores rurais bloquearam a via por quase quatro horas.

Há quase três meses impedidos de plantar, proprietários que tiveram as terras invadidas denunciam uma série de arbitrariedades sustentadas por instituições ligadas ao próprio governo paraguaio. “Os campesinos [sem-terra paraguaios] chegam, acampam e exigem que a gente saia da propriedade, dizendo que são os verdadeiros donos”, afirmou Rickli Júnior, há 12 anos em San Rafael del Paraná, no país vizinho. De acordo com o brasileiro, os campesinos são auxiliados por falsificadores de títulos que têm como alvos as propriedades produtivas.

“Queremos apenas que respeitem os nossos direitos e que possamos trabalhar em paz. Nosso lugar não é aqui protestando, é na terra produzindo”, comentou o agricultor Adair Matei, desde 1979 em Formosa, a cerca de 100 km de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. “Precisamos que o governo paraguaio faça a sua parte e garanta a nossa segurança”, completou o presidente da Associação Agrícola de Alto Paraná, Adir Lui. Um dos mais ricos do país vizinho, o estado reúne cerca de 6 mil brasileiros que plantam soja.

Apoio

Capital da imigração brasileira na década de 1970, Santa Rosa e municípios vizinhos como Santa Rita, Naranjal e Cedrales são responsáveis por quase toda a produção de grãos do Paraguai. “Estamos trabalhando aqui há mais de 30 anos, sempre por conta própria. Do Brasil não recebemos quase atenção nenhuma. Temos o apoio apenas de um ou outro prefeito e governadores paraguaios”, disse o agricultor Luís Zuchi. Manifes­tantes com tratores e máquinas se concentraram em pelo menos cinco localidades da região.

Preocupados com o acirramento dos conflitos por terra em Alto Paraná, prefeitos decretaram estado de emergência. A iniciativa permite que acionem o governo paraguaio e organismos internacionais para que o impasse possa ser resolvido. “Queremos dar uma solução pacífica para essa questão. Estamos esperando uma resposta. Caso nada seja feito, é bom que saibam que temos força para parar o país”, ameaçou o prefeito de Santa Rita, Concepción Rodríguez, adiantando que a partir de amanhã o comércio poderá ser fechado.

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