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Ricardo Medeiros

Chover ou não chover, eis a questão

Texto publicado na edição impressa de 02 de maio de 2012

O ser humano tenta prever o tempo e se precaver dos efeitos das intempéries há séculos. A tecnologia atual até permite antecipar se vai chover, esfriar ou esquentar. Os meteorologistas conseguem, com alguma confiabilidade, indicar qual será a intensidade de uma tempestade e a duração de uma onda de calor. O avanço do conhecimento ajuda diversos segmentos da indústria – tais como a do vestuário, a calçadista e, por que não, a de guarda-chuvas – a melhorar seus produtos, torná-los mais eficientes.

A questão do monitoramento do tempo ajuda a agricultura. Em países que sofrem com terremotos, furacões e tornados, a tecnologia permite evitar perdas humanas. Regiões que são afetadas por ventos fortes podem ganhar grandes hélices para gerar energia – a chamada energia eólica. Onde há grande incidência de sol, a captação de energia solar faz o consumo de eletricidade vinda das usinas hidrelétricas diminuir. A nação ganha. A população é beneficiada.

A meteorologia atual – antes motivo de piada – ganha destaque nos meios de comunicação. Emissoras de televisão gastam muito dinheiro e ampliam o espaço para a moça do tempo. Muita gente não sai de casa antes de pesquisar se fará calor ou frio. Se vai chover ou não. Dependendo do que estiver indicado, a roupa escolhida para trabalhar ou ir à escola muda. O guarda-chuva e a sombrinha são retirados do armário. Um casaco mais grosso para evitar a queda na temperatura é requisitado. Um sapato mais impermeável vai parar nos pés do cidadão que vai encarar um dia chuvoso, que não deve esquecer de carregar uma meia extra na mochila ou na bolsa.

Mas o tempo não consegue agradar a todos. E a eficiência dos estudos meteorológicos faz crescer, digamos assim, uma divisão na população. Quando, nos últimos dias, o tempo fechou em Curitiba, por exemplo, muita gente gostou do céu cinzento e da temperatura mais fria. Muitos comemoraram a volta da tradicional imagem da capital paranaense. Outros tantos torceram o nariz para a falta de sol e de luz natural na cidade. O que os meteorologistas têm a ver com isso? Nada. Ninguém consegue ser unanimidade.

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