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Geocaching

“Caça ao tesouro” high tech

Com a ajuda do GPS, jogadores seguem coordenadas de satélite para localizar objetos escondidos em lugares públicos. Paraná tem 99 caixas escondidas

  • Diego Antonelli
Com seu inseparável GPS, Alisson Zanatta, de 35 anos, é um participante assíduo do geocaching, uma prática que mistura aventura, esporte e turismo |
Com seu inseparável GPS, Alisson Zanatta, de 35 anos, é um participante assíduo do geocaching, uma prática que mistura aventura, esporte e turismo
 
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“Caça ao tesouro” high tech

Os aparelhos de GPS (sistema de posicionamento global, da sigla em inglês) viraram brinquedos nas mãos de quem pratica o geocaching, uma espécie de “caça ao tesouro” high tech. A atividade, basicamente, começa quando uma pessoa esconde uma caixa e dá algumas coordenadas geográficas por meio de sites específicos na internet para que outro jogador, com o uso do GPS, a encontre.

Ao contrário de um tesouro, as caixas – denominadas caches – geralmente não têm nenhum artefato de grande valor. Podem ser lembranças de determinada região, brinquedos ou pequena quantia de cédulas de dinheiro estrangeiro, por exemplo. Além de uma mensagem que comprova tratar-se de um geocache.

A busca é baseada em coordenadas até que o GPS leve o praticante ao local onde está escondido o cache. Os lugares utilizados como esconderijos são variados: parques, praças, ruas, praias ou até mesmo no pico de uma montanha. “Uma vez achado, deve-se avisar os outros participantes, através do site oficial do jogo, que você encontrou o cache, se você assinou o livro de visitas (que também fica no interior do recipiente), o que retirou ou deixou para os outros de presente, em que estado de conservação estava a caixa e ainda contar se foi o primeiro a descobrir o tesouro”, explica o jogador Rafael Maciura, 31 anos, que é webdesigner e pratica o geocaching desde 2009.

Para participar oficialmente e virar um geocacher é necessário se cadastrar no site oficial da comunidade (www.geocaching.com). No Paraná existem hoje 99 “tesouros” escondidos e, em todo o país, são 903. Há mais de 5 milhões de caches espalhados pelo mundo. De acordo com a jo­­gadora Gilsa Barbosa Steinmeier, de 47 anos, as caixas não podem ser retiradas do local onde estão escondidas. “É um tesouro fixo. O que pode ser retirado é o que está dentro”, explica.

Ela, que é curitibana, mora na Alemanha desde 1998, quando se casou com o alemão Thomas Steinmeier – hoje com 48 anos. O casal descobriu o jogo em 2010. De lá para cá, os dois já participaram de caçadas nos mais distantes locais: Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha, França, Bélgica e Brasil. “Viemos passar as férias em Curitiba e estamos aproveitando para encontrar os ‘tesouros’”, conta Gilsa. Segundo ela, o casal já encontrou mais de 400 caches espalhados pelo planeta. “A adrenalina de procurar e o que a gente aprende nessas caçadas não têm preço”, comenta.

Aprendizado

Para Thomas, a prática do geocaching possibilita conhecer um pouco sobre diferentes países e culturas. “Conhecemos outros locais e aprendemos várias coisas sobre eles. Em alguns tesouros, temos que responder a algumas perguntas sobre determinada cidade para ter acesso à pista e isso aumenta o conhecimento”, conta.

Experiência

Participante assíduo da atividade, Alisson Zanatta, de 35 anos, tornou-se um geocacher em 2010 e já escondeu diversos “tesouros” pelos estados do Paraná e Santa Catarina. “São inúmeros os geocaches que têm um cunho educacional. Eu mesmo tenho um colocado no bosque de Portugal, na capital, onde o praticante terá que saber um pouco sobre literatura brasileira. Sempre que possível procuro colocar os meus caches em locais que possam trazer conhecimento ao praticante”, comenta.

Atividade ganha o mundo e vira atração turística

Além de estimular a atividade esportiva, o geocaching também ajuda a incentivar o turismo e a atrair visitantes para diferentes regiões. “Esta é uma nova forma de contato com determinados atrativos turísticos. Muitas vezes são turistas que, ao sair para um passeio, têm como objetivo encontrar o geocache e, principalmente, desfrutar desse contato com a natureza”, conta a pós-doutora em Geoturismo Jasmine Mo­­reira, que leciona na Uni­ver­sidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Para ela, o geocaching pode ser considerada uma atividade turística, já que envolve o deslocamento temporário do participante para determinada região. “Em 2008, na Austrália, foi apresentado um trabalho na 1.ª Conferência Mundial de Geoturismo sobre essa nova atividade”, relata.

Planos

O participante Thomas Steinmeier é um exemplo de jogador que se tornou turista. Ele conta que o geocaching o estimula a viajar para diversas localidades em busca dos tesouros. “A gente acaba viajando muito para descobrir os caches. Nossa meta agora é conseguir encontrar um que está na cidade do Rio de Janeiro. Em breve, vamos para lá”, afirma.

Lazer

Esporte ou brincadeira?

Para alguns, o geocaching é apenas uma brincadeira. Para outros, a atividade pode ser considerada até um esporte. Mas a maior parte dos praticantes acredita que o jogo está muito ligado a diversas modalidades esportivas.

Alisson Zanata afirma que para praticar o geocaching a pessoa primeiramente deve ter disposição para caminhar, escalar, mergulhar e pedalar, por exemplo. “Isso faz com que muitas pessoas, através dessa atividade, tomem gosto por algum tipo de esporte. Eu mesmo tenho um projeto para colocar um cache onde a pessoa terá que praticar mergulho livre para achar”, conta. Muitas pessoas, segundo ele, deixaram o sedentarismo de lado após iniciar a atividade.

O praticante Rafael Maciura tem opinião parecida. “É um esporte, pois você tem de se dedicar, tem de cumprir tarefas, tem de se exercitar. Alguns lugares são de difícil acesso com árvores e morros, em outros o carro não chega tão perto e é preciso andar”, diz.

Divulgação

Ainda desconhecido no Brasil

Os geocachers ainda acreditam que a atividade não está tão difundida no Brasil quando comparada com outros países. Para alguns, a falta de divulgação atrapalha que o país tenha mais adeptos da modalidade. O custo do GPS (os mais modernos, que fornecem acesso à internet, chegam a valer, em média, R$ 1,8 mil) também é tido como obstáculo para maior difusão da atividade. “Isso pode afastar as pessoas”, diz Maria Cleusa Fachini, de 45 anos.

Um outro limitador pode ser o fato de o site norte-americano que difunde a prática ser redigido em inglês. “Só recentemente teve parte do seu conteúdo traduzido para outras línguas, como o português”, diz o praticante Rafael Maciura.

Alisson Zanatta acredita que, com o tempo, a atividade se tornará mais conhecida no país. “O brasileiro ainda não está habituado a utilizar todo o potencial de seu GPS. Mas, com a divulgação, isso tende a mudar”.

Interatividade

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